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A jovem que se prepara desde os 3 anos para ser a primeira humana em Marte

A astrobióloga de 24 anos dedica sua vida ao sonho de integrar a primeira missão tripulada ao Planeta Vermelho

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Alyssa Carson tinha apenas três anos quando assistiu a um episódio de The Backyardigans em que os personagens embarcavam numa aventura imaginária até Marte. Diferente da maioria das crianças, que esqueceriam o episódio no dia seguinte, ela virou para o pai e declarou com convicção que queria ser astronauta e ir até o Planeta Vermelho. Mais de duas décadas depois, a garota de Louisiana (EUA) transformou aquela fantasia infantil em um projeto de vida meticulosamente construído.


Hoje, aos 24 anos, Carson é formada em astrobiologia pelo Florida Institute of Technology e cursa doutorado na University of Arkansas, onde pesquisa a sobrevivência de bactérias terrestres em condições similares às de Marte. Seu nome circula frequentemente nas discussões sobre quem poderá integrar a primeira missão tripulada ao planeta vizinho, prevista para a década de 2030.

O que diferencia Carson de outros entusiastas do cosmos é a consistência quase obsessiva com que direcionou cada escolha de sua vida para esse objetivo.

Aos sete anos, ela participou do primeiro Space Camp da NASA em Huntsville, Alabama, e desde então se tornou a única pessoa no mundo a completar todos os acampamentos espaciais oferecidos pela agência, incluindo os programas internacionais no Canadá e na Turquia. Em 2013, com apenas 12 anos, foi a primeira a concluir o NASA Passport Program, visitando os 14 centros de visitantes da agência espalhados por nove estados americanos. A façanha lhe rendeu um convite para participar como painelista no MER 10, evento transmitido ao vivo pela NASA TV em que ela discutiu futuras missões a Marte ao lado de cientistas e administradores. Aos 15, tornou-se a pessoa mais jovem a ser aceita na Advanced PoSSUM Academy, conquistando certificação para realizar pesquisas em espaço suborbital. No mesmo ano, tirou sua licença de piloto.


É importante, porém, fazer uma distinção que frequentemente se perde nas manchetes sensacionalistas que circulam sobre Carson. Apesar de usar o nome NASABlueberry nas redes sociais, onde acumula mais de 535 mil seguidores só no Instagram, ela não possui vínculo oficial com nenhuma agência espacial. A própria NASA já emitiu comunicados esclarecendo que a organização “não tem laços oficiais com Alyssa Carson” e que, embora ela use “NASA” em seu site e nas redes sociais, “não temos nenhuma afiliação”. Carson não está no corpo de astronautas da agência americana nem foi selecionada para qualquer missão específica. O que ela construiu até agora é um currículo impressionante e uma preparação individual que a deixa em posição privilegiada caso surja uma oportunidade no processo seletivo de astronautas, que é extremamente competitivo – só em 2024, mais de 8 mil pessoas se candidataram, e apenas oito a doze são escolhidas para o programa de treinamento.

O verdadeiro diferencial de Carson pode estar justamente em sua pesquisa de doutorado, conduzida sob orientação do professor Timothy Kral. No laboratório da University of Arkansas, ela recria condições semelhantes às de Marte, como baixa pressão atmosférica, temperaturas gélidas e exposição à radiação, para estudar quais microrganismos terrestres poderiam sobreviver no ambiente marciano. Esse trabalho tem implicações diretas para futuras missões, tanto na busca por sinais de vida no planeta quanto na elaboração de protocolos de proteção planetária que evitem contaminação biológica. “Ela está totalmente imersa nesse trabalho de astrobiologia que fazemos”, disse Kral em entrevista à University of Arkansas, acrescentando que “os objetivos da Alyssa são grandes. Ela quer fazer o que a maioria das pessoas não consegue. É uma inspiração para todos”.


Carson fala quatro idiomas – inglês, francês, espanhol e mandarim – e já visitou mais de 26 países levando sua mensagem de incentivo às áreas STEM, especialmente para meninas e mulheres que sonham com carreiras científicas. Se um dia ela realmente pisar em Marte, terá sido a jornada mais longa e mais bem documentada da história da exploração espacial.

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