Séries
A morte de Baelor Targaryen em ‘O Cavaleiro dos Sete Reinos’ explica por que Aerys II se tornou o Rei Louco
O episódio 5 da série da HBO entregou uma das mortes mais impactantes de toda a franquia Game of Thrones – e mudou o destino de Westeros para sempre
Se você ainda não processou o que aconteceu no quinto episódio de O Cavaleiro dos Sete Reinos, saiba que você não está sozinho. Exibido no último domingo pela HBO, o episódio “Em nome da mãe” entregou uma das mortes mais brutais e emocionalmente devastadoras de toda a franquia criada por George R.R. Martin: a queda de Baelor Targaryen, o Príncipe Herdeiro do Trono de Ferro, interpretado por Bertie Carvel com uma presença tão nobre que a gente esqueceu, por um momento perigoso, que estávamos assistindo a uma história do mesmo cara que matou Ned Stark.
O episódio girava em torno do Trial of Seven, o julgamento por combate que colocou Ser Duncan the Tall – o Dunk de Peter Claffey – e mais seis cavaleiros contra os aliados do arrogante Príncipe Aerion Targaryen. Dunk vence, Aerion é forçado a recuar e revogar suas acusações diante de todos. Vitória. Alívio. E então, quase como um segundo pensamento cruel, Baelor se aproxima de Dunk ainda com a armadura, reclama que seus dedos “parecem madeira” e pede que removam seu elmo. O que estava escondido embaixo transformou a vitória em luto: a parte de trás de seu crânio estava completamente destruída, provavelmente pelo maço do próprio irmão, Maekar, durante o caos da batalha. Ele morreu nos braços de Dunk.
O que torna a cena ainda mais cruel é o que ela significava narrativamente – e George R.R. Martin, afinal, nunca mata personagens por acidente. Baelor havia sido apresentado como o Targaryen que mudaria tudo: equilibrado, honrado, capaz de governar sem a brutalidade que marcou tantos de sua linhagem. Sua escolha de lutar ao lado de Dunk, indo contra a própria família, foi descrita pelo showrunner Ira Parker à Entertainment Weekly como o momento em que virtude real foi colocada à prova: “Virtude não testada não é virtude alguma”, disse Parker.
Já Bertie Carvel, em entrevista ao mesmo veículo, explicou que a morte de Baelor não é a de um herói predestinado, mas a de alguém que simplesmente escolheu fazer a coisa certa – e essa escolha custou tudo. A ambiguidade sobre se Maekar o matou por acidente ou movido por um desejo inconsciente de ocupar seu lugar no poder foi deliberadamente preservada nas filmagens, segundo o próprio Sam Spruell, que interpreta Maekar.
O impacto dessa morte vai muito além da dor imediata. Com Baelor fora do caminho, a linha de sucessão dos Targaryen entra em colapso lento e inevitável. Seu filho Valarr assume a posição de herdeiro, mas morre poucos meses depois durante uma grande epidemia que também ceifa o rei Daeron II. Maekar sobe ao trono, e depois dele, o jovem Egg – Aegon V -, aquele mesmo menino que Dunk carrega pela Westeros.
O filho de Egg, Jaehaerys II, sobe ao poder guiado por uma profecia e força o casamento entre Rhaella e Aerys II. E Aerys II se torna o Rei Louco. Sim: a morte de Baelor, aqui, num campo de torneio em Ashford Meadow, plantou a semente que um dia geraria a Rebelião de Robert, o colapso da Casa Targaryen e tudo o que aconteceu em Game of Thrones. Não é pouca coisa para um mace acidentalmente mal direcionado.
Fãs da franquia nas redes sociais não pouparam comparações com a morte de Ned Stark no nono episódio da primeira temporada de Game of Thrones – aquela que redefiniu para sempre o que a televisão de fantasia era capaz de fazer com personagens que pareciam intocáveis. Baelor não era um personagem que a gente deveria perder tão cedo, e era exatamente esse o ponto.
O episódio finale da primeira temporada de O Cavaleiro dos Sete Reinos está marcado para domingo, 22 de fevereiro, às 22h, na HBO e no Max – e o que vem depois de tanta dor é uma pergunta que Dunk, e a gente, ainda vai ter que responder.