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Ana Paula Renault é a protagonista que o BBB 26 precisava
Dez anos depois da expulsão que a lançou ao estrelato, a mineira voltou para reescrever a história – e está conseguindo
Existe um tipo raro de participante de reality show que não apenas joga o jogo: ela é o jogo. Dentro da casa do BBB 26, poucos participantes conseguiram influenciar o rumo do programa de forma tão evidente quanto Ana Paula Renault, cuja estratégia mistura confronto direto, leitura estratégica e a capacidade de transformar qualquer conflito em parte de sua própria trajetória. O resultado é uma edição que, sem ela, teria um sabor completamente diferente – talvez até um sabor de água.
A história de Ana Paula com o Big Brother Brasil começou dez anos antes, no BBB 16, quando ela entrou aos 34 anos e logo chamou a atenção por seus conflitos diretos com outros participantes, passando de participante discreta a uma das favoritas do público. O bordão “Olha ela!”, gritado ao retornar de um paredão falso com 74% dos votos, virou parte do vocabulário pop do país.
Depois disso, veio a expulsão – um tapa no rosto de um colega de confinamento durante uma festa – que interrompeu o que parecia ser uma jornada rumo ao prêmio. A ironia é que aquele fim abrupto acabou sendo o começo de algo muito maior: a construção de uma das personalidades mais reconhecíveis da TV brasileira.
De volta, e mais afiada
Após deixar o reality em 2016, Ana Paula seguiu carreira na televisão como comentarista e apresentadora, passou pelo Vídeo Show, foi jurada do Triturando, apresentou o Fofocalizando no SBT e integrou o elenco de A Fazenda 10. Era uma trajetória sólida, mas algo sempre ficou em aberto: ela nunca chegou ao final de um reality. O BBB 26, com seu formato inédito de veteranos, foi a chance perfeita para fechar esse ciclo – e Ana Paula entrou sabendo exatamente o que queria fazer com ela.
Desde os primeiros dias na casa, ela não perdeu tempo tentando agradar a todos. A primeira grande treta veio com Aline Campos, que trouxe para dentro do confinamento um comentário que Ana Paula havia feito sobre seus looks numa premiação dez anos atrás. O episódio revelou muito sobre a dinâmica que se instalaria dali em diante: enquanto outros participantes traziam bagagens externas para tentar desestabilizá-la, ela permanecia centrada no que estava acontecendo dentro das quatro paredes. Essa leitura de jogo virou sua assinatura. Durante o primeiro Sincerão da temporada, quando Aline a indicou como alguém que “não ganha” o reality, Ana Paula devolveu a alfinetada à altura e disparou uma das falas mais repercutidas da noite: “Você está no lugar errado, retiro de meditação é em outro lugar, isso aqui se chama BBB”.
A aliança que ninguém apostava
Se tem um elemento da trajetória de Ana Paula que gerou mais debate do que qualquer treta, é a amizade com Milena, a tia criadora de conteúdo infantil que entrou pela Casa de Vidro. Parte da casa – e parte do público – questionou se a relação seria genuína ou apenas uma jogada calculada. O pay-per-view, no entanto, contou uma história diferente: conversas na piscina sobre dificuldade de se conectar com pessoas, uma cumplicidade que extrapolou o jogo, e até a inversão de papéis em que Milena mandava Ana Paula voltar para lavar a pia direito. Não é exatamente o retrato de quem está sendo manipulada.

O que essa aliança revela, na verdade, é algo mais interessante do ponto de vista de análise de jogo: Ana Paula enxergou em Milena uma aliada de caráter, não de conveniência, e isso a diferencia de boa parte dos participantes que montam grupos por afinidade de grupo social. Seu estilo não depende apenas de alianças, mas da capacidade de gerar acontecimentos e conflitos que movimentam toda a casa, um comportamento que fez com que praticamente todos os participantes acabassem orbitando, direta ou indiretamente, em torno dela.
O efeito Ana Paula e o que vem depois
Há um padrão claro na história do BBB que Ana Paula representa com perfeição: os participantes que dominam a narrativa de uma edição raramente o fazem porque são queridos por todos. Juliette era polarizante. Davi Brito dividia opiniões. O que eles tinham em comum era a capacidade de fazer com que toda a casa reagisse a suas existências, e não o contrário. Esse tipo de protagonismo é raro e costuma marcar edições específicas do programa, e Ana Paula parece seguir uma lógica parecida com a de jogadores que, em diferentes momentos, transformaram suas edições em histórias centradas em suas trajetórias pessoais.

O que torna o caso dela ainda mais curioso é que ela está fazendo isso pela segunda vez, com dez anos de distância, depois de uma expulsão, depois de A Fazenda, depois de anos de TV aberta. Não é uma história de redenção, porque ela nunca precisou se redimir de nada – é uma história de mulher que sabe exactamente quem é e entrou no jogo para provar isso. Se vai sair campeã ou não, o BBB 26 já tem sua protagonista. E o Brasil já sabe o nome dela.
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De abrigo ao BBB 26: quem é Tia Milena, vice-campeã e a melhor pipoca de todos os tempos
Criada em abrigo, trabalhando como doméstica desde os 10 anos, Milena Moreira Laje chegou ao Top 2 do BBB 26 com R$ 450 mil em prêmios, um apartamento e o título de Pipoca do Ano
Milena Moreira Laje, a Tia Milena do BBB 26, terminou o programa como vice-campeã com 17,29% dos votos, R$ 450 mil em prêmios, um apartamento e o título de POTY – Popcorn of the Year, ou Pipoca do Ano – nas redes sociais. Nascida em Itambacuri, no interior de Minas Gerais, ela viveu com a irmã gêmea Mile em um abrigo desde os nove meses até os sete anos de idade. Dos 10 aos 19 anos, trabalhou como empregada doméstica e babá na casa de uma professora. Aos 22, já tinha aberto sua própria empresa de recreação infantil em Teófilo Otoni.
A cadeia que ela quebrou
Dentro da casa, Milena resumiu em uma frase o que representava estar ali:
“Minha bisa foi doméstica, minha avó foi doméstica, minha mãe é doméstica. Tem aquilo do brasileiro que é um ciclo vicioso de mãe doméstica, filhos vão virar domésticos, que eu estou quebrando por estar aqui.”
O público percebeu o peso disso desde cedo – ela venceu a seletiva do Sudeste ainda na Casa de Vidro com 59,3% dos votos, antes mesmo de entrar oficialmente no confinamento.
Ao longo dos 100 dias, Milena acumulou atritos com Sol Vega, Cowboy, Jonas e Jordana. Com Jonas, o conflito atingiu um ponto direto quando o brother questionou publicamente seu diagnóstico de ansiedade. Ela respondeu no Sincerão autorizando sua psicóloga a divulgar seus laudos.

O episódio mais comentado da temporada, porém, foi outro: ao descobrir que alguém havia comido o frango reservado para Ana Paula e bebido o suco que ela havia preparado, Milena fez um novo suco com sal, louro, caldo de frango, bagaço de limão e restos de ovos do lixo. A produção a chamou no confessionário para mandar jogar fora a mistura, e o episódio virou meme.
A Globo também não saiu ilesa: durante o Barrado no Baile, a produção reconheceu publicamente ter cometido um erro com Milena após ela cumprir corretamente um desafio imposto por Jonas e ficar sozinha no quarto além do previsto. O pedido de desculpa veio com humor: “Desculpa, Tia Milena, eu estava tuitando.”
A aliança que virou dupla histórica
A parceria com Ana Paula Renault foi o eixo da trajetória de Milena no jogo. As duas se aproximaram após o primeiro Sincerão da temporada, e a relação foi crescendo: Milena comprava as brigas de Ana Paula abertamente, enquanto a jornalista funcionava como equilíbrio nos momentos mais difíceis.

Na final, Ana Paula venceu com 75,94% dos votos e o prêmio de R$ 5,7 milhões. Tadeu Schmidt encerrou a noite com uma frase sobre Milena: “Tia Milena, quem não gosta de você é porque ainda não te entendeu. Basta te compreender para ser perdidamente apaixonado por você.”
Na noite da final, ao garantir o apartamento, Milena foi direta: “Minha mãe ganhou uma casa. Foi o que eu entrei aqui para fazer. Ela ter um teto, um lar para morar. Ela pode ficar despreocupada agora.”

É difícil saber onde termina o jogo e começa a vida real em casos como esse. Mas o que ficou claro ao longo da temporada é que Milena nunca separou as duas coisas. Ela saiu de uma versão mais contida para alguém mais destemida – e essa transformação foi um dos elementos mais comentados da edição. Ao fim, saiu com R$ 150 mil em prêmio direto, mais R$ 300 mil acumulados em outras dinâmicas, e o apartamento de R$ 270 mil que garantiu ao chegar ao Top 3. O Brasil vai lembrar do suco de frango com sal. E também de tudo que veio antes dele.
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BBB 26: por que a temporada desse ano foi tão icônica?
Da Casa de Vidro à final com R$ 5,44 milhões, a edição reuniu o maior número de desclassificados da história, crescimento de 74% no Globoplay e uma cena de luto ao vivo que parou o país
O BBB 26 termina como a edição mais turbulenta da história do programa. Cem dias dentro da casa renderam três expulsões formais, duas desclassificações, o luto ao vivo de uma finalista e de Tadeu Schmidt – e números que a Globo não via desde a temporada de Juliette.

Antes mesmo da casa
A temporada começou nas Casas de Vidro espalhadas por shoppings do país, com o público virando parte do espetáculo. Milena, que se tornaria uma das finalistas, foi atacada verbalmente por desconhecidos ainda do lado de fora, aperitivo do que viria.
O BBB 26 registrou o maior número de desclassificados de toda a história do programa: três expulsões formais e duas desclassificações, sendo uma por desistência e outra por questões médicas, com uma média de uma saída por semana desde a estreia.
Pedro saiu após cometer importunação sexual contra Jordana; Sol Vega, após avançar fisicamente contra Ana Paula; Paulo Augusto, após empurrar Jonas no Big Fone; e Edilson Capetinha, após agredir Leandro – episódio que gerou crise de pânico no brother, que temia pela segurança de sua família na Bahia.

Dentro da casa, Ana Paula e Babu formaram uma frente. Do outro lado, um grupo tentou usar o histórico político da jornalista para mobilizar cancelamento externo. A estratégia não funcionou. Babu, que chegou como favorito, viu sua popularidade despencar ao instrumentalizar o racismo sofrido por outros participantes para justificar conflitos pessoais.
Ana Paula, autodenominada “Bruxona”, construiu uma das trajetórias mais acompanhadas da edição. Chega à final com R$ 50 mil acumulados na dinâmica ganha-ganha e um apartamento avaliado em R$ 270 mil, benefício garantido a todos os três finalistas.
O luto ao vivo
Oscar Schmidt, irmão de Tadeu Schmidt e ídolo do basquete brasileiro, morreu na sexta-feira (17), aos 68 anos. Dois dias depois, o pai de Ana Paula também faleceu. Tadeu quebrou o protocolo e entrou em contato com a casa: “Eu também tô vivendo um luto. Meu irmão morreu anteontem. Então é só pra te dizer que eu respeito demais qualquer coisa que você fizer.” O apresentador em luto falando com uma finalista em luto, ao vivo = a cena virou uma das mais comentadas da história recente do programa.
A audiência do Globoplay cresceu 74% em relação ao BBB 25, superando todas as edições desde o BBB 20 – ficando atrás apenas da temporada de Juliette. Foram mais de 32 bilhões de visualizações nas redes sociais, 285% acima do BBB 25. Pela primeira vez, a Globo priorizou o streaming, transmitindo partes da prova de liderança exclusivamente no Globoplay.
A votação da final seguiu modelo misto: voto único validado por CPF com peso de 70% e voto da torcida com 30%. Nas enquetes, Ana Paula chegou à noite da final com mais de 65% das intenções de voto, com Milena em segundo e Juliano em terceiro. O prêmio desta edição é de R$ 5,44 milhões.
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BBB 26: quanto Ana Paula Renault ganhará por vencer o programa?
A jornalista mineira levou R$ 5,7 milhões, um apartamento, um SUV zero-quilômetro e cumpriu a missão que o pai deixou antes de morrer
Ana Paula Renault venceu o Big Brother Brasil 26 na noite desta terça-feira (21) com 75,94% dos votos e levou o maior prêmio da história do programa: R$ 5.708.712, já descontados os impostos. Dez anos depois de ter sido expulsa de outra edição, a jornalista mineira voltou e chegou ao topo.
O cheque principal não foi o único prêmio que ela garantiu. Ao longo dos 99 dias de confinamento, Ana Paula acumulou R$ 50 mil na dinâmica do Ganha-Ganha, um apartamento avaliado em R$ 270 mil por ter chegado ao Top 3 e um Geely EX5 EM-i zero-quilômetro – SUV híbrido avaliado em cerca de R$ 200 mil. Ainda dentro da casa, ela havia sido direta sobre o destino do dinheiro: a aposentadoria, missão que o pai, o ex-político Gerardo Renault, havia dado quando ela recebeu o convite do programa.
Os outros finalistas também saíram com prêmios. Tia Milena ficou com R$ 150 mil mais um apartamento, com destino já definido: o imóvel era para a mãe dela, e era esse o plano desde o início. Juliano Floss levou R$ 50 mil, um imóvel e um carro elétrico.
