Música
As referências de cinema e TV escondidas nas músicas de Taylor Swift
De American Pie a Mad Men, cantora transforma filmes e séries em metáforas sobre amor, fama e desilusões
Taylor Swift pode até ser conhecida por suas narrativas pessoais, mas reduzi-la a isso é ignorar uma das partes mais fascinantes do seu trabalho: o jeito como ela mistura cultura pop, literatura, cinema e TV dentro de suas letras. Cada música acaba funcionando como uma rede de significados, em que referências aparentemente distantes se conectam ao que ela viveu — ou ao que quer que a gente sinta.
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Um dos exemplos mais emblemáticos é tolerate it (evermore), faixa 5 inspirada em Rebecca, clássico de Hitchcock baseado no livro de Daphne du Maurier. Assim como a personagem que é “tolerada” dentro de um casamento sufocante, Swift canta sobre o peso de amar alguém que não retribui na mesma intensidade.
Já em Getaway Car (reputation), o paralelo é outro: Bonnie e Clyde viram metáfora para uma fuga amorosa fadada ao fracasso, com direito até a referência a Um Conto de Duas Cidades, de Charles Dickens, no verso inicial.
O flerte com os clássicos vai além. Em This Is Why We Can’t Have Nice Things (reputation), Taylor se declara “tão Gatsby por aquele ano inteiro”, evocando o excesso e a queda de O Grande Gatsby. No mesmo álbum (evermore), em happiness, surge a “bela tola” — expressão usada por Daisy Buchanan. Já em Love Story (Fearless), ela não só cita Shakespeare, como o reescreve: ao contrário da tragédia original, sua Julieta vive um final feliz.
A literatura infantil também ganha espaço. Lewis Carroll aparece em Wonderland (1989) e em Long Story Short (evermore), com quedas no “buraco do coelho” e sorrisos de Cheshire. Frances Hodgson Burnett é lembrada em I Hate It Here (The Tortured Poets Department: The Anthology), onde Swift fala de “jardins secretos na minha mente” como metáfora de refúgio. Até Peter Pan entra na lista: em cardigan, ela fala de “Peter perdendo Wendy”, e em Peter (também do Anthology), assume o papel da jovem cansada de esperar por um amor imaturo.
Outras vezes, o cinema clássico e a TV adulta são sua base. Em Ready For It…?, ela solta “Burton para esta Taylor”, referência ao casamento turbulento de Elizabeth Taylor e Richard Burton. E em Who’s Afraid of Little Old Me?, o título vem direto da peça/filme Quem Tem Medo de Virginia Woolf?. Já Lavender Haze (Midnights) nasceu de uma expressão dos anos 50 que ela pescou em um episódio de Mad Men, onde “lavender haze” descrevia o estado de estar apaixonado.
E, claro, Taylor também brinca com a cultura pop mais recente. So High School evoca a nostalgia das comédias adolescentes como American Pie, traduzindo a sensação de viver um romance novo como se fosse um crush do colégio.
No fim, as referências são tantas que transformam a discografia da cantora em um mosaico cultural. Taylor não apenas canta sobre si mesma, mas também sobre como o cinema, a literatura e a TV ajudam a explicar a experiência humana — das paixões arrebatadoras às decepções mais amargas. Talvez esse seja o verdadeiro segredo do seu sucesso: a habilidade de transformar a própria vida em história, e a cultura pop em linguagem universal.