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Autora de ‘Heated Rivalry’ conseguiu tratamento contra o Parkinson após sucesso da série
Rachel Reid estava numa lista de espera de cinco anos para ver um especialista em Parkinson até a série explodir e mudar sua vida
Quando Rachel Reid disse “sim” para adaptar seu romance de hóquei Heated Rivalry para a televisão, ela estava silenciosamente lidando com outra coisa: um diagnóstico de Parkinson. A escritora canadense de 45 anos, que mora em uma pequena cidade sem neurologista por perto, havia recebido a notícia em agosto de 2023 e, desde então, era apenas mais um nome numa lista de espera de cinco anos para conseguir atendimento especializado. A proposta de adaptação chegou pelo Instagram poucos dias após o diagnóstico, numa coincidência que ela descreve como “exatamente o que eu precisava naquele momento”. A série estreou em novembro de 2025 na HBO Max, tornando-se rapidamente um fenômeno cultural com sua história de amor proibida entre dois rivais do hóquei profissional. Mas o verdadeiro plot twist dessa história não aconteceu nas telas.
Durante uma entrevista na CNN para promover a série, o showrunner Jacob Tierney foi questionado sobre o diagnóstico de Parkinson de Rachel. Ela achou estranho, mas não pensou muito sobre o assunto. No dia seguinte, tudo mudou. Um dos maiores especialistas em Parkinson do mundo enviou um e-mail diretamente para ela. Ele havia assistido à entrevista e queria ajudar. “Eu nunca tinha conseguido falar com um especialista em Parkinson”, contou Rachel à Variety. “Agora ele me encontrou um especialista, um neurologista, e eu tenho uma consulta marcada. Isso pode mudar as coisas pra mim, porque eu não estava recebendo o tratamento que deveria estar recebendo.” O médico também ajustou a medicação dela imediatamente. “Essa mudança me fez dormir a noite toda”, disse a autora. “Realmente ajuda na escrita.”
Uma vitória agridoce
Mas a realidade de viver com Parkinson continua sendo um desafio diário para Rachel Reid. “Está difícil escrever porque mal consigo controlar o mouse”, ela revelou. “Não consigo digitar por muito tempo. É difícil ficar sentada numa cadeira por muito tempo. Preciso descobrir novas formas de escrever. Não sei se vai ser ditado por voz. Não sei se consigo escrever assim. Não parece natural, mas preciso descobrir alguma coisa porque está demorando muito tempo pra eu escrever agora.”
A doença de Parkinson é uma condição neurológica progressiva que afeta o movimento, causando tremores, rigidez muscular e dificuldades motoras. Segundo a Fundação Parkinson, mais de 10 milhões de pessoas vivem com a condição no mundo. Nos Estados Unidos, o tempo médio de espera para consultar um neurologista por sintomas relacionados ao Parkinson varia de 90 dias a mais de 8 meses, segundo o Instituto Nacional de Saúde.
A história de Rachel Reid é, ao mesmo tempo, inspiradora e perturbadora. Heated Rivalry não nos deu apenas representação queer terna e bem construída – deu à sua autora uma segunda chance de receber cuidados médicos adequados. Uma série viral se tornou uma tábua de salvação. E isso expõe uma verdade brutal sobre o sistema de saúde: ninguém deveria precisar viralizar para ter acesso a tratamento básico. A visibilidade que veio com o sucesso da adaptação televisiva abriu portas que deveriam estar abertas desde o início para qualquer pessoa com um diagnóstico sério.
Rachel ainda está aqui, ainda escrevendo, ainda lutando. A segunda temporada de Heated Rivalry já foi confirmada, e ela está trabalhando em Unrivaled, o terceiro livro sobre Shane e Ilya, com lançamento previsto para setembro de 2026. Às vezes, uma história de amor não apenas nos faz sentir vistos – ela alcança de volta e cuida de quem a criou.