Filmes
‘Avatar: Fogo e Cinzas’ impressiona nos visuais, mas tropeça na história
Terceiro filme da saga de James Cameron chega aos cinemas com espetáculo técnico impecável, mas com narrativa repetitiva
Avatar: Fogo e Cinzas chega aos cinemas nesta quinta-feira (19) carregando o peso de expectativas gigantescas e uma pergunta que persegue a franquia desde 2009: consegue James Cameron entregar algo além do espetáculo visual?
Com três horas e dezessete minutos de duração, o terceiro capítulo da saga continua a história de Jake Sully e Neytiri semanas após os eventos traumáticos de O Caminho da Água, introduzindo uma nova ameaça na forma do Povo das Cinzas, um clã Na’vi liderado pela implacável Varang, interpretada por Oona Chaplin.
Fogo e Cinzas é, antes de tudo, uma experiência sensorial impressionante. Os efeitos visuais continuam estabelecendo padrões para a indústria, com Pandora ganhando novos biomas e culturas que expandem o universo de formas visualmente deslumbrantes. Cameron passou o período de divulgação enfatizando que nenhuma inteligência artificial generativa foi utilizada na produção, reforçando o caráter artesanal do trabalho de milhares de profissionais de efeitos visuais. Porém, essa excelência técnica parece ter um custo narrativo significativo. A trama não arrisca o suficiente e, em muitos momentos, funciona como uma repetição dos filmes anteriores, seguindo a mesma estrutura de Jake e família sendo forçados a se adaptar a um novo clã enquanto enfrentam ameaças conhecidas.
O grande trunfo do filme é, sem dúvida, a vilã Varang. Oona Chaplin, neta do lendário Charlie Chaplin, entrega uma performance magnética como a líder do clã Mangkwan, um povo que foi abandonado pela deusa Eywa após um desastre natural devastador. A atriz nunca enxergou Varang como uma vilã unidimensional, mas como uma líder revolucionária que salvou seu povo da miséria e reinventou toda uma sociedade. A dinâmica entre ela e o vilão recorrente Quaritch, interpretado por Stephen Lang, adiciona uma camada de tensão sexual e moral que destoa do tom familiar da franquia. Contudo, a representação do Povo das Cinzas não escapou de controvérsias: algumas críticas apontam que a tribo evoca estereótipos problemáticos de povos indígenas em westerns clássicos, com os Na’vi sendo descritos abertamente como “selvagens” em certos momentos do filme.
O veredito final é que Avatar: Fogo e Cinzas entrega exatamente o que os fãs esperam de James Cameron em termos de grandiosidade técnica e sequências de ação elaboradas, mas falha em oferecer algo que justifique sua existência além do espetáculo. O filme é melhor que o segundo, mais ousado e mais enxuto, com sua cota de deslumbramentos, mas a série já não parece narrativamente sem precedentes.
Para quem busca três horas de imersão visual em IMAX 3D, a experiência vale o ingresso. Para quem espera desenvolvimento de personagens e uma história que evolua além da fórmula estabelecida, a frustração pode ser inevitável. Cameron já declarou que está disposto a encerrar a franquia se este filme não performar bem nas bilheterias – e talvez seja hora de considerar se Pandora ainda tem histórias verdadeiramente novas para contar.
Nota: 5/10