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Séries

Cena deletada de “Bridgerton” alimenta debate sobre quem será a protagonista da 5ª temporada

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Bridgerton terminou a quarta temporada com o casamento de Benedict e Sophie, mas quem estava realmente assistindo com uma lupa não estava olhando para os noivos – estava olhando para o que ficou de fora da montagem final.

Uma foto de bastidores compartilhada por Yerin Ha, a intérprete de Sophie, acabou se tornando o centro de uma nova teoria: a imagem mostra Claudia Jessie, a Eloise, sentada num balanço do jardim Bridgerton, usando o vestido que ela veste no baile final da temporada. O problema é que essa cena não existe no episódio.


Para quem acompanha a série desde o começo, o balanço no jardim dos Bridgerton não é um cenário qualquer, é o lugar onde Eloise e Benedict processam o mundo. Foi lá que os dois irmãos mais rebeldes da família firmaram um pacto silencioso contra o mercado matrimonial da época, trocando confidências e ceticismo em doses iguais.

Na quarta temporada, eles revisitam o balanço no segundo episódio, quando Eloise zoeiramente cobra o irmão por ter abandonado o clube dos felizmente solteiros. Na foto de bastidores que viralizou, porém, Eloise está sozinha – Benedict já foi, comprometido com Sophie. O detalhe que não passou despercebido: Hannah Dodd, a Francesca, aparece ao lado de Claudia Jessie entre as tomadas, dando ainda mais combustível para quem acredita que as duas irmãs dividiram uma cena de despedida que acabou cortada na edição.

Na première mundial da quarta temporada em Paris, a showrunner Jess Brownell apareceu com um lenço bordado com as letras E e F no bolso do paletó e confirmou ao Deadline que as duas personagens terão suas temporadas nas próximas edições, sem revelar a ordem. É o tipo de pista que satisfaz ninguém e mantém todo mundo acordado especulando.


Brownell também confirmou ao TVLine que Michaela, vivida por Masali Baduza, terá presença na quinta temporada, e que Benedict e Sophie vão retornar de uma forma diferente do que acontece nos livros. O mistério da nova Lady Whistledown também foi confirmado como parte da próxima temporada, e, segundo a showrunner, sua identidade não será revelada no quinto ano. Isso significa que quem quer que Eloise seja nas próximas temporadas, ela ainda pode ter um segredo guardado debaixo das saias.

O caso Francesca e o caso Eloise

A autora dos livros, Julia Quinn, confirmou em entrevista ao Mashable que a quinta temporada vai se basear fortemente em When He Was Wicked, o sexto romance da série, que acompanha a jornada de Francesca após a morte do marido e seu eventual romance com Michaela Stirling. Isso favorece claramente o time Francesca para a temporada 5.

Mas o time Eloise também tem argumentos sólidos: a personagem ficou em segundo plano durante boa parte da quarta temporada, e o arco dela está claramente em construção. Nos livros, sua história em To Sir Phillip, With Love começa com uma troca de cartas com um viúvo que conheceu brevemente, e a série ainda não plantou nenhuma dessas sementes de forma explícita.


A cena pós-créditos da quarta temporada mostrou exatamente o que os fãs esperavam: Eloise dizendo que adora um casamento, mas apenas como convidada, enquanto Francesca afirma que já teve seu grande amor e não está buscando outro.

O que torna a teoria do balanço especialmente interessante não é apenas o que a imagem mostra, mas o que ela sugere sobre o processo criativo da produção. Fãs no Reddit apontaram que a cena pode ter sido cortada exatamente porque entregava informação demais – e que uma foto de bastidores vazando para as redes funciona, paradoxalmente, como um teaser não oficial.

Shonda Rhimes já estava desenvolvendo a próxima temporada antes mesmo da quarta terminar de ir ao ar, o que é um indicativo de que o plano para Bridgerton 5 está bem mais definido do que a showrunner deixa transparecer nas entrevistas. Eloise num balanço, sozinha, com uma carta na mão, seria a abertura perfeita para uma história de amor que começa no papel. Mas Bridgerton raramente faz o que parece mais óbvio – e é exatamente isso que mantém o fandom em estado permanente de investigação.

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“A Leste do Éden”: Joseph Zada ​​estava “morrendo de medo” antes das filmagens com Florence Pugh

Antes de virar o jovem Haymitch em Jogos Vorazes, Joseph Zada passou três semanas ensaiando com Joe Anders a cena mais difícil de A Leste do Éden, a primeira que gravaram e justamente ao lado de Pugh

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Para Joseph Zada e Joe Anders, a química de irmãos em A Leste do Éden nasceu de um medo bem compartilhado. Os dois atores, que vivem os gêmeos Cal e Aron Trask na minissérie da Netflix, contaram à Elite Daily que passaram três semanas ensaiando juntos, completamente apavorados, antes de gravar a primeira cena da produção. O detalhe que piora tudo: era uma cena com Florence Pugh, que interpreta a mãe deles, Cathy Ames, e também a sequência mais importante de ambos na série. Anders resumiu a experiência dizendo que os dois estavam no mesmo barco, morrendo de medo de estragar tudo, e que foi atravessando essa tempestade juntos que a relação de gêmeos surgiu.

O nervosismo tem explicação. Zada, australiano de 21 anos, e Anders nunca tinham trabalhado em algo dessa escala, e de repente estavam dividindo o set com uma atriz indicada ao Oscar por Adoráveis Mulheres, que ainda assina a série como produtora executiva. A própria criadora, Zoe Kazan, contou que Pugh foi a única atriz citada na apresentação do projeto, depois de ficar impressionada com o trabalho dela em Midsommar. Começar a carreira em série de prestígio contracenando com a pessoa que a showrunner considerava insubstituível é o tipo de primeiro dia que ninguém deseja.


A pressão também vinha do papel. Cal Trask é o personagem que transformou James Dean em astro em Vidas Amargas, o filme de 1955 dirigido por Elia Kazan, avô de Zoe. Setenta anos depois, a neta revisita o romance de John Steinbeck em sete episódios e com Cathy no centro da história, deixando para Zada um personagem com uma das sombras mais pesadas do cinema americano. Anders, por sua vez, carrega outro tipo de expectativa: ele é filho de Kate Winslet e do diretor Sam Mendes, e A Leste do Éden é a vitrine mais visível da carreira dele até agora.

Fora do set, as filmagens na Nova Zelândia, país que nenhum dos dois conhecia, ajudaram a consolidar a amizade. Eles moraram em apartamentos vizinhos, descobriram que torcem para o Arsenal, passaram horas falando de futebol e chegaram a viajar juntos nas folgas. Zada também revelou que leu o roteiro de um filme escrito por Anders e chorou do começo ao fim, rasgando elogios ao colega como roteirista. A essa altura, a parceria já tinha deixado de ser exercício de atuação.

Para Zada, A Leste do Éden foi só a primeira parada de um ano decisivo. Depois de ficar conhecido do público jovem por Mentirosos, do Prime Video, ele foi escalado para viver o jovem Haymitch Abernathy em Jogos Vorazes: Amanhecer na Colheita, adaptação do livro de Suzanne Collins que mostra o mentor de Katniss na época em que ele próprio foi enviado à arena. As gravações com Florence Pugh aconteceram no início de 2025, antes de ele chegar ao Distrito 12.

A Leste do Éden está disponível na Netflix desde 1º de outubro, com os sete episódios liberados de uma vez. Jogos Vorazes: Amanhecer na Colheita chega aos cinemas em novembro.

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Carrie – A Estranha: Mike Flanagan atualiza o clássico de Stephen King, mas esquece o medo

Nova série do Prime Video acerta ao levar o bullying para as redes sociais, mas raramente assusta e fica abaixo do que o diretor já entregou

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Carrie, a Estranha chegou ao Prime Video na última quarta-feira (7) com os oito episódios de uma vez e tudo para ser o encontro perfeito entre material e diretor. O primeiro romance de Stephen King, publicado em 1974, tem fanatismo religioso, crueldade adolescente e uma mãe que ama a filha de um jeito que dá medo, ou seja, o cardápio completo de Mike Flanagan. A série tem boas ideias e uma protagonista que segura o peso, mas termina como o trabalho menos assustador do diretor na TV, o que é um problema sério quando o assunto é uma das histórias de terror mais famosas de todos os tempos.

O acerto mais evidente é a atualização. Flanagan avisou desde a San Diego Comic-Con que não iria refazer o filme de Brian De Palma, de 1976, e cumpriu a promessa. O bullying que persegue Carrie agora passa pelas redes sociais, a trama ganha a morte repentina do pai como ponto de partida e a escola parece de fato uma escola de 2026, efeito de uma decisão inteligente do diretor, que levou adolescentes para a sala de roteiristas. Summer H. Howell faz uma Carrie retraída sem cair na caricatura da garota estranha, e Samantha Sloyan, figura carimbada do chamado Flanniverso, transforma Margaret White numa presença que incomoda mais pela calma do que pelos gritos.


O que falta é a sensação de que algo terrível está se aproximando. Oito episódios dão a Flanagan um espaço que De Palma nunca teve, e ele sabe usar esse tempo melhor do que quase ninguém. Em A Maldição da Residência Hill, os irmãos Crain brigam de forma tão convincente que os fantasmas viram quase um bônus. Em Missa da Meia-Noite, cada milagre do padre vivido por Hamish Linklater deixa a ilha um pouco mais perto do abismo. Em Carrie, a duração serve mais para esticar o drama escolar do que para apertar o cerco, e a tensão que deveria crescer até o baile fica estacionada por boa parte da temporada.

A explicação pode estar numa referência que o próprio diretor admitiu ao ScreenRant: a Eleven de Stranger Things, personagem inspirada em Carrie White, esteve na cabeça dele durante toda a produção. Dá para sentir. A série muitas vezes se comporta como um drama teen da Netflix com poderes telecinéticos, tem conversa demais sobre poder e de menos sobre o pavor que ele provoca. Para quem conheceu a história por esse caminho, pode até funcionar como porta de entrada. Para quem sabe do que Flanagan é capaz, é frustrante vê-lo controlar tão bem o clima e entregar tão pouco susto.


Isso não apaga o currículo. A Queda da Casa de Usher continua sendo uma aula de como fazer cada morte dizer algo sobre quem morre, e mesmo as obras mais irregulares do diretor, como A Maldição da Mansão Bly e O Clube da Meia-Noite, faziam o público se apegar antes de perder alguém. Carrie é a estreia de Flanagan no acordo com a Amazon MGM Studios e ainda tem fôlego para provar seu valor. Nesta primeira temporada, ela ficou devendo justamente aquilo que o nome dele promete na capa.

Os oito episódios de Carrie, a Estranha já estão disponíveis no Prime Video.

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Rivalidade Ardente: por que o fandom vive de fanfic

Ensaio sobre 14 milhões de palavras lidas em um ano escancara como os fãs de Shane e Ilya estão sobrevivendo à longa espera pela segunda temporada

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No fim de setembro, a revista The Cut publicou um ensaio em que a jornalista Jen Ortiz faz uma contabilidade curiosa: cerca de 14 milhões de palavras de fanfics de Heated Rivalry lidas só em 2026, o que, considerando um romance médio de 70 mil palavras, daria algo como 200 livros. O texto rodou as redes e provocou uma reação engraçada. Em vez de espanto, muita gente do fandom respondeu com algo próximo de “só isso?”. Confesso que achei o número mais revelador sobre o momento da série do que sobre a autora. Ele é o retrato de uma comunidade que ficou sem episódio novo para assistir e decidiu escrever a própria temporada enquanto espera.

Para quem chegou agora, Heated Rivalry, que no Brasil ganhou o título de Rivalidade Ardente, é a adaptação da saga literária Game Changers, de Rachel Reid. Criada por Jacob Tierney, a série acompanha Shane Hollander e Ilya Rozanov, dois astros do hóquei cuja rivalidade no gelo esconde um relacionamento secreto que atravessa oito anos, vividos por Hudson Williams e Connor Storrie. A produção canadense estreou no fim de 2025 e virou fenômeno antes mesmo de chegar oficialmente por aqui. Quando finalmente desembarcou, o país estava pronto: o livro, lançado pelo selo Alt, da Globo Livros, bateu recorde de vendas nas primeiras 24 horas de pré-venda, e os seis episódios foram liberados semanalmente na HBO Max até 20 de março.


E aí começou a seca. Segundo Jacob Tierney, as gravações da segunda temporada começariam em agosto, com estreia prevista para abril de 2027 no canal canadense Crave. A nova leva vai adaptar The Long Game, sexto livro da série, mas até lá o fandom tem mais de um ano pela frente com apenas seis episódios de material audiovisual. É nesse vácuo que o Archive of Our Own, o famoso AO3, entra como suporte de vida. A professora Myriam Brouard, da Universidade de Ottawa, que pesquisa o fenômeno, contabilizou que o número de histórias sobre a série no site saltou de 360 para quase 8 mil, enquanto o tempo de streaming nos Estados Unidos passou de 30 milhões para 324 milhões de minutos em um único mês. Pela matemática, quem leu 14 milhões de palavras tinha estoque de sobra.

O que mais chama atenção nessa produção toda é a criatividade de formato. Uma reportagem da Bustle sobre o tema mostrou que a série tirou da aposentadoria escritores de fanfic que estavam parados havia anos, ao mesmo tempo em que apresentou o gênero a uma leva de leitores de primeira viagem. E a turma não está só escrevendo capítulos tradicionais. Há fics montadas como conversas de mensagem para rolar na tela, posts de Instagram interativos e até anexos que o leitor precisa abrir para seguir a história. Faz sentido para uma trama em que boa parte do romance acontece por celular, escondida do resto do mundo. Os fãs pegaram o recurso narrativo mais marcante da série e transformaram em linguagem própria.


Esse crescimento relâmpago também tem um lado menos fofo. Brouard descreve o que chama de efeito Ouroboros, ou fandom acelerado: quando uma comunidade incha rápido demais, não sobra tempo para ela construir suas regras e valores, e o grupo entra num ciclo que lembra a cobra que morde o próprio rabo. O sintoma mais visível apareceu longe do AO3. Hudson Williams e François Arnaud publicaram no Instagram um recado pedindo que pessoas que espalham comentários racistas, homofóbicos e parassociais parassem de se chamar de fãs, mensagem que Jacob Tierney e Rachel Reid também repostaram. A distinção importa. Ler fanfic até de madrugada é coisa entre o leitor e a própria lista de leitura. Despejar ataque na caixa de comentários de um ator é outra categoria de comportamento, e o próprio elenco fez questão de traçar essa linha.

Quando a segunda temporada finalmente estrear, uma parte enorme do público vai chegar já tendo lido centenas de versões alternativas de Shane e Ilya, com finais, brigas e reconciliações que a série nunca mostrou. The Long Game vai competir com todas elas.

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