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Diretor espanhol disse que brasileiros votariam “até num sapato” no Oscar

Oliver Laxe, de “Sirat”, fez comentário polêmico sobre votantes do Brasil na Academia do Oscar

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A corrida pelo Oscar 2026 mal começou oficialmente e já temos a primeira treta internacional envolvendo o cinema brasileiro. O diretor espanhol Oliver Laxe, cujo filme Sirat concorre nas categorias de melhor som e melhor filme internacional, resolveu cutucar a onça com vara curta durante uma participação no talk show “La Revuelta”, apresentado por David Broncano.

Ao ser perguntado sobre seus concorrentes na disputa pela estatueta, o cineasta afirmou que os brasileiros votantes da Academia são “ultranacionalistas” e que se o Brasil submetesse um sapato ao Oscar, todos votariam nele. A declaração caiu como uma bomba nas redes sociais.

O comentário de Laxe, feito apenas meia hora depois de descobrir que seu filme havia sido indicado em duas categorias, gerou reações imediatas entre cinéfilos brasileiros e a imprensa especializada internacional. Alguns veículos estrangeiros já preveem uma “tsunami de insultos em português” direcionada ao diretor galego, especialmente porque Sirat compete diretamente com O Agente Secreto na categoria de filme internacional. Vale pontuar que, apesar do tom ácido, Laxe fez questão de elogiar o filme brasileiro e chamou Kleber Mendonça Filho, seu diretor, de “genial”. Ainda assim, a escolha de palavras não pegou nada bem para quem está tentando conquistar votos em Hollywood.

Os números, porém, contam uma história bem diferente da narrativa apresentada pelo cineasta. Segundo reportagens do UOL e CNN Brasil, o número de brasileiros aptos a votar na Academia gira entre 50 e 60 pessoas, o que representa menos de 1% dos mais de 10 mil votantes totais. Ou seja, a ideia de que existe uma bancada ultranacionalista capaz de decidir categorias simplesmente não se sustenta matematicamente. Entre os votantes brasileiros estão nomes como Fernanda Montenegro, Walter Salles, Carlinhos Brown, Sonia Braga, Selton Mello e Fernanda Torres, além dos próprios Kleber Mendonça Filho e Wagner Moura, que concorrem este ano com O Agente Secreto.

O filme brasileiro, aliás, está vivendo um momento histórico. O Agente Secreto igualou o recorde de “Cidade de Deus” ao receber quatro indicações, concorrendo nas categorias de melhor filme, melhor filme internacional, melhor ator (Wagner Moura) e melhor elenco. A produção pernambucana dirigida por Kleber Mendonça Filho já acumula mais de 30 prêmios na temporada, incluindo duas estatuetas no Globo de Ouro.

Em Cannes, o longa venceu os prêmios de Interpretação Masculina para Wagner Moura e Melhor Diretor para Kleber Mendonça Filho. Se levar o Oscar de filme internacional, será a segunda vitória consecutiva do Brasil na categoria, após “Ainda Estou Aqui” ter conquistado a estatueta no ano passado com Walter Salles. A cerimônia do Oscar 2026 acontece no dia 15 de março, em Los Angeles, e a disputa promete ser uma das mais acirradas dos últimos anos.

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