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‘Euphoria’ só tem funcionado quando Rue está em cena

O quarto capítulo da terceira temporada de ‘Euphoria’ troca o impulso do casamento sangrento por uma cadência irregular – e só Zendaya mantém a série de pé

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Depois do casamento caótico e sangrento do terceiro episódio, Euphoria voltou neste domingo (4) com Kitty Likes to Dance – e o quarto episódio da terceira temporada faz exatamente o que o título sugere: dança no lugar.

O único salva-vidas chama-se Zendaya

Rue agora é informante da DEA. A menina que passou duas temporadas fugindo de qualquer responsabilidade está carregando pílulas substituídas por açúcar e laxante no bolso, com um app de monitoramento no celular. A situação é absurda no sentido certo – e Zendaya entrega cada camada disso com uma precisão que já justificaria guardar o Emmy.


A cena no Silver Slipper, em que Rue tenta agir com naturalidade enquanto o Alamo faz perguntas e a Magick levanta suspeitas, é genuinamente tensa. Rosalía tem um papel mais substancial desta vez, e funciona. O problema vem depois: o clube é explodido por um assalto a mão armada que resolve o problema narrativo da Rue de forma conveniente demais. Quando o episódio desvia os olhos dela, o ritmo desaba.

Cassie e o sonho americano

O arco da Cassie é, ao mesmo tempo, o mais funcional e o mais frustrante do episódio. Ela e a Maddy aparecem na festa do influencer Brandon Fontaine para conseguir visibilidade pro OnlyFans – uma versão mais cínica das festas de ensino médio das primeiras temporadas, mesma energia, outras apostas.


O problema não está na cena, está no que ela revela: a Cassie que chorava em banheiros por amor agora decide, com frieza calculada, qual câmera vai olhar enquanto aparece num vídeo com um desconhecido. A série ainda não deixou claro se está julgando essa trajetória ou apenas documentando.

Nate e Jules não chegam a lugar nenhum

Nate é o buraco negro narrativo da temporada. Jacob Elordi faz o que pode numa cena em que o personagem implora por aprovação num conselho de planejamento urbano – a cena pousa como comédia involuntária, e não a boa.


Quatro episódios já rodaram sem um único momento de virada real para o personagem. Jules aparece brevemente para sabotar um trabalho, destruir uma pintura com tinta vermelha e custar mais de 200 mil dólares em atrasos de produção para a Lexi. Há uma leitura meta sobre o histórico caótico de Sam Levinson na HBO, mas é um detalhe que não substitui desenvolvimento de personagem.

O que fica, o que falta

A introdução de Kitty como substituta direta da Angel no clube é perturbadora num registro que a série sabe trabalhar quando não exagera. A cena em que Rue assiste tudo pelo monitor é um dos poucos minutos em que Euphoria lembra por que chegou até aqui.

Mas o problema estrutural da temporada fica cada vez mais exposto: personagens demais se movendo em velocidades incompatíveis, sem nenhum fio que amarre. Rue carrega o peso sozinha, Cassie tem um arco que cresce, e o restante do elenco parece aguardar o roteiro decidir o que fazer com ele.

Com quatro episódios pela frente, a questão não é mais se as histórias vão se conectar – é se o tempo que sobrou vai dar para isso importar.

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