Séries
‘It: Bem-Vindos a Derry’ nos entrega a maior reviravolta do ano
A série derivada da franquia de Stephen King entrega terror, emoção e uma das maiores reviravoltas do ano na HBO Max
Quando a HBO Max anunciou uma série derivada dos filmes de IT, muita gente ficou com o pé atrás. Afinal, os longas de Andy Muschietti já tinham entregado uma adaptação competente do livro de Stephen King, e o receio de que Bem-vindos a Derry fosse apenas uma tentativa de esticar um universo que funcionava bem fechadinho era real. Pois bem, depois de oito episódios intensos, podemos cravar: essa série não só justifica sua existência como eleva o patamar do que esperamos de terror na televisão.
Com 80% de aprovação no Rotten Tomatoes e consenso de que a produção “aprofunda o mito de Pennywise através de comentário social afiado, atmosfera aterrorizante e performances comprometidas”, a primeira temporada provou que ainda havia muito a explorar nas entranhas dessa cidade amaldiçoada do Maine.
Terror que vai além do palhaço
O grande acerto de Bem-vindos a Derry foi entender que o medo de Pennywise funciona melhor quando construído com calma. A série se passa em 1962, exatos 27 anos antes dos eventos do primeiro filme, e dedica seus episódios iniciais a apresentar novos personagens sem depender do palhaço dançante como muleta narrativa. Bill Skarsgård só aparece de fato no quinto episódio, e quando surge, o impacto é devastador. A performance do ator, que já era impecável nos filmes, atinge outro patamar aqui – especialmente no sétimo episódio, durante o massacre do Black Spot, uma sequência de horror que vai assombrar nossos pesadelos por um bom tempo.
A série também acerta ao entrelaçar três núcleos narrativos distintos: as crianças que enfrentam a criatura, os militares que tentam capturá-la para usar como arma na Guerra Fria, e os nativos americanos que guardam segredos ancestrais sobre o mal de Derry. Andy Muschietti revelou que a história é contada de trás para frente por uma razão específica, com três temporadas planejadas: 1962, 1935 e 1908 respectivamente.
A revelação que destruiu os fãs
Se a temporada inteira já vinha entregando momentos de tensão e emoção na medida certa, o episódio final simplesmente ultrapassou qualquer expectativa. A confirmação de que Marge Truman é a futura mãe de Richie Tozier – aquele personagem hilário interpretado por Finn Wolfhard nos filmes – transforma completamente nossa percepção sobre tudo que assistimos. Pennywise confronta Marge e a chama de “Margaret Tozier”, revelando que ela terá um filho cujos amigos serão responsáveis pela morte da criatura no futuro.
O detalhe devastador é que Rich Santos, o garoto que se sacrificou para salvar Marge no incêndio do Black Spot, é a inspiração para o nome do filho dela – Richie, uma homenagem ao primeiro amor que deu a vida por ela. A série ainda entrega uma cena pós-créditos com Sophia Lillis reprisando seu papel como a jovem Beverly Marsh em 1988, conectando diretamente os eventos da série aos filmes.
A revelação de que Pennywise não percebe o tempo de forma linear – para ele, passado, presente e futuro coexistem – abre possibilidades narrativas fascinantes para as próximas temporadas. Bem-vindos a Derry é, sem dúvida, uma das melhores estreias de série em 2025 e prova que o universo de Stephen King ainda tem muito horror (e coração) para oferecer.