Comportamento

Mattel lança sua primeira Barbie autista com design aprovado por ativistas

A nova boneca da linha Fashionistas foi desenvolvida em parceria com a comunidade autista e traz detalhes pensados para representar experiências reais de pessoas neurodivergentes

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A Mattel acaba de apresentar ao mundo sua primeira Barbie autista, e dessa vez o processo foi bem diferente do que a gente costuma ver em iniciativas de representatividade corporativa. A boneca foi desenvolvida ao longo de mais de 18 meses em parceria com a Autistic Self Advocacy Network, uma organização sem fins lucrativos liderada por pessoas autistas que atua pelos direitos e pela melhor representação midiática da comunidade.

O objetivo era criar uma Barbie que refletisse algumas das formas como pessoas autistas experienciam e processam o mundo ao redor, e o resultado traz detalhes que vão muito além do simbólico. A boneca chega às prateleiras nesta segunda-feira (13), pelo preço sugerido de US$ 11,87.


O grande diferencial desse lançamento está nos detalhes que só quem entende de neurodiversidade conseguiria propor. Os olhos da nova Barbie são levemente desviados para o lado, representando como algumas pessoas autistas às vezes evitam contato visual direto. A boneca também recebeu cotovelos e pulsos articulados para reconhecer gestos que pessoas autistas usam para processar informações sensoriais ou expressar emoções. Cada boneca vem acompanhada de um spinner rosa de encaixar no dedo que realmente gira, fones de ouvido com cancelamento de ruído e um tablet rosa que representa os dispositivos de comunicação alternativa usados por autistas não-verbais ou com dificuldades na fala. São elementos que quem vive a realidade do autismo reconhece instantaneamente.

Até as roupas da boneca passaram por um processo de decisão cuidadoso junto à comunidade. A equipe de desenvolvimento debateu se deveria vestir a boneca com roupas justas ou largas, já que algumas pessoas autistas usam roupas soltas por serem sensíveis ao toque das costuras, enquanto outras preferem peças ajustadas que dão uma sensação de onde seus corpos estão no espaço. No final, optaram por um vestido de linha A com mangas curtas e saia esvoaçante que oferece menos contato do tecido com a pele, além de sapatos baixos para promover estabilidade e facilidade de movimento.

Noor Pervez, gerente de engajamento comunitário da Autistic Self Advocacy Network que trabalhou diretamente no protótipo, explicou que representar o autismo visualmente é um desafio porque, como muitas deficiências, ele não tem uma única aparência, mas é possível mostrar algumas das formas como ele se expressa.


A nova Barbie autista também marca um passo importante em termos de representatividade étnica dentro da própria comunidade neurodivergente. A adição da boneca à linha Barbie Fashionistas se tornou uma oportunidade para a Mattel criar uma boneca com características faciais inspiradas em funcionárias da empresa na Índia, representando um segmento da comunidade autista que costuma ser sub-representado. A boneca se junta a uma coleção que já inclui Barbies com síndrome de Down lançada em 2023, uma Barbie representando pessoas com diabetes tipo 1 apresentada em 2025, além de Barbies cegas, com vitiligo, com próteses de perna e com aparelhos auditivos. Jamie Cygielman, diretora global de bonecas da Mattel, afirmou que a marca sempre se esforçou para refletir o mundo que as crianças veem e as possibilidades que imaginam, e que essa nova boneca ajuda a expandir o que inclusão significa nas prateleiras de brinquedos e além delas, porque toda criança merece se ver na Barbie.

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