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Os piores filmes de 2026 (até agora)

2026 tá sendo um ano e tanto no cinema – mas não sempre pelo motivo certo. Aqui estão os filmes que a gente esperava mais (e levou menos)

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Seis meses de cinema e já dá para montar uma lista de filmes que não deveriam ter chegado assim. Não é questão de bilheteria – alguns até foram bem nas salas. O problema é outro: são projetos que chegaram com expectativa real, com gente talentosa envolvida, e que entregaram menos do que qualquer versão alternativa deles mesmos poderia ter entregado. Eis os oito que mais doeram.


Pânico 7 é, talvez, o caso mais trágico da lista porque a produção caiu antes mesmo de as filmagens começarem. Melissa Barrera foi demitida em 2023 depois de se posicionar publicamente sobre Gaza, Jenna Ortega foi junto, os diretores saíram, o roteiro foi refeito às pressas. O que chegou aos cinemas em fevereiro é a soma desses buracos: uma história que precisava da Sam Carpenter como protagonista mas que a ignora completamente, substituída por uma filha adolescente de Sidney Prescott que simplesmente não existia em nenhum filme anterior – uma retcon que a franquia faz questão de não explicar. Neve Campbell voltou, e isso é genuinamente bom de ver. Mas o Pânico 7 que existe não é o Pânico 7 que estava sendo construído. É um produto de gerenciamento de crise disfarçado de homenagem.


Supergirl tinha tudo para ser o segundo acerto do novo DCU de James Gunn depois de Superman no ano passado. A Milly Alcock é ótima – todo mundo concorda nisso, né!? O problema é que o filme ao redor dela parece feito por alguém que queria ser James Gunn mas não é James Gunn. Craig Gillespie fez Eu, Tonya e Cruella, dois filmes com personalidade visual própria, e entregou aqui uma estética monocromática, cinza, sem nenhuma das cores cósmicas que tornavam os quadrinhos de Tom King e Bilquis Evely tão irresistíveis. A história de Kara Zor-El, que nos quadrinhos é sobre amadurecer enquanto o universo te destroça, vira aqui uma aventura espacial genérica onde Jason Momoa como Lobo rouba todas as cenas. O que seria ótimo se o filme fosse sobre o Lobo. Não é.


Terror em Silent Hill: Regresso Para O Inferno é o tipo de filme que faz você sentir falta não só do jogo mas do próprio silêncio. Silent Hill 2 é considerado um dos maiores estudos de culpa e luto já feitos no videogame. Uma obra onde cada monstro é uma projeção do estado mental do protagonista, onde cada corredor é uma verdadeira tortura psicológica. O que Christophe Gans entregou foi um filme de atmosfera sem substância: Silent Hill visualmente reconhecível, com Pyramid Head aparecendo nas horas certas, mas vazio por dentro. Os personagens não têm as camadas que tornavam o jogo um soco no estômago. É como visitar uma cidade que você amava e encontrar só a fachada.


Todo Mundo em Pânico voltou com os Wayans depois de duas décadas e a ideia não era ruim, afinal, o gênero de horror está em plena forma, com mais material para parodiar do que em qualquer momento desde os anos 2000. O primeiro Todo Mundo em Pânico funcionou porque o alvo (PânicoEu Sei o Que Vocês Fizeram no Verão Passado) era fácil de reconhecer e recheado de clichês exploráveis. O problema de fazer uma paródia de Pânico em 2026 é que Pânico já é uma autoparódia, e parodiar uma paródia produz principalmente piadas que chegam já digeridas. Anna Faris e Regina Hall sustentam o que podem, mas o roteiro entrega piadas que o público já antecipa.


Super Mario Galaxy é muito barulho para pouco jogo. O primeiro filme, de 2023, tinha um charme que funcionava porque a simplicidade era intencional. O Galaxy vai na direção contrária: mais personagens, mais planetas, mais Easter eggs, mais tudo. Rosalina, que deveria ser o coração emocional da história, mal existe como personagem. O Yoshi aparece e some. As cenas se acumulam sem que nenhuma construa algo sobre a anterior. Muito mais parque temático do que cinema.


A Noiva!, de Maggie Gyllenhaal, é o tipo de projeto que você respeita pela ambição e torce enquanto assiste para que a ambição vença. Ela não vence. A ideia era ótima: pegar a Noiva de Frankenstein de 1935, jogar no Chicago gangster dos anos 1930, dar voz ao monstro feminino, colocar Jessie Buckley e Christian Bale no centro e deixar tudo desandar magnificamente. Buckley é extraordinária. Bale é Bale. Mas o roteiro não decide o que quer ser – musical, thriller de gangster, manifesto feminista, fábula de horror – e a soma de todas essas intenções produz um filme que começa três vezes e não termina direito nenhuma delas. Gyllenhaal claramente ama essa história mais do que sabe contá-la.


O Morro dos Ventos Uivantes de Emerald Fennell é o caso mais frustrante. Depois de Bela Vingança e Saltburn, Fennell tem crédito suficiente para fazer o que quiser, e o que ela quis foi transformar Emily Brontë num melodrama erótico suntuoso com figurinos que parecem couture de museu e Margot Robbie e Jacob Elordi fazendo caretas de intensidade emocional. O livro é sobre obsessão, classe, crueldade e desejo que devora quem o sente. O filme reduz isso a silêncio artístico com close-ups bonitos. A trilha da Charli XCX é genuinamente boa. O filme, no geral, parece uma apresentação de moodboard para um projeto mais interessante que nunca chegou a ser feito.


Dia D, o sci-fi de OVNIs de Spielberg, não é exatamente ruim – Spielberg nunca é exatamente ruim. Mas depois de anos de espera pelo retorno dele ao gênero que o tornou Spielberg, o que chegou é um filme que tem mais ideias do que coragem de desenvolvê-las. Há uma cena aqui e outra ali que lembram por que Contatos Imediatos do Terceiro Grau ainda funciona hoje. O resto parece um diretor cauteloso demais com a própria herança. Para quem esperava que o cara que inventou o maravilhamento cinematográfico com OVNIs voltasse para essa conversa com tudo, Dia D chega como um aceno educado onde deveria ter sido um abraço.

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