Música

Pink transformou overdose e trauma em 135 milhões de discos

A cantora que quase morreu aos 16 anos se tornou uma das artistas mais vendidas de todos os tempos e prova que garra supera perfeição

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Alecia Beth Moore tinha 16 anos quando acordou numa manhã de Dia de Ação de Graças em 1995, viva por pura sorte. A futura Pink havia sofrido uma overdose numa rave na Filadélfia, e o incidente se tornaria o ponto de virada que a levaria de uma adolescente problemática expulsa de casa a uma das artistas mais vendidas de todos os tempos, com mais de 135 milhões de discos vendidos globalmente e três Grammy Awards na estante. A história dela é um daqueles casos em que a gente precisa pausar pra processar como alguém consegue transformar tanto caos em tanta grandeza.

Crescer na casa dos Moore em Doylestown, Pensilvânia, não foi exatamente um conto de fadas. Os pais de Pink brigavam constantemente, e o divórcio durante a adolescência dela só intensificou uma relação já turbulenta com a família. Aos 14 anos, ela foi expulsa de casa pela mãe Judith e passou a dormir em sofás de amigos enquanto cantava em clubes locais para sobreviver.


A asma severa que a acompanhava desde a infância poderia ter sido mais um obstáculo, mas acabou empurrando-a justamente para a música. Um DJ local fez um acordo com a jovem cantora: ela poderia ter um destaque especial nas noites de sexta-feira se prometesse nunca mais tocar em drogas. Ela prometeu, e semanas depois fez a audição que mudaria sua vida, ingressando no grupo de R&B Choice e chamando a atenção da LaFace Records.

O verdadeiro estouro veio em 2001 com o álbum Missundaztood, que vendeu mais de 13 milhões de cópias no mundo todo e continua sendo seu disco mais vendido até hoje. Músicas como Get the Party Started, Don’t Let Me Get Me e Just Like a Pill eram cruas, honestas e completamente diferentes de tudo que tocava nas rádios da época.


Enquanto as gravadoras queriam que ela seguisse o modelo das princesas pop do final dos anos 90, Pink rejeitou. Ela escreveu boa parte de suas músicas, cantou sobre problemas reais e se recusou a fingir que era algo que não era. A colaboração com Linda Perry, da banda 4 Non Blondes, foi tão intensa que Pink chegou a morar na casa da produtora durante as gravações. O resultado foi um álbum tão autêntico que influenciou toda uma geração de artistas, incluindo Adele, que considera ter assistido a um show de Pink em Londres um dos momentos mais definidores de sua vida.


Nos palcos, Pink construiu uma reputação de guerreira absoluta. Ela já se apresentou doente, já vomitou no meio de shows e continuou cantando, já terminou performances de cabeça para baixo em tecidos acrobáticos mesmo quando o corpo implorava para parar. A perfeição nunca foi o objetivo; força e honestidade, sim. E é exatamente isso que faz dela uma lenda: não a imagem polida de uma estrela pop fabricada, mas a resiliência real de alguém que transformou cada coisa ruim que aconteceu na própria vida em combustível para uma carreira de mais de duas décadas de hits, turnês esgotadas e o respeito de colegas e fãs.

A Billboard a colocou entre as maiores artistas de todos os tempos, e ela segue provando que garra sempre vai vencer perfeição.

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