Comportamento

Robert Pattinson quer ser Gen Z – mas ele é mesmo?

O ator insiste que pertence à Geração Z. Tecnicamente, não é verdade, mas o caso abre um debate bem mais curioso

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Robert Pattinson está convencido de que é Gen Z. Sim, o mesmo ator que viveu Edward Cullen em Crepúsculo e o sombrio Batman de Matt Reeves. O problema é que ele nasceu em 1986, o que o coloca firmemente na categoria millennial raiz – geração que viveu o auge do MSN, dos DVDs e do Orkut. Ainda assim, ele garante: “Sou Gen Z.”

A declaração surgiu durante uma entrevista promocional de Morra, Meu Amor, em que Pattinson conversava com Jennifer Lawrence. A atriz – que também é millennial – se divertiu ao desmentir o colega:

“Você não é Gen Z, Rob. Você é millennial… Mas eu acredito que você acredita que é Gen Z.”

Ele respondeu rindo, mas insistiu: “Sou Gen Z!” E tentou provar o ponto com um argumento inusitado: adora ligar por FaceTime sem avisar. Lawrence, surpresa, respondeu: “Isso é coisa de sociopata, não de Gen Z.”

O momento viralizou e levantou uma questão que é, ao mesmo tempo, engraçada e reveladora: por que tantos millennials querem ser Gen Z?

A nova inveja geracional

Pesquisas como as da McKinsey & Company e da Global Web Index mostram que a Geração Z, nascida entre 1996 e 2010, é marcada por uma relação orgânica com o digital, pela valorização da autenticidade e por um senso de urgência social e ambiental. Já os millennials (1981–1996) cresceram no meio da transição analógica para o mundo conectado.

O resultado: muitos millennials se sentem “atrasados” culturalmente. Para a Gen Z, eles são os cringe – os que ainda usam o emoji 😂, que postam fotos com legendas motivacionais e falam “autoestima” como se fosse tendência. E como o medo de envelhecer é um clássico da cultura pop, “virar Gen Z” virou quase um rebranding existencial.

Um artigo do The Guardian define bem essa tensão:

“A Geração Z redefiniu o que é ser cool — e agora os millennials estão tentando correr atrás.”

De roupas largas ao humor autodepreciativo, ser “Z” virou sinônimo de fluidez: estética, comportamental e até emocional.

O caso Robert Pattinson

No caso de Pattinson, a brincadeira tem camadas. O ator vive numa eterna reinvenção: de Crepúsculo a The Batman, passando por filmes experimentais. Ele já admitiu que ama interpretar personagens adolescentes – e isso talvez explique parte da identificação com a Gen Z.

Rodeado por artistas mais jovens e dono de um humor caoticamente autêntico (marca registrada da geração), Pattinson parece, no mínimo, um Zillennial, o híbrido entre as duas gerações. Só que há um detalhe: ser Gen Z não é apenas ter memes e TikTok na ponta da língua. É nascer em meio ao caos digital, com crises políticas e climáticas em looping e a hiperconectividade moldando o jeito de existir.

Robert Pattinson pode até querer ser Gen Z, e tudo bem – ele representa um fenômeno muito maior: a nostalgia da juventude digital, o desejo de permanecer relevante num mundo que envelhece em tempo de stories.

No fim, o problema não é ele querer entrar no clube. O problema é o FaceTime inesperado.

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