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Segunda temporada de “Wandinha” perde força sem suas relações mais marcantes

Mesmo com mistérios intrigantes, afastamento entre personagens tirou o peso emocional que prendia o público

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Na primeira temporada, Wandinha conquistou o público com muito mais do que o clima gótico e o suspense sobrenatural. O que realmente segurava a história era a teia de relações que cercava a protagonista. A amizade improvável com Enid, a rivalidade cheia de respeito com Bianca, o jogo tenso com Xavier e até os choques com a própria família criavam um ecossistema vivo. Não era só uma escola para “excluídos” — era um estudo sobre pertencimento, lealdade e diferenças.

Já na segunda temporada, essas conexões rarearam. Personagens-chave foram afastados ou isolados, como se cada um seguisse sua própria trama. A separação física e emocional rompeu a química coletiva. Mesmo com o mistério dos corvos e a ameaça constante, a história perdeu o calor humano que fazia cada revelação ter peso emocional. E não é só impressão: segundo a Parrot Analytics, postagens sobre relações entre personagens geraram até três vezes mais engajamento do que aquelas sobre o mistério central. No TikTok, a hashtag #Wenclair (Wandinha + Enid) já passa de 1,2 bilhão de views – superando qualquer tema ligado à trama sobrenatural.


Ao reduzir o espaço para as relações, a série acabou revelando que o suspense, sozinho, não sustenta o apego do público. A ameaça de morte de Enid na primeira temporada nos mobilizava porque conhecíamos e nos importávamos com ela. Na segunda, mesmo com novas ameaças, essa urgência se dilui. O caminho para recuperar o magnetismo original passa por reintegrar personagens em um mesmo arco, como Stranger Things, onde o mistério só funciona porque o grupo está emocionalmente conectado. Outra via seria apostar em momentos icônicos de interação – o abraço entre Wandinha e Enid, a parceria improvável com Bianca… – que viralizam justamente por mostrar camadas emocionais.

No fim, o que prende não é “quem matou” ou “qual monstro da vez”, mas o que acontece quando uma garota que rejeita o afeto é cercada por pessoas que a transformam – e que ela, no fundo, também transforma. É essa alquimia de mistério e conexão que transforma uma boa série em algo que o público revisita anos depois.

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