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Sydney Sweeney e o silêncio barulhento: como a atriz virou ícone da nova direita estética
A estrela de “Euphoria” passou de símbolo transgressor a musa de uma estética conservadora — e tudo isso sem dizer uma única palavra
Era uma vez uma estrela que ganhou o mundo ao interpretar uma adolescente ousada, emocionalmente caótica e cheia de desejo em Euphoria. Mas hoje, Sydney Sweeney está no centro de uma conversa que vai muito além da atuação: a atriz virou símbolo de uma estética politizada, que promove valores conservadores – e o mais curioso: ela nunca precisou dizer nada.
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Tudo começou com uma campanha de jeans. Não era qualquer campanha. Era a American Eagle estampando Sydney com a frase “It’s in her jeans” – um trocadilho aparentemente inofensivo entre jeans e genes. Mas a internet não perdoou: a mensagem soou como um elogio genético, quase eugenista, exaltando “bons genes” como justificativa da beleza dela. E a referência é claríssima às campanhas da Calvin Klein com Brooke Shields nos anos 80, que sexualizavam adolescentes em nome do clean aesthetic.
O impacto? Imediato. A American Eagle viu as vendas aumentarem em 10%. E Sydney? Silêncio absoluto.
Na real, esse silêncio já virou marca registrada. Em 2022, fotos do aniversário da mãe da atriz viralizaram mostrando convidados com chapéus MAGA (Make America Great Again). A resposta de Sydney foi que tudo aquilo não era político. Mas agora ficou mais difícil manter a neutralidade: descobriu-se que a atriz é registrada no Partido Republicano, o mesmo que promove pautas abertamente contra direitos LGBTQIA+ e minorias imigrantes. Coincidência ou símbolo cuidadosamente construído?
E é aí que a coisa pega: Sydney é usada como exemplo pela direita. Donald Trump e a própria Casa Branca já a citaram como ícone cultural. Enquanto isso, a mesma atriz que emocionou o público ao contracenar com Hunter Schafer — mulher trans, símbolo de representatividade — segue usando seu prestígio para representar personagens transgressoras na ficção, mas se omite completamente na vida real.
Com sua produtora própria, Sydney hoje escolhe cada projeto, cada roteiro, cada imagem que reforça. O silêncio, nesse contexto, é escolha — e escolha é discurso.
A nova direita entendeu como se comunicar: estética limpa, nostalgia afetiva, rostos angelicais e roupas que remetem aos “bons tempos de família”. O trad lifestyle, o clean look, os vídeos de donas de casa dos anos 50 viralizam no TikTok e se tornam ideologia disfarçada de tendência. Sydney virou o rosto desse movimento. E, com isso, o perigo se torna ainda mais silencioso.
Porque quando os discursos conservadores vêm embrulhados em filtro retrô e campanha de moda, fica difícil perceber que estamos consumindo exclusão disfarçada de cool. E Sydney pode até nunca dizer uma palavra sobre isso. Mas sua imagem já tá dizendo tudo.