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Terror domina o Oscar 2026 com recorde histórico

“Pecadores” quebrou recorde de indicações e “Frankenstein” garantiu nove nomeações em uma noite histórica para o gênero

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Na manhã desta quinta-feira (22), a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas divulgou os indicados à 98ª edição do Oscar e a gente precisa falar sobre como o terror simplesmente dominou a premiação de um jeito que ninguém esperava. Pecadores, o épico de vampiros dirigido por Ryan Coogler, liderou todos os filmes com 16 indicações, estabelecendo um recorde para o maior número de nomeações na história do Oscar. Sim, você leu certo: o recorde anterior de 14 indicações, que pertencia a A Malvada (1950), Titanic (1997) e La La Land (2016), foi superado por um filme de vampiros ambientado no Mississippi dos anos 1930. A Academia tradicionalmente torce o nariz para o terror, mas esse ano parece que os votantes finalmente entenderam que monstros também merecem estatuetas.

Pecadores conquistou indicações de Melhor Filme, Melhor Diretor e Melhor Roteiro Original para Ryan Coogler, além de render a Michael B. Jordan que interpreta gêmeos no filme sua primeira indicação ao Oscar de Melhor Ator. Delroy Lindo e Wunmi Mosaku também foram indicados por seus papéis coadjuvantes.


O filme ainda aparece nas categorias de cinematografia, efeitos visuais, som, design de produção, montagem, elenco, figurino, canção original, trilha sonora e maquiagem. Ambientado em 1932 no Delta do Mississippi, o longa acompanha irmãos gêmeos criminosos que retornam à sua cidade natal no Sul de Jim Crow, onde são confrontados por um mal sobrenatural. Ryan Coogler citou como inspirações filmes de Quentin Tarantino, Jordan Peele, Christopher Nolan e, especialmente, Um Drink no Inferno (1996) e Se Eu Fechar os Olhos Agora (1998), de Robert Rodriguez.

Mas Pecadores não está sozinho nessa invasão do terror. Frankenstein, de Guillermo del Toro, recebeu 9 indicações, incluindo Melhor Ator Coadjuvante para Jacob Elordi, Melhor Roteiro Adaptado e Melhor Filme. A adaptação da obra clássica de Mary Shelley, com Oscar Isaac no papel do cientista e Elordi como a Criatura, foi descrita como um projeto de paixão do cineasta mexicano, que passou décadas sonhando em filmar uma versão fiel do romance original.

Amy Madigan também foi destaque na temporada por A Hora do Mal, um horror que mostra várias histórias interrelacionadas sobre o desaparecimento de estudantes do ensino médio em uma pequena cidade – ela concorre à estatueta de Melhor Atriz Coadjuvante após uma indicação ao Globo de Ouro. E tem mais: A Meia-Irmã Feia, um filme norueguês de terror corporal que reimagina Cinderela explorando a opressão estética feminina, disputará o prêmio de Melhor Maquiagem e Penteados. Se o gênero fará história entre os vencedores dessa edição, a gente só vai descobrir no dia 15 de março, quando a cerimônia acontece em Los Angeles, a partir das 22h, com apresentação do comediante Conan O’Brien.

Vale lembra que grandes títulos do gênero já foram reconhecidos na disputa pela estatueta dourada ao longo dos anos – O Bebê de Rosemary, O Exorcista, Tubarão e, mais recentemente, A Substância provaram que o terror pode ter relevância artística. Mas O Silêncio dos Inocentes permanece como o único longa de terror a vencer o prêmio de Melhor Filme, lá em 1992.

Atuações memoráveis no gênero, como as de Kathy Bates em Louca Obsessão e Natalie Portman em Cisne Negro, também foram premiadas. Ainda assim, nos últimos anos, o terror havia perdido força considerável na maior premiação do cinema. O cenário começou a mudar em 2025, quando A Substância, com direção da cineasta francesa Coralie Fargeat, garantiu cinco indicações incluindo Melhor Filme mesmo sem levar nenhuma estatueta para casa.

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