Famosos
Timothée Chalamet cavou o próprio cancelamento?
Timing é tudo na vida – e Timothée Chalamet parece não ter recebido esse memorando. Em uma conversa ao vivo com Matthew McConaughey para a Variety, o ator disse que não quer trabalhar em formas de arte onde o discurso é “mantenha isso vivo mesmo que ninguém se importe mais com isso”, usando exatamente balé e ópera como exemplo. O comentário viralizou e transformou o protagonista de Marty Supreme no centro de uma das polêmicas mais inesperadas do circuito de premiações deste ano – com um detalhe que faz tudo piorar: o timing perfeito para estragar uma campanha cuidadosamente planejada para finalmente conquistar o Oscar, depois de quatro indicações e zero estatuetas.
A conversa entre Chalamet e McConaughey girava em torno de algo legítimo: a dificuldade de manter o cinema relevante numa era de atenção fragmentada. O ator disse que admira quem vai a programas de TV defender a ida aos cinemas, mas que parte dele acredita que, se as pessoas querem ver algo, elas vão – como aconteceu com Barbie e Oppenheimer.
O problema é que, no meio desse raciocínio, ele escolheu balé e ópera como exemplos de arte que “ninguém liga mais” – e o mundo das artes cênicas decidiu que isso não ia ficar sem resposta. O próprio Chalamet pareceu perceber o tamanho da furada na hora, acrescentando logo depois: “Acabei de tomar uns tiros sem precisar.” Pois é, Timmy.
A resposta das artes cênicas foi impiedosa (e criativa)
O que veio depois foi uma aula de como transformar uma crise em marketing. O Metropolitan Opera publicou uma montagem em vídeo mostrando todo o trabalho que vai para dentro de uma produção, marcando o ator na legenda com um singelo “isso é pra você, @tchalamet”. O Seattle Opera foi mais criativo ainda e criou um código promocional com o nome do ator – “TIMOTHEE” – oferecendo 14% de desconto em assentos para uma apresentação de Carmen, com a mensagem: “Timmy, você também pode usar. Te esperamos na ópera.”
O Royal Ballet and Opera de Londres emitiu um comunicado lembrando que balé e ópera “jamais existiram em isolamento” e que sua influência pode ser sentida no teatro, no cinema, na música contemporânea e na moda – encerrando com um convite para que Chalamet reconsiderasse a visão.
Ironia no DNA
Há uma camada extra de ironia nessa história que não passou despercebida. Chalamet já falou publicamente que sua avó, sua mãe e sua irmã dançaram no New York City Ballet – ou seja, o homem cresceu literalmente dentro do universo artístico que acabou de chamar de irrelevante.
Jamie Lee Curtis foi uma das vozes mais conhecidas a reagir, questionando no Instagram por que qualquer artista deveria atacar outro artista. A cantora de ópera Isabel Leonard foi mais direta ainda, chamando o comentário de “inarticulado e de visão estreita”, expressando surpresa de que alguém tão bem-sucedido pudesse falar assim sobre outras formas de arte enquanto se considera um artista.
O Oscar já estava balançando
O pior de tudo é que esse episódio chegou na hora mais delicada possível. A campanha de Marty Supreme acumulou momentos polêmicos ao longo da temporada, e o favoritismo de Chalamet ao prêmio de melhor ator já vinha sofrendo desgaste nas semanas que antecederam a cerimônia. A categoria está mais competitiva do que nunca, e cada votante da Academia que trabalha com figurino, cenografia ou artes cênicas – ou simplesmente ama uma ópera de vez em quando – é um voto que pode virar.
O #OperaGate não vai definir o Oscar sozinho, mas adicionou mais uma camada de ruído numa campanha que já tinha barulho demais. A cerimônia acontece no próximo dia 15, e Timothée Chalamet vai chegar ao Dolby Theatre carregando na bagagem a estatueta que ainda não tem – e as notas de ópera que, aparentemente, ninguém ouve.