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Victoria’s Secret 2025: nostalgia, inclusão tímida e muito marketing

Show volta ao hype com asas, confete e discurso de diversidade – mas ainda sem revolução real

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A Victoria’s Secret voltou a dominar o feed na noite de quarta (15) com um show no Duggal Greenhouse, no Brooklyn, transmitido ao vivo pela internet. O pacote mirou na memória afetiva: asas gigantes, confete rosa, supermodels “clássicas” como Adriana Lima e Candice Swanepoel e um lineup musical 100% feminino – Missy Elliott, Karol G, Madison Beer e TWICE – para reposicionar o desfile como grande espetáculo de desejo e beleza, enquanto tenta enterrar a fase de má reputação.

No casting, houve passos simbólicos. Ashley Graham voltou à passarela e a marca manteve a presença de mulheres trans, um contraste direto com a era Ed Razek. Ainda assim, o elenco continuou majoritariamente com mulheres magras e cis: diversidade aparece como correção de rota, não como motor criativo. Num cenário em que as semanas de moda tiveram só 0,9% de looks exibidos por modelos plus size, a VS parece “acima da média” – o que diz mais sobre a indústria do que sobre a própria marca.

No palco, a nostalgia, de fato, funcionou. Gigi e Bella Hadid surgiram em clima de 2016, com direito a “momentos Angel”, numa estratégia de retorno “macio” ao zeitgeist: vender fantasia com pequenas correções. A crítica mais jovem, porém, cravou que não é redenção – é reposicionamento. Inclusão, em 2025, não é mérito: é baseline de mercado. E quando vira diferencial de marketing, revela o tamanho do atraso da sociedade.

Vale lembrar por que os anjos caíram. Entre 2018 e 2022 vieram à tona as falas transfóbicas e gordofóbicas do então CMO Ed Razek, as conexões de Les Wexner com Jeffrey Epstein e a disputa trabalhista que terminou em acordo de US$ 8,3 milhões com funcionárias demitidas na pandemia. A empresa trocou comando, publicou metas e relatórios, mas segue operando em lógica de escala. A fantasia mudou o discurso; o sistema, nem tanto.

Como negócio, o desfile cumpre sua missão: gera conversa, vende nostalgia e sinaliza “nova era” sem explodir a fórmula. Mas a passarela ainda mostra inclusão como apêndice – eficiente para relações públicas, tímida como linguagem e aplicação na vida real. E, enquanto estudos apontam que o consumidor compra mais de marcas com variedade real de corpos, boa parte da moda continua entregando o mínimo.

O VSFS 2025 é um case de nostalgia controlada. Corrige excessos, retoca a narrativa e recoloca o show no centro da conversa. Se a ambição é “nova era”, a régua precisa subir: casting consistente, criação que parta de múltiplos corpos e metas transparentes para a cadeia produtiva. Até lá, os anjos voam – mas o chão segue o mesmo.

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