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Wagner Moura se torna o primeiro latino a vencer como Melhor Ator no New York Film Critics Circle
Ator brasileiro se torna o primeiro latino a conquistar o título de Melhor Ator no New York Film Critics Circle, um dos grupos de críticos mais influentes dos Estados Unidos
Wagner Moura acaba de escrever seu nome na história do cinema latino-americano. O ator brasileiro foi eleito Melhor Ator no New York Film Critics Circle Awards 2025, tornando-se o primeiro latino a receber a honraria pela sua performance avassaladora como Marcelo em O Agente Secreto, dirigido por Kleber Mendonça Filho.
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O anúncio foi feito nesta terça (2) pelas redes sociais da prestigiada organização que reúne mais de cinquenta críticos de cinema de Nova York. A conquista vem acompanhada de outro troféu igualmente importante: o filme também levou o prêmio de Melhor Filme Internacional, consolidando a produção brasileira como uma das grandes apostas da temporada de premiações que culmina com o Oscar em março de 2026.
A dupla vitória do ator e do filme no New York Film Critics Circle não é apenas simbólica. A associação, fundada em 1935, é considerada um dos termômetros mais confiáveis da temporada de premiações americana, ao lado dos círculos de críticos de Los Angeles e Atlanta. A coincidência animou fãs e especialistas, já que no ano passado o prêmio foi para Adrien Brody pelo filme O Brutalista, que também levou o Oscar de Melhor Ator meses depois. Embora as escolhas do grupo nem sempre antecipem os vencedores do Oscar com precisão absoluta, elas costumam ampliar significativamente a visibilidade dos premiados e influenciar as estratégias de campanha dos estúdios.
Assista ao trailer de O Agente Secreto:
Brasil soma quatro conquistas na categoria internacional
Esta é a quarta vez que o Brasil conquista a categoria de Melhor Filme Internacional no New York Film Critics Circle, sendo a segunda vitória pessoal de Kleber Mendonça Filho, que já havia vencido com Bacurau em 2020. Antes disso, o país havia sido reconhecido com Pixote em 1981 e Cidade de Deus em 2003, dois marcos incontestáveis do cinema nacional que também ecoaram na temporada do Oscar.
O Agente Secreto ambienta-se no Brasil de 1977, durante a ditadura militar, e acompanha a trajetória de Marcelo, um professor de tecnologia que deixa São Paulo e vai para Recife em busca de um recomeço longe de um passado violento e misterioso. Chegando na cidade durante o Carnaval, ele logo percebe que atraiu para si exatamente o caos do qual tentava fugir, enquanto descobre estar sendo vigiado por vizinhos e pelas forças de repressão do regime. A narrativa mescla elementos de thriller político, suspense e drama, explorando temas como memória, trauma, vigilância estatal e a manipulação da verdade em períodos autoritários.
Campanha rumo ao Oscar ganha força internacional
Após estrear em cinemas selecionados dos Estados Unidos, o filme elevou sua média no agregador de críticas Metacritic para 91 de 100, alcançando o quarto lugar entre as produções com as melhores notas de 2025. Os números impressionam e colocam O Agente Secreto em posição privilegiada não apenas na categoria de Melhor Filme Internacional, mas também em outras disputas técnicas como Melhor Fotografia, Melhor Roteiro Original e Melhor Direção.
A jornada de O Agente Secreto na temporada de premiações está apenas começando, mas os sinais são extremamente promissores. Além das vitórias em Cannes e no New York Film Critics Circle, o filme já acumula 26 prêmios em festivais ao redor do mundo e aparece em diversas listas de previsão de sites especializados como Gold Derby e Variety. A revista britânica The Economist apontou O Agente Secreto como um dos melhores filmes do ano, colocando a produção brasileira ao lado de grandes títulos internacionais na corrida pelas principais categorias.
O próximo passo crucial será o anúncio da lista de pré-selecionados em 16 de dezembro, quando a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas revelará quais filmes avançam para a próxima fase da votação. Se mantiver a força atual, O Agente Secreto pode se tornar não apenas mais uma indicação brasileira ao Oscar de Melhor Filme Internacional, mas também uma rara incursão do país em categorias principais. Para Wagner Moura, a trajetória marca o ápice de uma carreira que sempre transitou entre o cinema autoral brasileiro e produções internacionais, consolidando-o como um dos atores mais respeitados de sua geração.