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“A Rede Social” ganhará uma sequência que absolutamente ninguém pediu

Sem David Fincher na direção, roteirista promete mirar nos danos da “rolagem infinita” — de algoritmos tóxicos à invasão do Capitólio

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Em 2010, A Rede Social entregou tudo: roteiro afiado, direção cirúrgica de David Fincher e um Mark Zuckerberg tão gelado que virou meme entre os amantes de tecnologia. Quase 15 anos depois, Aaron Sorkin decidiu que o clássico merece uma sequência e confirmou que vai escrever e dirigir A Rede Social – Parte II para a Sony, inspirado nos Facebook Files do Wall Street Journal e nos estragos da “rolagem infinita” que turbina fake news e radicaliza timelines. Ele garante não se tratar de uma sequência direta, mas sim de uma radiografia do algoritmo pós-2016, incluindo o 6 de janeiro que sacudiu Washington.

A crítica social soa necessária, mas resta a dúvida sobre a execução. O charme do original era justamente o olhar clínico que Fincher imprimiu; já Sorkin, quando assume a cadeira de diretor, costuma pender para o didatismo — basta lembrar de Os 7 de Chicago. Sustentar o suspense tech sem escorregar no tom de palestrinha será seu maior desafio.

Ninguém sabe se Jesse Eisenberg voltará a vestir o uniforme mais famoso da história nem se Andrew Garfield toparia outro round. O que se comenta nos bastidores é que qualquer deslize transforma a continuação em fanfic de luxo, jogando luz demais em um Facebook que muitos preferem esquecer e ofuscando o filme que definiu uma era de biografias tech.

Sorkin pode, sim, provar que consegue entregar um thriller digno sem Fincher. Mas, se falhar, arrisca transformar um Oscar de roteiro em spin-off de thread do X — e confirmar que nem todo like vira clássico; às vezes, só alimenta o feed do arrependimento.

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