Comportamento
Adolescentes estão trocando amigos por inteligência artificial?
Estudo revela que a Geração Z usa IA pra tudo — de conselhos amorosos a desabafos profundos. E nem sempre é só por curiosidade.
Se antes o drama da adolescência era resolvido no grupinho da escola ou por mensagem no MSN, agora o cenário é outro. Bem-vindo à era em que desabafar sobre o crush, ensaiar conversas ou pedir conselhos virou função de chatbot. Sim, a Geração Z tá usando inteligência artificial até pra lidar com dor de cotovelo — e um estudo da Common Sense Media acaba de mostrar como isso já virou rotina pra milhões de adolescentes.
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A pesquisa ouviu mais de mil jovens entre 13 e 17 anos nos EUA e revelou que 72% já usaram alguma IA, como ChatGPT ou Gemini, pelo menos uma vez. Mas não para por aí: 52% conversam com bots algumas vezes por mês, e 13% falam com eles todos os dias. O mais curioso: um terço dos adolescentes já usou IA pra “interações sociais” — ou seja, treinar conversa, desabafar, pedir conselhos, fazer encenação de situações e até criar um “crush digital”.
Ou seja: os adolescentes de hoje não só sabem o que é um prompt, como tratam a IA como uma espécie de caderno de perguntas 2.0 — só que com memória infinita e zero julgamento.
E por que conversar com IA parece mais fácil? Para 9% dos entrevistados, é simplesmente menos estressante do que falar com pessoas reais. Afinal, a IA não te interrompe, não solta indireta e não curte o story da sua rival. Mais que isso: 31% disseram que conversar com um bot é tão bom (ou melhor!) do que com os amigos de verdade. Parece roteiro de Black Mirror, mas é só a vida real em 2025.
Mesmo assim, a conexão humana ainda tem força. Entre os que usam IA, 80% dizem que passam mais tempo com amigos reais do que com bots. Mas quando o papo é sério — tipo insegurança, ansiedade ou tristeza —, 1 em cada 3 toparia abrir o coração com uma IA em vez de um amigo. E 25% já compartilharam informações pessoais com chatbots. Um dado que dá até um frio na barriga.
Essa troca com a IA, pra muitos, virou uma espécie de terapia informal. Tem adolescente falando com robô sobre autoestima, corpo, solidão, e embora isso pareça inofensivo, o alerta é real: cerca de 60% das respostas dadas por IA têm chance de estar erradas. O estudo também mostra que adolescentes mais velhos tendem a desconfiar mais dessas respostas, enquanto os mais novos ainda confiam fácil no “robô simpático”.
Por outro lado, quase metade dos entrevistados diz que aprendeu algo útil nessas conversas — como dar conselhos, puxar papo e até lidar melhor com emoções — e levou isso pro mundo real. As meninas, segundo a pesquisa, são mais propensas a aplicar esses aprendizados do que os meninos.
A IA já está transformando tudo: os estudos, os relacionamentos, o entretenimento — e agora, também, o jeito que adolescentes se comunicam. A grande pergunta é: isso é positivo? Solitário? Inescapável?
Talvez um pouco de tudo. Mas o fato é que conversar com um chatbot virou parte do crescimento emocional de uma geração que cresceu no multitela e aprendeu desde cedo que ser vulnerável é “vergonha alheia”. E se a IA tá servindo como um espaço seguro pra começar a ensaiar essa vulnerabilidade… talvez ela esteja fazendo um papel que nem os adultos tão conseguindo cumprir.