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Séries

‘All Her Fault’ expõe a culpa que recai sobre mulheres

Minissérie estrelada por Sarah Snook escancara como a sociedade responsabiliza mulheres antes mesmo de conhecer os fatos

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Em All Her Fault, o mistério começa com um desaparecimento, mas o verdadeiro peso da história está em outra pergunta silenciosa: por que a culpa sempre recai sobre a mulher antes mesmo dos fatos aparecerem. A minissérie estrelada por Sarah Snook, que lhe rendeu o prêmio de Melhor Atriz em Minissérie no Critics Choice Awards, se tornou a maior estreia original da história do Peacock nos Estados Unidos e atualmente domina o topo das mais assistidas no Prime Video no Brasil. Baseada no livro homônimo da escritora irlandesa Andrea Mara, a produção acompanha Marissa Irvine, uma mãe que vive seu pior pesadelo quando vai buscar o filho Milo após uma tarde na casa de um coleguinha de escola e descobre que a mulher que atende a porta nunca ouviu falar dela ou da criança. Mas o que poderia ser apenas mais um thriller de sequestro se transforma em algo muito mais incômodo ao longo dos oito episódios.

Desde o primeiro capítulo, a narrativa deixa claro que não importa o que tenha acontecido: a mãe é automaticamente colocada no centro do julgamento. Não é apenas sobre encontrar a criança desaparecida, é sobre investigar cada escolha dessa mulher como se o erro fosse inevitavelmente dela.


A série mostra com precisão como a culpa feminina não precisa ser gritada para existir. Ela aparece nos olhares, nas perguntas enviesadas, nos silêncios constrangedores e, principalmente, na forma como a própria protagonista passa a se acusar antes de qualquer confirmação externa. Sarah Snook entrega uma performance que opera em um nível de realismo que se tornou raro na televisão contemporânea, fazendo com que a ansiedade, a dor e o desespero de Marissa não pareçam representados, mas genuinamente compartilhados com quem assiste.

Maternidade como território sem margem para erro

A maternidade é retratada em All Her Fault como um campo minado onde qualquer deslize, qualquer confiança depositada em outra pessoa, qualquer tentativa de dividir responsabilidades vira prova de negligência, enquanto os homens ao redor seguem sendo tratados como figuras secundárias no erro. O relacionamento de Marissa com o marido Peter, vivido por Jake Lacy, escancara esse desequilíbrio ao transformar a culpa em ferramenta de poder. Em vez de apoio, ela recebe cobrança. Em vez de parceria, recebe julgamento, reforçando como a responsabilidade masculina é facilmente diluída enquanto a feminina se torna absoluta.


O mais cruel é perceber que essa culpa não vem apenas de fora. A série constrói com cuidado o processo interno de autodestruição emocional, onde a mulher passa a revisar cada decisão passada, tentando encontrar um ponto exato onde “falhou” como mãe.

Ao colocar diferentes mulheres na narrativa, incluindo a personagem Jenny Kaminski interpretada por Dakota Fanning, a produção deixa claro que não se trata de um caso isolado. Não importa o perfil, a classe social ou a personalidade, todas são atravessadas pela mesma lógica de responsabilização. Enquanto isso, personagens masculinos erram, escondem, manipulam e até destroem, mas raramente carregam o mesmo peso moral.

A série evidencia como a sociedade está sempre pronta para justificar o erro do homem e condenar o da mulher. Essa culpa constante empurra a protagonista para decisões extremas, não porque ela seja fraca, mas porque vive em um sistema que não permite que ela falhe, hesite ou simplesmente seja humana sem pagar um preço altíssimo por isso. All Her Fault não entrega conforto, entrega espelho. E talvez seja exatamente por isso que incomoda tanto.

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“Off Campus”: o que significa a tatuagem nas costas de Garrett?

Ideia do ator Belmont Cameli, a frase em latim nas costas do personagem carrega uma história real

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Se você maratonou Off Campus na Prime Video e ficou olhando fixo pra tela tentando decifrar o que estava escrito nas costas do Garrett Graham, bem-vindo ao clube. A frase em latim que aparece nos ombros do personagem – “Nullum Gratuitum Prandium” – é uma adição completamente nova à história, foi ideia do próprio ator Belmont Cameli e tem uma conexão direta com a vida real dele.

Nos livros de Elle Kennedy nos quais a série é baseada, Garrett tem uma tatuagem de fogo no bíceps. Para a adaptação, Cameli propôs a troca pela frase em latim estampada nas omoplatas com a frase “não existe almoço grátis”, traduzindo livremente. A frase era o mantra da equipe de luta livre do colégio dele. Dá pra entender por que colou tão bem no personagem.


O detalhe mais inteligente, porém, está na lógica de posicionamento da tattoo. Quando Garrett veste o uniforme de hóquei, o que aparece é o sobrenome Graham, carregando todo o peso do pai famoso. Quando tira o uniforme, o que fica na pele é o mantra. É a diferença entre a versão que o mundo enxerga e a versão que ele sabe que é verdade. Para quem assistiu a temporada inteira, essa simbologia bate forte.

A tatuagem ainda funciona como antecipação sutil do final. Quando o pai de Garrett parabeniza o filho por ter iniciado a briga e diz que ele é igualzinho a ele, está falando do “Graham” que o mundo vê. A resposta de Garrett, cortando o pai no meio da frase, é exatamente o mantra em ação. Nada de herança. Tudo conquistado. E, por falar em conquistas reais, Cameli tem uma tatuagem de verdade na coxa em referência ao álbum favorito dele do The National, Trouble Will Find Me. O homem leva tatuagem a sério, tanto na ficção quanto fora dela.

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“Off Campus: Amores Improváveis” é exatamente o que uma série de romance deveria ser

A adaptação da saga de Elle Kennedy chega ao Prime Video e entrega o romance universitário que os fãs mereciam – com algumas surpresas no caminho

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Off Campus: Amores Improváveis chegou ao Prime Video no dia 13 de maio com todos os oito episódios da primeira temporada disponíveis de uma vez – o que, convenhamos, foi ao mesmo tempo um presente e uma cilada, porque ninguém parou depois do segundo. A série criada pela showrunner Louisa Levy adapta O Acordo, primeiro livro da saga da autora canadense Elle Kennedy, e acompanha Hannah Wells (Ella Bright), estudante de música da fictícia Universidade Briar, e Garrett Graham (Belmont Cameli), capitão do time de hóquei que vai mal em filosofia. Os dois fazem um acordo: ela o ajuda a recuperar as notas, ele a ajuda a conquistar o músico Justin. Quem já leu o livro sabe exatamente onde isso vai parar. Quem não leu, percebe no fim do primeiro episódio.

A grande aposta de Off Campus é química, e ela entrega. Belmont Cameli e Ella Bright têm uma interação que não parece fingida – cada troca entre Garrett e Hannah parece genuína, um pouco desajeitada do jeito certo, sem o esforço visível que às vezes aparece em adaptações de romance quando os atores tentam demais convencer.


A direção aposta em planos médios e reações, deixando os rostos contarem mais do que os diálogos, o que funciona muito bem nos momentos de tensão não resolvida, que são muitos. A série também acerta ao construir o universo do hóquei e da música de forma equilibrada, sem deixar nenhuma das duas ficar em segundo plano. Hannah tem uma jornada própria com a composição que vai além de ser a garota que o protagonista gosta, e isso faz diferença.

As mudanças em relação ao livro: o que funcionou

Quem leu O Acordo vai notar as diferenças logo nas primeiras cenas. O Justin dos livros era jogador de futebol americano; na série, ele é músico e lidera a banda After Hours, o que dá muito mais coerência ao interesse de Hannah por ele. O primeiro beijo de Hannah com outra pessoa também muda – no livro era com um personagem sem peso na trama, na série é com Logan, que tem um crush não resolvido pela protagonista, criando uma camada a mais para a temporada toda.


A série também antecipa o desenvolvimento de Dean e Allie, casal do terceiro livro da franquia, o que dividiu os fãs: parte ficou animada em ver mais desse casal logo, outra parte sentiu que isso tira o protagonismo que seria deles na terceira temporada. A questão é que a dinâmica entre eles é tão boa que é difícil reclamar muito enquanto assiste.

Off Campus não desvia dos temas difíceis do livro. O passado de Hannah, que foi drogada e estuprada no ensino médio, é tratado com cuidado e tempo de tela suficiente, o que de fato acrescente boas camadas aos episódios. A série conecta esse trauma diretamente à dificuldade da personagem de acessar a música pop e escrever letras, uma mudança em relação ao livro que aprofunda quem Hannah é antes mesmo de Garrett entrar na história.


Garrett também carrega o peso de um pai abusivo e o medo de repetir padrões – e a cena em que os dois confrontam essas questões juntos é um dos pontos mais fortes da temporada. O diálogo pode soar truncado em alguns momentos, e isso é verdade em alguns episódios do meio da temporada, mas raramente atrapalha o ritmo geral.

O que vem pela frente

Já renovada para a segunda temporada antes mesmo da estreia, Off Campus deixa bastante material aberto para o futuro. A introdução de Grace Ivers (India Fowler, anunciada para a próxima temporada) sugere que Logan e sua história com a personagem do segundo livro da saga devem ser o foco a seguir. Dean e Allie também terminam a temporada num ponto que pede continuação urgente.


A série claramente foi pensada no modelo antológico ao estilo Bridgerton – cada casal ganha seu momento, mas os personagens não desaparecem depois. Se Off Campus mantiver essa qualidade de construção de elenco secundário, o modelo pode funcionar muito bem. Por ora, Hannah e Garrett entregaram o suficiente para garantir que a gente vai estar aqui quando a segunda temporada chegar.

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Terceira temporada de ‘Euphoria’: o que aconteceu com Rue no final do quinto episódio?

O episódio colocou Rue na situação mais extrema da série até agora, e ainda encontrou espaço para uma sequência com Cassie em proporções gigantescas

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ALERTA DE SPOILERS

O quinto episódio da terceira temporada de Euphoria, exibido na noite de domingo (11) pela HBO e Max, terminou com Rue Bennett enterrada até o pescoço enquanto Alamo galopava em sua direção a cavalo – e a cena cortou para o preto. A pergunta “será que ela sobrevive?” passou o resto da madrugada circulando em cada canto da internet.

Ao longo do episódio, Rue segue tentando equilibrar sua atuação como informante da DEA com a rotina cada vez mais tensa no clube de Alamo. Quando Magick encontra drogas que ela havia escondido anteriormente, Alamo começa a desconfiar de sua lealdade. A partir daí, é uma contagem regressiva.


Bishop e G levam Rue para um local isolado e a obrigam a cavar uma espécie de cova. Na manhã seguinte, Alamo aparece a cavalo, segurando um taco de polo, galopando em direção à cabeça dela enquanto ela grita. Ainda restam três episódios na temporada, incluindo um finale que a HBO promete ser o mais longo da história da série – e a sensação de risco nunca pareceu tão real quanto aqui.

Enquanto Rue cavava sua potencial sepultura, o episódio entregou uma das sequências mais radicais da história de Euphoria. Cassie literalmente cresce até proporções gigantescas depois de encarar o fluxo interminável de pedidos online, pisando em uma versão falsa de Los Angeles num figurino de oncinha rasgado. Maddy, por sua vez, surge cada vez mais calculista, pressionando Cassie a assinar contratos e avançando sua carreira de atuação sem deixar a emoção atrapalhar o plano de negócios.

O que vem a seguir

Com três episódios restantes, Euphoria chegou ao ponto sem volta da temporada. Rue está encurralada entre a DEA, Alamo e os próprios sentimentos por Jules. Cassie está perdida entre a fama, Nate e a ilusão de que Brandon Fontaine representa algo real. E Maddy, que passou duas temporadas sendo tratada como coadjuvante, surge como a personagem mais estratégica da história – o que a série demorou três temporadas para mostrar com clareza.

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