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“Amores Materialistas” promete profundidade, mas entrega superficialidade

Com estética millennial e promessa de crítica social, o filme finge ter substância e irrita o público com seu vazio narrativo

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Amores Materialistas chegou prometendo um olhar irônico sobre consumo, relacionamentos modernos e o vazio existencial da geração millennial. A proposta parecia clara: misturar estética charmosa com crítica social, em um filme leve, provocador e atual. Mas o resultado final gerou frustração. Com um roteiro inconsistente e personagens mal desenvolvidos, a obra tropeça ao tentar ser muitas coisas ao mesmo tempo — romance, sátira, drama — e acaba não sendo nenhuma.


O trailer vendia uma história divertida, jovem e inteligente. Mas o que se vê na tela é um desfile de diálogos que soam artificiais e dilemas que não se sustentam. A estética até funciona, mas logo fica evidente que o visual refinado está tentando compensar a falta de profundidade do enredo. A promessa de crítica social vira pano de fundo para cenas que não se conectam e personagens que não evoluem.

O filme parece seguir a lógica do “aesthetic washing” — quando a forma tenta disfarçar a ausência de conteúdo. E o público não comprou essa embalagem. Em comentários no Letterboxd e fóruns como o Reddit, a principal crítica é a falta de coragem narrativa: a produção levanta temas relevantes, mas não se compromete em desenvolvê-los com honestidade.

No fim, Amores Materialistas não irrita apenas por ser raso, mas por fingir que não é. E isso pesa. Porque quando um filme tenta parecer mais inteligente do que realmente é, a decepção não vem só da história que não funciona — vem da sensação de que ele nunca teve a intenção de ser honesto com o público.

Nota: 6

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