LGBTQIA+

‘Bridgerton’ vai ter a temporada que os fãs LGBTQ+ pedem há anos

Com Francesca e Michaela como protagonistas, a quinta temporada da série da Netflix promete o que fãs LGBTQ+ esperavam há anos

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Quando a Netflix confirmou oficialmente, nesta segunda-feira (24), que a quinta temporada de Bridgerton vai centralizar o romance entre Francesca Bridgerton e Michaela Stirling, o fandom se dividiu. Mas por baixo da reação explosiva há algo genuinamente relevante acontecendo. Pela primeira vez em toda a história da série, uma temporada inteira vai ser construída ao redor de uma relação sáfica, e isso, num drama de época que acumula audiências na casa dos bilhões de horas assistidas, não é detalhe. É virada.

O que mudou – e o que isso significa

Bridgerton nunca foi exatamente avessa à diversidade. Desde a primeira temporada, Shonda Rhimes e a showrunner Jess Brownell usaram a Regência britânica como tela para subverter convenções: elenco multirracial, mulheres independentes, sexualidade abordada sem puritanismo.

A quarta temporada deu a Benedict Bridgerton um arco bissexual, ainda que rapidamente encaminhado para um casamento heterossexual com Sophie. Para muitos fãs queer, aquilo foi ao mesmo tempo promessa e frustração. A quinta temporada parece a resposta a esse sentimento acumulado. A própria showrunner admite que sempre pareceu errado não incluir o amor queer nessa fantasia – e que construir uma temporada inteira em torno de uma relação sáfica parece enorme.


O que torna esse momento ainda mais significativo é a escolha deliberada de não tratar a história como tragédia. Brownell prometeu que a temporada vai ser sobre alegria queer, não sobre trauma queer, uma distinção que parece simples, mas que carrega muito peso histórico.

Durante décadas, narrativas LGBTQ+ na cultura pop foram construídas quase exclusivamente em torno da dor: a luta pelo reconhecimento, o segredo, a perda. Brokeback Mountain, Carol, Retrato de Uma Jovem em Chamas – obras extraordinárias que, mesmo quando terminam em beleza, raramente terminam em felicidade. Existe um público enorme que quer ver personagens queer simplesmente vivendo, amando e chegando ao final feliz. E Bridgerton, com sua estética de fantasia açucarada e comprometimento declarado com o felizes para sempre, pode entregar exatamente isso numa escala raramente vista no gênero.

A adaptação e o que ela revela

Francesca é, nos livros de Julia Quinn, a personagem que tem o arco mais complicado e o romance mais carregado emocionalmente da série. Ela amava genuinamente John Stirling, perdeu-o, e se apaixonou por Michael, o primo dele. Na adaptação da Netflix, Michael se tornou Michaela – interpretada por Masali Baduza -, transformando o triângulo de luto e desejo numa história LGBTQ+ sem abrir mão do peso emocional do original.

Na trama, dois anos após a morte de John, Francesca decide voltar ao mercado matrimonial por razões práticas, até que o retorno de Michaela a Londres para cuidar dos negócios da família coloca em xeque todas as suas intenções racionais.

A atriz Masali Baduza sinalizou, em entrevistas ao Tudum da Netflix, que o objetivo da temporada é mostrar uma visão realista do amor queer na tela – com o compromisso de entregar o final feliz que a franquia sempre prometeu. Para ela e para Hannah Dodd, que interpreta Francesca, ter a showrunner guiando essa jornada foi especialmente significativo justamente pela intenção de fazer algo que vai além do rótulo da representatividade e chega na construção emocional de fato.

Por que agora

Não é acidente que esse anúncio venha logo após a quarta temporada, que trouxe Sophie como a primeira protagonista asiática da série. Bridgerton está, de forma bastante consciente, expandindo o espectro de quem pode ser o centro de uma história de amor numa Regência de fantasia. E o timing diz muito sobre para onde a cultura pop está indo: num momento em que direitos LGBTQ+ voltaram a ser campo de batalha política em vários países, uma das séries mais populares do planeta escolhe colocar um romance sapphic como o coração da sua próxima temporada. Isso não é só entretenimento. É posicionamento.

A temporada ainda não tem data de estreia confirmada, mas as filmagens já estão em andamento nos arredores de Londres.

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