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Diddy é condenado por transporte para prostituição, mas se livra de tráfico sexual: entenda o veredicto

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O veredicto que sacudiu a indústria do hip-hop saiu na tarde desta quarta-feira (2). Sean “Diddy” Combs foi considerado culpado em duas acusações de transporte para fins de prostituição — cada uma com pena máxima de 10 anos — e absolvido das denúncias mais graves, que incluíam duas contagens de tráfico sexual e uma de crime organizado (RICO). Embora tenha escapado da possibilidade de prisão perpétua, o músico e empresário de 55 anos ainda pode passar duas décadas atrás das grades.

A defesa, visivelmente aliviada, pretende obter a liberdade provisória antes da sentença mediante uma fiança de US$ 1 milhão e monitoramento eletrônico. Promotores federais rebatem, alegando risco real de fuga e de intimidação de testemunhas. O juiz Arun Subramanian prometeu analisar a jurisprudência antes de decidir, algo que deve ocorrer nos próximos dias. Caso o pedido seja negado, Combs seguirá detido até a audiência de sentença, prevista para o início de outubro, quando a defesa já planeja entrar com recurso. Paralelamente, o FBI mantém aberta uma investigação por suposta obstrução de justiça e destruição de provas — fatores que podem gerar novos indiciamentos e até alterar o cálculo da pena.

A condenação chegou após um julgamento de oito semanas, marcado por depoimentos de 34 testemunhas que detalharam — em imagens, vídeos e relatos — episódios de violência, “freak-offs” regados a drogas e suborno de seguranças. A promotoria descreveu Combs como líder de um círculo interno que facilitava crimes e acobertava evidências; a defesa rebateu com o argumento de que tudo se resumia a um “estilo de vida swingers” entre adultos consentindo. No fim, o júri acreditou no transporte para prostituição, mas não enxergou coerção suficiente para caracterizar tráfico sexual.

Mesmo que a pena fique aquém das expectativas da acusação, as consequências financeiras já são sentidas: contratos com Diageo, Peloton e Revolt TV foram suspensos desde 2023, e especialistas estimam que as receitas anuais do catálogo Bad Boy — cerca de US$ 50 milhões — podem encolher à medida que cláusulas de moralidade sejam acionadas. A condenação também fortalece as mais de dez ações civis ainda em curso. Para a advogada de direitos das vítimas Lisa Bloom, o resultado “dá tração” aos pedidos de indenização, pois comprova comportamento criminoso.

Do ponto de vista cultural, a queda de Diddy encerra um capítulo de três décadas em que ele personificou o empresário multifacetado: gravadora, moda, bebidas, TV. Agora, o mesmo ecossistema que o consagrou como símbolo de sucesso avalia o que fazer com o legado — e se verá numa encruzilhada caso o juiz opte pela pena máxima.

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