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Elis Lundholm faz história como primeiro atleta trans a competir em Olimpíadas de Inverno

Com 4 medalhas em campeonatos nacionais e estreia na Copa do Mundo em 2024, Lundholm é o único atleta abertamente transgênero em todo o evento

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Enquanto a neve cobre as montanhas de Milão e Cortina d’Ampezzo para os Jogos Olímpicos de Inverno de 2026, um nome sueco está fazendo mais do que apenas descer as pistas – está abrindo caminho na história do esporte. Elis Lundholm, de 23 anos, tornou-se o primeiro atleta abertamente transgênero a competir em uma Olimpíada de Inverno, ao completar a primeira corrida de qualificação no mogul feminino.

O esquiador, que é um homem trans mas compete na categoria feminina por ter nascido designado como mulher e não ter realizado terapia hormonal, chegou às Olimpíadas carregando não apenas os esquis, mas também o peso de ser o único atleta trans assumido em todo o evento.


A jornada de Lundholm até Milão não foi construída da noite para o dia. Natural de Värmdö, município próximo a Estocolmo, ele estreou na Copa do Mundo em 2024, onde conquistou o 18º lugar, e acumula quatro medalhas em campeonatos suecos, incluindo a prata no dual moguls e o bronze no moguls nos Nacionais de 2024. Nos últimos dois anos, emplacou três top-25 em eventos da Copa do Mundo, construindo seu currículo competitivo tijolo por tijolo.

Na corrida de qualificação, Lundholm terminou em 29º lugar entre 30 competidores, o que significa que precisará de um desempenho significativamente melhor para avançar às finais – apenas os dez primeiros passam automaticamente. Independentemente do resultado final nas pistas, sua presença já representa uma marca indelével nos livros olímpicos.

O que torna a situação de Lundholm particularmente singular é que ela escapa do debate mais acirrado sobre atletas trans no esporte feminino. Segundo as regras da Federação Internacional de Esqui e do Comitê Olímpico Internacional, ele é elegível para competir na categoria feminina porque seu gênero registrado no sistema da federação é feminino, independentemente de sua identidade de gênero.


O próprio COI confirmou que sua participação está “de acordo com os critérios de elegibilidade da FIS” e que “Elis Lundholm compete na categoria feminina, que está alinhada com o sexo deste atleta”. Fredrik Joulamo, diretor esportivo do Comitê Olímpico Sueco, expressou apoio total ao atleta, e colegas de equipe têm sido aliados consistentes ao longo de sua carreira. O atleta já declarou que dentro do esqui nunca enfrentou ódio direto, embora esteja ciente do que circula nas redes.

Diante da inevitável exposição que vem com competir no maior palco esportivo do mundo, Lundholm mantém uma postura que mistura consciência e determinação. “Claro que é algo em que pensei. Você pode ouvir as vozes por aí. Mas eu faço minha parte e não dou a mínima”, disse em entrevista ao jornal sueco Aftonbladet. Para ajudá-lo a filtrar o ódio online durante as Olimpíadas, o COI disponibilizou um scanner de inteligência artificial para limpar suas redes sociais.


Vale destacar que estas Olimpíadas de Inverno serão as últimas sob o sistema atual, em que cada esporte define suas próprias regras – novas diretrizes universais são esperadas em breve, com expectativa de critérios mais rígidos relacionados a sexo biológico e níveis de testosterona.

Por ora, Lundholm segue focado no que sabe fazer: esquiar. E no processo, mostra que existir autenticamente e competir no mais alto nível não são coisas mutuamente excludentes.

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