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‘Euphoria’: o casamento que virou um campo minado na terceira temporada
O terceiro episódio da temporada final entrega caos, violência e um tema que atravessa cada personagem: o preço que todo mundo paga para sobreviver
O terceiro episódio da temporada final de Euphoria diz tudo sobre o tipo de escolha narrativa que Sam Levinson faz essa temporada. O pássaro de Laurie morre envenenado no último plano. É uma morte pequena, quase absurda, mas que vai acender uma guerra entre cartéis. Esse é o tom do episódio: coisas aparentemente banais que explodem em câmera lenta, enquanto personagens que deveriam estar comemorando estão, na verdade, se afogando. O casamento de Cassie e Nate finalmente aconteceu, e foi exatamente o desastre que qualquer fã da série já esperava.
Antes de chegar ao casamento, o episódio abre com um flashback sobre como Jules chegou onde chegou. A cena em que Ellis – o cirurgião plástico que se tornou seu único “sugar daddy” – a envolve em plástico filme enquanto murmura que vai “ficar com ela para sempre” é perturbadora de um jeito muito específico: ela transforma Jules literalmente em objeto. É a imagem mais honesta do episódio sobre o tema que atravessa a temporada inteira, que é o quanto cada personagem está vendendo uma versão de si mesmo para sobreviver ou para parecer que está sobrevivendo.
Rue, do seu lado, traficou, foi ao casamento, largou o casamento para envenenar um pássaro com o capanga do Alamo e terminou o dia detida pela DEA. A cena com Cal – que aparece no casamento e confronta Jules sobre o passado – funciona como uma das mais carregadas do episódio, com o ator Eric Dane entregando algo que soa como despedida. Dane faleceu em fevereiro deste ano, o que torna cada aparição de Cal nessa temporada um peso extra.
O casamento em si é campo minado do começo ao fim. A mãe de Cassie entra com ela até o altar jogando alfinetadas. O agiota Naz aparece no meio da festa para cobrar a dívida que Nate acumulou. A cena da dança entre os recém-casados – com Cassie em colapso silencioso enquanto sorri para os convidados – é provavelmente o melhor momento do episódio. Quando o casal chega em casa e Naz está esperando, o que vem a seguir é brutal e completamente absurdo ao mesmo tempo: capangas, escada, sangue, e o dedo mindinho do pé de Nate sendo cortado fora. “Algumas mulheres herdam fortunas, outras herdam dívidas”, diz Naz para uma Cassie encharcada de sangue que claramente nunca imaginou que o casamento dos sonhos terminaria assim.
O problema que a temporada ainda não resolveu
Com três episódios entregues, Euphoria segue numa posição desconfortável. Há momentos genuinamente bons – as atuações do elenco principal são consistentes, a direção de arte continua sendo a melhor da televisão americana, e alguns diálogos chegam a funcionar. Mas o problema que afundou a segunda temporada ainda está presente: a sensação de que Levinson tem cenas específicas que quer entregar, mas não necessariamente sabe como costurá-las num todo coerente.
Que o casamento fosse um desastre, todo mundo sabia. Que Rue virasse agente dupla parece o caminho natural depois da prisão. Que Cassie entre pro OnlyFans para pagar a dívida do marido é uma teoria que o episódio quase confirma. O que a temporada ainda precisa mostrar é se todos esses fios soltos levam a algum lugar ou se o caos é o único destino disponível. Com cinco episódios ainda pela frente, dá para torcer.