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Séries

Final de “Round 6” decepciona: divisão em duas partes e roteiro sem fôlego frustram

Última temporada confima que a série talvez devesse ter parado na primeira leva de episódios

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Poucas séries recentes chegaram à reta final carregando tanta expectativa quanto Round 6. A primeira temporada – violenta, inventiva, cheia de personagens falhos, mas cativantes – parecia uma obra fechada: denunciava desigualdade, discutia moralidade e ainda entregava reviravoltas que grudaram na cultura pop. O sucesso estrondoso, no entanto, transformou o que deveria ter sido um projeto único em uma franquia corrida, esticada em duas continuações que brigam contra o próprio material original. O capítulo derradeiro, lançado agora pela Netflix, escancara o limite dessa empreitada: em vez de concluir a jornada de Gi-hun (o Jogador 456) de forma coerente, aposta em truques de roteiro, diálogos repetitivos e reviravoltas que soam mais como manobras para segurar a audiência do que como passos naturais da história.

O problema começa com a decisão de dividir uma trama só em duas temporadas. A segunda leva passou boa parte dos seus oito episódios apenas reativando tabuleiros, criando expectativas que seriam “resolvidas” mais adiante. Resultado: um hiato de um ano em que o público precisou guardar na memória vários ganchos – para, enfim, descobrir que quase tudo seria resolvido às pressas.


Essa fragmentação afeta diretamente o ritmo; a temporada final investe tempo demais em longas sequências de votação entre jogadores, como se a produção precisasse encher espaço até chegar ao clímax. Ao invés de tensão, nasce tédio: sabemos desde já que os jogos vão acontecer, então por que insistir em cenas estáticas de indecisão que não mudam o resultado nem o status emocional dos participantes?

Quando as disputas finalmente voltam, aparece o pior dos atalhos narrativos: um bebê gerado no meio do torneio – em CGI pouco convincente – tornado símbolo de redenção para Gi-hun. A partir daí, qualquer suspense sobre o desfecho evapora. Nenhuma plataforma de streaming ousaria matar um recém-nascido em horário nobre. Assim, os oito episódios se transformam numa contagem regressiva óbvia, em que resta ao público apenas descobrir qual adulto irá se sacrificar.

A escolha de transformar o protagonista – antes complexo, contraditório, mas interessante – em mártir sem nuance soa injusta para quem acompanhou sua trajetória de sobrevivente relutante. Pior: o arco da filha fora da arena, tão importante no início da série, é quase ignorado, trocado por um instinto paternal inesperado direcionado a um bebê que ele mal conhece.

Os diálogos dos VIPs voltam ainda mais deslocados. Na primeira temporada já era difícil engolir a caricatura desses bilionários espectadores; agora, além de atuações imprecisas, a função do grupo se resume a explicar o óbvio ao público, como comentaristas que narram aquilo que a câmera seria capaz de mostrar sozinha. Em vez de ampliar o subtexto sobre exploração, os figurões ricos viram muleta expositiva – e sem o mínimo charme. Some-se a isso o núcleo do policial, que persegue a mesma pista durante 14 episódios e tem sua conclusão reduzida a um anticlímax preguiçoso, e temos uma temporada que parece escrita às pressas, na esperança de que uma “grande sacada” surgisse milagrosamente no meio do caminho. Ela não veio.


Ainda há lampejos do que tornou Round 6 especial: alguns jogos mantêm a criatividade macabra, o elenco coreano continua comprometido e a trilha sonora reforça a atmosfera de ameaça infantilizada. Só que bons momentos se perdem num mar de decisões que parecem guiadas mais pela planilha de retenção de assinaturas que por um plano dramático consistente.

No fim, a série tenta compensar a ausência de fechamento jogando uma cena-gancho sobre possíveis versões ocidentais dos jogos – quase um convite a futuros spin-offs. Em vez de refletir sobre a sociedade que inspirou seu fenômeno global, Round 6 encerra correndo em direção a potencial franquia, deixando para trás o comentário social afiado que a consagrou.

O resultado é frustrante porque confirma o temor de muitos fãs: nem todo sucesso precisa de continuação, e às vezes abandonar o tabuleiro na hora certa é o movimento mais inteligente. A Netflix apostou que o público seguiria ligado independentemente da coerência narrativa, e até certo ponto acertou – a curiosidade levou muita gente ao play. Mas terminar uma história exige coragem para dar sentido às próprias apostas. A última temporada de Round 6 mostra que, quando a balança pesa mais para o cálculo corporativo do que para o risco artístico, o jogo perde o valor – não importa quantos bilhões estejam na bolada final.

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“Off Campus”: o que significa a tatuagem nas costas de Garrett?

Ideia do ator Belmont Cameli, a frase em latim nas costas do personagem carrega uma história real

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Se você maratonou Off Campus na Prime Video e ficou olhando fixo pra tela tentando decifrar o que estava escrito nas costas do Garrett Graham, bem-vindo ao clube. A frase em latim que aparece nos ombros do personagem – “Nullum Gratuitum Prandium” – é uma adição completamente nova à história, foi ideia do próprio ator Belmont Cameli e tem uma conexão direta com a vida real dele.

Nos livros de Elle Kennedy nos quais a série é baseada, Garrett tem uma tatuagem de fogo no bíceps. Para a adaptação, Cameli propôs a troca pela frase em latim estampada nas omoplatas com a frase “não existe almoço grátis”, traduzindo livremente. A frase era o mantra da equipe de luta livre do colégio dele. Dá pra entender por que colou tão bem no personagem.


O detalhe mais inteligente, porém, está na lógica de posicionamento da tattoo. Quando Garrett veste o uniforme de hóquei, o que aparece é o sobrenome Graham, carregando todo o peso do pai famoso. Quando tira o uniforme, o que fica na pele é o mantra. É a diferença entre a versão que o mundo enxerga e a versão que ele sabe que é verdade. Para quem assistiu a temporada inteira, essa simbologia bate forte.

A tatuagem ainda funciona como antecipação sutil do final. Quando o pai de Garrett parabeniza o filho por ter iniciado a briga e diz que ele é igualzinho a ele, está falando do “Graham” que o mundo vê. A resposta de Garrett, cortando o pai no meio da frase, é exatamente o mantra em ação. Nada de herança. Tudo conquistado. E, por falar em conquistas reais, Cameli tem uma tatuagem de verdade na coxa em referência ao álbum favorito dele do The National, Trouble Will Find Me. O homem leva tatuagem a sério, tanto na ficção quanto fora dela.

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“Off Campus: Amores Improváveis” é exatamente o que uma série de romance deveria ser

A adaptação da saga de Elle Kennedy chega ao Prime Video e entrega o romance universitário que os fãs mereciam – com algumas surpresas no caminho

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Off Campus: Amores Improváveis chegou ao Prime Video no dia 13 de maio com todos os oito episódios da primeira temporada disponíveis de uma vez – o que, convenhamos, foi ao mesmo tempo um presente e uma cilada, porque ninguém parou depois do segundo. A série criada pela showrunner Louisa Levy adapta O Acordo, primeiro livro da saga da autora canadense Elle Kennedy, e acompanha Hannah Wells (Ella Bright), estudante de música da fictícia Universidade Briar, e Garrett Graham (Belmont Cameli), capitão do time de hóquei que vai mal em filosofia. Os dois fazem um acordo: ela o ajuda a recuperar as notas, ele a ajuda a conquistar o músico Justin. Quem já leu o livro sabe exatamente onde isso vai parar. Quem não leu, percebe no fim do primeiro episódio.

A grande aposta de Off Campus é química, e ela entrega. Belmont Cameli e Ella Bright têm uma interação que não parece fingida – cada troca entre Garrett e Hannah parece genuína, um pouco desajeitada do jeito certo, sem o esforço visível que às vezes aparece em adaptações de romance quando os atores tentam demais convencer.


A direção aposta em planos médios e reações, deixando os rostos contarem mais do que os diálogos, o que funciona muito bem nos momentos de tensão não resolvida, que são muitos. A série também acerta ao construir o universo do hóquei e da música de forma equilibrada, sem deixar nenhuma das duas ficar em segundo plano. Hannah tem uma jornada própria com a composição que vai além de ser a garota que o protagonista gosta, e isso faz diferença.

As mudanças em relação ao livro: o que funcionou

Quem leu O Acordo vai notar as diferenças logo nas primeiras cenas. O Justin dos livros era jogador de futebol americano; na série, ele é músico e lidera a banda After Hours, o que dá muito mais coerência ao interesse de Hannah por ele. O primeiro beijo de Hannah com outra pessoa também muda – no livro era com um personagem sem peso na trama, na série é com Logan, que tem um crush não resolvido pela protagonista, criando uma camada a mais para a temporada toda.


A série também antecipa o desenvolvimento de Dean e Allie, casal do terceiro livro da franquia, o que dividiu os fãs: parte ficou animada em ver mais desse casal logo, outra parte sentiu que isso tira o protagonismo que seria deles na terceira temporada. A questão é que a dinâmica entre eles é tão boa que é difícil reclamar muito enquanto assiste.

Off Campus não desvia dos temas difíceis do livro. O passado de Hannah, que foi drogada e estuprada no ensino médio, é tratado com cuidado e tempo de tela suficiente, o que de fato acrescente boas camadas aos episódios. A série conecta esse trauma diretamente à dificuldade da personagem de acessar a música pop e escrever letras, uma mudança em relação ao livro que aprofunda quem Hannah é antes mesmo de Garrett entrar na história.


Garrett também carrega o peso de um pai abusivo e o medo de repetir padrões – e a cena em que os dois confrontam essas questões juntos é um dos pontos mais fortes da temporada. O diálogo pode soar truncado em alguns momentos, e isso é verdade em alguns episódios do meio da temporada, mas raramente atrapalha o ritmo geral.

O que vem pela frente

Já renovada para a segunda temporada antes mesmo da estreia, Off Campus deixa bastante material aberto para o futuro. A introdução de Grace Ivers (India Fowler, anunciada para a próxima temporada) sugere que Logan e sua história com a personagem do segundo livro da saga devem ser o foco a seguir. Dean e Allie também terminam a temporada num ponto que pede continuação urgente.


A série claramente foi pensada no modelo antológico ao estilo Bridgerton – cada casal ganha seu momento, mas os personagens não desaparecem depois. Se Off Campus mantiver essa qualidade de construção de elenco secundário, o modelo pode funcionar muito bem. Por ora, Hannah e Garrett entregaram o suficiente para garantir que a gente vai estar aqui quando a segunda temporada chegar.

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Terceira temporada de ‘Euphoria’: o que aconteceu com Rue no final do quinto episódio?

O episódio colocou Rue na situação mais extrema da série até agora, e ainda encontrou espaço para uma sequência com Cassie em proporções gigantescas

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ALERTA DE SPOILERS

O quinto episódio da terceira temporada de Euphoria, exibido na noite de domingo (11) pela HBO e Max, terminou com Rue Bennett enterrada até o pescoço enquanto Alamo galopava em sua direção a cavalo – e a cena cortou para o preto. A pergunta “será que ela sobrevive?” passou o resto da madrugada circulando em cada canto da internet.

Ao longo do episódio, Rue segue tentando equilibrar sua atuação como informante da DEA com a rotina cada vez mais tensa no clube de Alamo. Quando Magick encontra drogas que ela havia escondido anteriormente, Alamo começa a desconfiar de sua lealdade. A partir daí, é uma contagem regressiva.


Bishop e G levam Rue para um local isolado e a obrigam a cavar uma espécie de cova. Na manhã seguinte, Alamo aparece a cavalo, segurando um taco de polo, galopando em direção à cabeça dela enquanto ela grita. Ainda restam três episódios na temporada, incluindo um finale que a HBO promete ser o mais longo da história da série – e a sensação de risco nunca pareceu tão real quanto aqui.

Enquanto Rue cavava sua potencial sepultura, o episódio entregou uma das sequências mais radicais da história de Euphoria. Cassie literalmente cresce até proporções gigantescas depois de encarar o fluxo interminável de pedidos online, pisando em uma versão falsa de Los Angeles num figurino de oncinha rasgado. Maddy, por sua vez, surge cada vez mais calculista, pressionando Cassie a assinar contratos e avançando sua carreira de atuação sem deixar a emoção atrapalhar o plano de negócios.

O que vem a seguir

Com três episódios restantes, Euphoria chegou ao ponto sem volta da temporada. Rue está encurralada entre a DEA, Alamo e os próprios sentimentos por Jules. Cassie está perdida entre a fama, Nate e a ilusão de que Brandon Fontaine representa algo real. E Maddy, que passou duas temporadas sendo tratada como coadjuvante, surge como a personagem mais estratégica da história – o que a série demorou três temporadas para mostrar com clareza.

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