Música
Grammy 2026: Sabrina Carpenter, Kendrick Lamar e Lady Gaga lideram indicações
Kendrick Lamar lidera as indicações ao Grammy 2026 com nove nomeações e chega à temporada como o grande favorito, depois do domínio absoluto que teve no ano passado com Not Like Us. Desta vez, ele entra com o álbum GNX e o single Luther, parceria com SZA, disputando as principais categorias – álbum, gravação e canção do ano – e consolidando uma nova fase em que o rap deixa de ser “intruso” e passa a ocupar o centro da indústria.
Logo atrás, Lady Gaga retorna em modo titânico, com sete indicações pelo álbum Mayhem e o single Abracadabra. Bad Bunny, Sabrina Carpenter e Leon Thomas aparecem com seis indicações cada. A lista também marca uma virada irresistível: Golden, da franquia animada Guerreiras do K-Pop, aparece entre as composições do ano e leva o K-pop – até em versão avatar – direto ao coração da Academia. Já APT., de Rosé e Bruno Mars, amplia a presença global nas categorias principais.
Veja a lista completa:
Álbum do Ano
- Debi Tirar Más Fotos — Bad Bunny
- Swag — Justin Bieber
- Man’s Best Friend — Sabrina Carpenter
- Let God Sort ‘Em Out — Clipse, Pusha T, Malice
- Mayhem — Lady Gaga
- GNX — Kendrick Lamar
- Mutt — Leon Thomas
- Chromakopia — Tyler, The Creator

Gravação do Ano
- DtMF — Bad Bunny
- Manchild — Sabrina Carpenter
- Anxiety — Doechii
- Wildflower — Billie Eilish
- Abracadabra — Lady Gaga
- Luther — Kendrick Lamar & SZA
- The Subway — Chappell Roan
- Apt. — Rosé & Bruno Mars
Música do Ano
- Golden — HUNTR/X: EJAE, Audrey Nuna, Rei Ami (KPop Demon Hunters)
- Luther — Kendrick Lamar & SZA
- Manchild — Sabrina Carpenter
- Wildflower — Billie Eilish
- DtMF — Bad Bunny
- Abracadabra — Lady Gaga
- Anxiety — Doechii
- Apt. — Rosé & Bruno Mars
Artista Revelação
- Olivia Dean
- Katseye
- The Marias
- Addison Rae
- sombr
- Leon Thomas
- Alex Warren
- Lola Young
Melhor Álbum de Música Urbana
- Debi Tirar Más Fotos — Bad Bunny
- Mixteip — J Balvin
- Ferxxo Vol x: Sagrado — Feid
- Naiki — Nicki Nicole
- EUB Deluxe — Trueno
- Sinfonico (En Vivo) — Yandel
Melhor Álbum de R&B
- Beloved — Giveon
- Why Not More? — Coco Jones
- The Crown — Ledisi
- Escape Room — Teyana Taylor
- Mutt — Leon Thomas
Melhor Álbum de Rap
- Let God Sort ‘Em Out — Clipse, Pusha T & Malice
- Glorious — GloRilla
- God Does Like Ugly — JID
- GNX — Kendrick Lamar
- Chromakopia — Tyler, The Creator
Melhor Álbum de Rock
- private music — Deftones
- I Quit — Haim
- From Zero — Linkin Park
- Never Enough — Turnstile
- Idols — Yungblud

Melhor Álbum de Pop Vocal
- Swag — Justin Bieber
- Man’s Best Friend — Sabrina Carpenter
- Something Beautiful — Miley Cyrus
- Mayhem — Lady Gaga
- I’ve Tried Everything But Therapy (Part 2) — Teddy Swims
Melhor Performance Pop Solo Vocal
- Daisies — Justin Bieber
- Manchild — Sabrina Carpenter
- Disease — Lady Gaga
- The Subway — Chappell Roan
- Messy — Lola Young
Melhor Performance Pop Duo/Grupo
- Defying Gravity — Cynthia Erivo & Ariana Grande
- Golden — HUNTR/X: EJAE, Audrey Nuna, Rei Ami (KPop Demon Hunters)
- Gabriela — Katseye
- APT. — Rosé & Bruno Mars
- 30 for 30 — SZA & Kendrick Lamar
Melhor Álbum Dance/Eletrônico
- Eusexua — FKA Twigs
- Ten Days — Fred Again..
- Fancy That — PinkPantheress
- Inhale / Exhale — Rüfüs Du Sol
- F** U Skrillex You Think Ur Andy Warhol But Ur Not!! <3* — Skrillex
Música para Mídia Visual
- As Alive As You Need Me To Be — Trent Reznor & Atticus Ross (Tron: Ares)
- Golden — HUNTR/X: EJAE, Audrey Nuna, Rei Ami (KPop Demon Hunters)
- I Lied to You — Sinners
- Never Too Late — Elton John & Brandi Carlile (Elton John: Never Too Late)
Melhor Álbum de Country Tradicional
- Dollar a Day — Charley Crockett
- American Romance — Lukas Nelson
- Oh What a Beautiful World — Willie Nelson
- Hard Headed Woman — Margo Price
- Ain’t In It For My Health — Zach Top
Melhor Álbum de Country Contemporâneo
- Patterns — Kelsea Ballerini
- Snipe Hunter — Tyler Childers
- Evangeline vs. The Machine — Eric Church
- Beautifully Broken — Jelly Roll
- Postcard From Texas — Miranda Lambert
Produtor do Ano (Não-Clássico)
- Dan Auerbach
- Cirkut
- Dijon
- Blake Mills
- Sounwave
Compositor do Ano (Não-Clássico)
- Amy Allen
- Edgar Barrera
- Jessie Jo Dillon
- Tobias Jesso Jr.
- Laura Veltz
Música
O show histórico de Olivia Rodrigo em Barcelona virou debate por causa de um babydoll
A polêmica em torno do look babydoll da cantora em Barcelona escancarou, mais uma vez, o campo minado que é ser uma mulher no pop
No último dia 8 de maio, Olivia Rodrigo subiu ao palco do Teatre Grec, em Barcelona, para um show íntimo e absolutamente histórico: o Spotify reuniu 1.500 superfãs selecionados pelo próprio aplicativo para celebrar os nove singles da cantora que ultrapassaram 1 bilhão de streams na plataforma – entre eles Drivers License, Good 4 U, Deja Vu, Vampire e Jealousy, Jealousy. A cantora recebeu placas comemorativas, tocou 14 músicas em menos de uma hora e ainda apresentou ao vivo drop dead, o primeiro single do seu terceiro álbum, you seem pretty sad for a girl so in love. Era, por qualquer ângulo que você olhasse, uma noite de celebração. Mas o que foi mais falado no dia seguinte não foi nada disso.

Para a ocasião, Rodrigo escolheu um babydoll blouse da marca Génération78, da coleção “Crush Loves Drama”, combinando com bloomers e botas cano longo. O look era coerente com a estética que ela vem construindo no ciclo do novo álbum – uma espécie de femininidade caótica, igual partes Courtney Love e boneca de porcelana. Só que parte da internet decidiu que o vestido era, na verdade, uma peça problemática.
Nos comentários do X e do Instagram, usuários afirmaram que a silhueta frisada “infantilizava e sexualizava” a cantora de 23 anos ao mesmo tempo, uma lógica que, se você parar pra pensar, é basicamente impossível de vencer. Tinha gente comparando o vestido a roupinha de bebê, outros dizendo que era “inapropriado”. O show em si ficou em segundo plano.
O que aconteceu com Olivia é o mesmo roteiro que a gente vê se repetir há décadas com mulheres no pop. Quando Billie Eilish apareceu no início da carreira coberta de roupas largas, foi criticada por não “se vestir como menina”, e precisou ir a público explicar que usava roupas assim justamente para escapar da objetificação. Em uma campanha da Calvin Klein em 2019, ela disse que ninguém poderia opinar sobre o corpo dela porque não havia visto o que estava por baixo.
Existe um padrão duplo tão escancarado que já seria quase engraçado se não fosse tão cansativo. Justin Bieber se apresentou no Grammy usando apenas boxers e meias, e a leitura foi de que era uma performance “sem roupa”, corajosa, simbólica. Adam Sandler aparece em premiações de pijama e o mundo inteiro acha fofo. Mas uma mulher de 23 anos aparece num vestido florido numa festa de streaming em Barcelona, e a conversa vira sobre inadequação. O que a roupa da Olivia Rodrigo revelou não foi nada sobre a Olivia Rodrigo – foi o quanto ainda é fácil transformar o visual de uma mulher num debate público.
No fim, o que importaria discutir é o seguinte: ela foi até Barcelona com nove singles bilionários e um novo álbum na manga. Deu um show de 14 músicas que deixou os 1.500 presentes sem voz. Isso é o que aconteceu. O vestido é só um vestido.
Música
Shakira se assusta com máscara de Piqué em show; veja o vídeo
No meio da turnê mais lucrativa da história da música latina, uma fã levantou uma máscara do ex-jogador durante a música que ele inspirou
Shakira estava cantando a BZRP Music Sessions #53 – aquela em que ela literalmente processa o fim do casamento em versos afiados – quando uma fã na plateia levantou uma máscara do ex-marido Gerard Piqué com olhos flamejantes, língua vermelha comprida e chifres de diabo. A reação de Shakira foi de susto genuíno, e o vídeo não demorou nada para tomar as redes sociais.
O momento aconteceu durante a passagem da turnê por El Salvador, onde Shakira fez cinco noites no Estadio Nacional Jorge “Mágico” González em San Salvador, parte da segunda etapa da Las Mujeres Ya No Lloran World Tour. A turnê já se tornou a mais lucrativa da história da música latina: mais de 421 milhões de dólares arrecadados até março de 2026 e mais de 3,3 milhões de pessoas no público.
Não foi a primeira vez nesta semana que o nome do ex veio à tona. No sábado (2) durante o evento Todo Mundo no Rio na Praia de Copacabana, parte da plateia reagiu com gritos direcionados ao ex-jogador depois de um discurso de Shakira sobre mães solteiras. A separação, anunciada em junho de 2022 após reportagens da imprensa espanhola sobre uma suposta traição, virou combustível criativo para Monotonía, TQG com Karol G e a sessão com Bizarrap – e aparentemente ainda não saiu do radar do público.
A turnê segue até outubro de 2026, com encerramento em Madri.
Música
Por que o Brutal Paraíso de Luísa Sonza dividiu o público
Com 23 faixas e 67 minutos de duração, o quinto álbum da artista gaúcha chegou com tudo – campanha intensa, Coachella e um conceito ambicioso – e ainda assim não emplacou como Escândalo Íntimo
Quando Brutal Paraíso chegou às plataformas no dia 7 de abril, a expectativa era enorme. Luísa Sonza tinha acabado de se consolidar como um dos maiores nomes do pop brasileiro, ainda na esteira do recorde histórico de Escândalo Íntimo – mais de 15 milhões de streams nas primeiras 24 horas no Spotify Brasil. Três anos depois, o quinto álbum de estúdio da artista gaúcha estreou com pouco mais de 2,5 milhões de reproduções no mesmo período, com 13 faixas entrando no Top 200 da plataforma. Os números não são ruins. Mas a comparação foi inevitável – e cruel.

Parte da recepção morna tem menos a ver com o álbum em si e mais com o contexto que cerca a figura pública de Luísa. Desde os tempos de relacionamento com Whindersson Nunes, passando pelo caso de racismo envolvendo a advogada Isabel Macedo de Jesus em 2018 – que a artista demorou para reconhecer publicamente -, até a cena no programa da Ana Maria Braga após a traição do Chico Moedas logo depois do lançamento de Escândalo Íntimo, a imagem da Luísa carrega um peso que boa parte dos outros artistas brasileiros simplesmente não tem. Não é que as polêmicas sejam novas. É que elas criaram uma régua diferente: qualquer tropeço do álbum vira amplificado, qualquer defesa vira suspeita de marketing.
Isso ficou visível no próprio lançamento. Enquanto o álbum chegava às plataformas, a cantora estava respondendo críticas e engajando em discussões no X, comportamento que uma parcela do público leu como combativo aos próprios fãs e que ajudou a esquentar um ambiente que já estava acirrado antes da primeira faixa tocar.

Ambição sem corte
Mas seria injusto colocar tudo na conta da polêmica. Brutal Paraíso tem problemas estruturais reais. Com 23 faixas e 67 minutos de duração, o álbum é ambicioso a ponto de se perder. A proposta de dividir o projeto em três blocos sonoros – abertura com influências de bossa nova e MPB, meio de funk e pop dançante, reta final melancólica e introspectiva – funciona no papel, mas na prática cria uma experiência fragmentada. Quando você chega nas baladas reflexivas da terceira parte, a fadiga de escuta já deu o ar da graça.
A faixa de abertura, Distrópico – que brinca com “distópico” e “trópico” para anunciar a dualidade do disco -, prometia um álbum amarrado em torno da tensão entre paraíso e brutalidade. Essa ideia, porém, só aparece de forma explícita na faixa-título, de oito minutos, que encerra o trabalho. Os outros 22 tracks navegam por temas e estéticas sem que o fio conceitual apareça com clareza suficiente para sustentar a jornada.
O que funciona – e muito
Isso não quer dizer que Brutal Paraíso seja um álbum ruim. Longe disso. Fruto do Tempo, com sample de Caetano Veloso, é uma das melhores faixas que Luísa já lançou. Telefone tem um gancho irresistível, ainda que termine antes de você querer que termine. Tu Gata, com Sebastián Yatra, entrega exatamente o que promete. E a faixa-título em si é genuinamente emocionante – uma carta de oito minutos onde a artista olha para a própria carreira, para tudo que viveu e sobreviveu, com uma vulnerabilidade difícil de ignorar.
Há algo genuíno na origem do projeto: a ideia de que o paraíso não some, mas se revela brutal. O que falta é essa sinceridade atravessar o álbum inteiro com a mesma intensidade.
Brutal Paraíso é o álbum de uma artista que claramente cresceu, que ouviu jazz, que tem referências e que não quer mais ser encaixada numa caixinha. E crescer custa – especialmente quando ninguém corta. Se Escândalo Íntimo funcionou apesar das polêmicas foi porque o disco era redondo, direto e cheio de momentos que prendiam: Campo de Morango, Chico, Penhasco – Parte 2... Aqui, a Luísa apostou em ambição e entregou um projeto maior do que precisa ser. Com dez faixas a menos, Brutal Paraíso poderia facilmente ser o melhor álbum da carreira dela. Como está, tem muito a dizer – e às vezes não deixa ninguém ouvir.
