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Por que “Superman” funciona mesmo num mundo saturado

Superman emociona ao virar símbolo de empatia num mundo viciado em sarcasmo

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Longe do cinismo que domina as redes, os portais de notícia e o rolar infinito do Instagram, o novo Superman resgata um ideal quase esquecido: gentileza como força, heroísmo simples e, sim, salvar um esquilo no meio do caos. David Corenswet interpreta um Superman inseguro, sufocado, mas que acredita que se importar com os outros ainda é, de certa forma, um ato revolucionário.

A crítica se dividiu: alguns chamaram o filme de “infantil e politizado”, enquanto outros elogiaram a aposta em esperança e bondade. No site de avaliação Rotten Tomatoes, 84% de aprovação da crítica e impressionantes 95% do público nas primeiras exibições.

O clima do longa segue o que muitos chamam de “nova sinceridade” — um movimento que rejeita a ironia como linguagem padrão e abraça emoções reais. É quase como reencontrar o cinema de herói clássico, sem precisar esconder os sentimentos atrás de frases debochadas.

O mundo grita, e o filme escuta
Gunn optou por não contar mais uma vez a origem do herói. Em vez disso, vemos um Superman já em ação, enfrentando vilões – e também comentaristas de internet. Trolls são retratados como macacos digitando sem parar — uma metáfora certeira sobre a dificuldade de se manter gentil em tempos tão barulhentos. No fundo, o filme pergunta: será que cuidar de uma vida não é, hoje, o ato mais radical de todos?

E não para por aí. Tem uma cena delicada com a Supergirl cuidando do Krypto, o cachorro, enquanto Clark demonstra empatia até com quem nem conhece. Pode parecer detalhe, mas é justamente isso que dá peso ao filme: a escolha de ser vulnerável, e não indiferente.

O tom incomodou? Um pouco. Mas funcionou.
Alguns acharam o ritmo estranho, os efeitos visuais exagerados e o roteiro com ideias demais. E sim, a cena final foi acusada de sentimentalismo. Mas a maioria concorda: esse Superman troca o sarcasmo pela emoção — e isso toca de verdade. Até Kevin Feige, chefão da concorrente Marvel, elogiou o filme e a atuação de Corenswet como “brilhante”.

E por que isso importa? Porque, no meio da exaustão coletiva, o Superman vem lembrar que ainda dá pra acreditar em alguma coisa — além de explodir vilões e correr atrás de bilheteria. Ser sincero hoje exige coragem de se expor de verdade, sem escudo de ironia. E foi aí que entendi: a graça da sinceridade está justamente em causar um certo desconforto — mas ser genuína no meio disso tudo.

No fim das contas
Superman mostra que o cinema pode ser doce, político e ainda assim heroico. Em tempos em que qualquer sinal de positividade é tratado com desconfiança, um filme que entrega gentileza como forma de resistência merece palmas.

Minha conclusão? Guardar um pouco mais o sarcasmo e dar espaço pra vulnerabilidade.

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