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Por que Toy Story 5 dói mais nos adultos do que nas crianças?

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rinta e um anos separam o primeiro Toy Story do quinto, e a Pixar usou esse intervalo todo para calibrar exatamente o que dói mais em 2026. Não é pouca coisa. A franquia que nasceu falando sobre o medo de ser esquecido chegou ao seu capítulo mais atual enfrentando a versão contemporânea do mesmo problema: crianças que trocaram os brinquedos pelas telas e adultos que já nem se lembram quando fizeram o mesmo.

A grande aposta do roteiro, assinado por Andrew Stanton — o mesmo de Nemo e Wall-E — é colocar Jessie no centro pela primeira vez desde Toy Story 2. Woody e Buzz continuam presentes, mas é a cowgirl, carregando ainda o trauma de ter sido abandonada por Emily na adolescência, quem conduz a história quando Bonnie, agora com oito anos, ganha de presente um tablet infantil chamado Lilypad (com voz de Greta Lee). O que começa como uma solução dos pais para ajudar a filha a fazer amigos rapidamente vira o pesadelo familiar que qualquer adulto com memória reconhece: a criança sai do mundo real, entra numa tela e praticamente desaparece. O filme não é sutil sobre isso, e nem precisa ser.


O que torna Toy Story 5 diferente de um episódio de Black Mirror com animação fofa é o cuidado com que trata a tecnologia. Lilypad não é vilã — e o filme tem esperteza suficiente para não ir pelo caminho fácil da tela como inimiga. A Pixar entende que não existe mais audiência que não viva dentro de uma tela, então a escolha foi outra: mostrar que o problema nunca foi o dispositivo, mas o que ele substitui quando ocupa espaço demais. Jessie não precisa destruir o tablet para ganhar. Precisa encontrar uma forma de existir ao lado dele.

O que fica de Toy Story 5 para quem cresceu com a franquia não tem muito a ver com crianças. Tem a ver com o quanto a gente, adultos cronicamente online, também parou de brincar. A cena em que Jessie descobre que deixou uma marca permanente em Emily — que aquela infância virou o nome da filha dela anos depois — é o tipo de coisa que a Pixar coloca de contrabando em meio às piadas. A crítica da New York Times apontou que dá para ouvir o tempo passando nas vozes de Tom Hanks e Joan Cusack, e é verdade: há algo genuinamente emocionante em escutar esses personagens soarem diferentes, mais velhos, depois de 31 anos. O subtexto do filme é que tudo deixa marca, que nenhum brinquedo ficou num quarto à toa, e que a nostalgia é menos sobre o passado e mais sobre o que a gente carrega disso pra frente.


Toy Story 5 traz uma história que consegue falar de telas sem soar como uma carta no final de algum documentário sobre redes sociais pedindo pra você ir lá fora e largar o celular. A Pixar entregou o que prometia: uma razão real para largar as telas por 102 minutos, o que é ironicamente a coisa mais difícil de pedir em 2026, né!?

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