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Selena Gomez e Miley Cyrus: como terminou a “rivalidade” que nunca existiu

Do triângulo com Nick Jonas ao abraço no especial de Hannah Montana, a história de uma relação que sobreviveu a si mesma

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Quando Selena Gomez pisou no set do especial de Hannah Montana e tirou da cabeça o fedora vermelho da personagem Mikayla – a rival pop de Hannah -, o gesto tinha muito mais camadas do que nostalgia. Era o encerramento de uma narrativa que durou quase duas décadas: a da suposta rivalidade entre ela e Miley Cyrus, duas das maiores estrelas que o Disney Channel já produziu. No reencontro, as duas trocaram elogios, riram juntas dos bastidores das gravações e encerraram o especial com um abraço. Para quem acompanhou essa história desde o começo, o momento valeu mais do que qualquer discurso de reconciliação.

Como tudo começou?

Para entender o que Miley e Selena precisaram superar, é preciso voltar a 2006. As duas eram adolescentes dentro do mesmo ecossistema – estrelas em ascensão da Disney, cercadas pelas mesmas pessoas, nos mesmos eventos, disputando os mesmos holofotes. No centro dessa configuração explosiva, surgiu Nick Jonas.

Miley Cyrus, Selena Gomez e Nick Jonas formaram um dos triângulos amorosos mais comentados daquela geração, com uma história que envolve músicas indiretas, rivalidade reforçada pela mídia e um crush compartilhado. O relacionamento de Miley com Nick foi o primeiro capítulo; quando ele acabou, a presença de Selena ao lado do cantor virou combustível para uma narrativa que a mídia abraçou com entusiasmo. A imprensa fez o que sempre faz nessas situações: escolheu dois lados e criou um combate.


O problema é que combate de verdade nunca rolou. Selena, em entrevistas, confessou que ambas nutriam sentimentos pelo mesmo garoto, reforçando que não houve briga de fato, mas admitindo que o clima era de tensão. É uma distinção importante: tensão adolescente num ambiente de trabalho altamente competitivo é uma coisa. Rivalidade declarada é outra.

A mídia tratou as duas como sinônimos, e as meninas – com 15, 16 anos, vivendo sob pressão constante – absorveram parte disso. Selena esclareceu em 2016 que nunca houve uma briga real, comparando o episódio a rivalidades adolescentes passageiras, como as de Hilary Duff e Lindsay Lohan.

O que aconteceu nos anos seguintes foi menos dramático do que a internet gosta de imaginar, mas não foi invisível. Miley e Selena seguiram trajetórias paralelas, ambas saindo da Disney, ambas construindo identidades artísticas próprias, ambas atravessando crises pessoais intensas que pouquíssima gente consegue compreender de fora.

A relação entre as duas acabou se enfraquecendo, passando por altos e baixos, sem nunca se transformar em algo declaradamente rompido. Enquanto isso, Demi Lovato – a terceira do triângulo original da geração Disney – ia deixando claro em entrevistas que sua proximidade era muito mais com Miley do que com Selena, reforçando indiretamente que os grupos tinham se reorganizado com o tempo.

O grande retorno

A virada começou a acontecer de forma gradual. Em 2020, durante lives no Instagram, as duas trocaram elogios e falaram sobre saúde mental, sinalizando que qualquer tensão pertencia ao passado. Depois, vieram gestos menores que foram somando peso: em 2023, as duas lançaram músicas no mesmo dia e escolheram usar isso como promoção mútua em vez de competição.


A reaproximação ganhou uma cena concreta no Oscar de 2025: Selena Gomez e Miley Cyrus passaram horas conversando na cerimônia, descobrindo afinidades entre seus parceiros – ambos músicos – e a noite terminou com a proposta de um jantar a quatro, na casa de Selena e Benny Blanco.

Então veio o especial de Hannah Montana, e veio o abraço. As duas encerraram o reencontro com um abraço que, segundo quem estava presente, aconteceu com as câmeras já “esquecidas”.

O que a história de Miley e Selena revela, no fim, não é sobre Nick Jonas nem sobre a Disney. É sobre o que acontece quando duas pessoas crescem dentro de uma máquina que lucra com conflito, e ainda assim conseguem sair do outro lado sem se destruir. A indústria tentou transformar as duas em inimigas porque inimigas vendem. Elas preferiram virar adultas.

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