Séries
“Stranger Things 5”: o que podemos esperar da nova temporada
A temporada final promete ser o maior evento da Netflix — com teorias, lágrimas e um adeus épico a Eleven
Quando se trata de encerrar uma era, Stranger Things nunca brinca em serviço. A quinta e última temporada da série será, segundo seus criadores Matt e Ross Duffer, o maior evento da Netflix – e talvez o último grande fenômeno coletivo do streaming. Em entrevistas à Variety e à TIME, os irmãos revelaram bastidores, pistas e emoções que transformaram o set em um verdadeiro campo de nostalgia e despedida.
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A história começa 18 meses depois dos eventos da quarta temporada. Hawkins está coberta de neve, em pleno Natal, e o desaparecimento de Will Byers volta a ecoar – como se o pesadelo do início estivesse prestes a se repetir. Os Duffers chamam essa fase de “a mais cíclica da série”: tudo que começou em Hawkins termina em Hawkins. O terror, o laboratório, os rádios e o frio voltam, agora mais sombrios e simbólicos.

Mas o que mais chama atenção é o escopo cinematográfico. Nada de pensar em episódios: os Duffers planejaram Stranger Things 5 como “quatro filmes e um epílogo”. Cada capítulo custou entre 50 e 60 milhões de dólares, com o último ultrapassando as duas horas de duração. É uma escala digna de Game of Thrones e o maior investimento da Netflix desde The Crown.
E foi no meio dessa grandiosidade que veio a cena mais comentada do set. Em um dos episódios – chamado Feiticeiro -, Eleven aparece caída num laboratório destruído, cercada por vidro quebrado e sangue escorrendo do nariz. A câmera corta antes de revelar quem se aproxima. Ao serem questionados, os Duffers apenas disseram: “As pessoas terão opiniões fortes sobre o final.” Bastou para o fandom entrar em pânico: será essa a última cena da heroína?

Enquanto as teorias explodem, novos personagens entram em jogo. A misteriosa Doutora K, interpretada por uma atriz ainda mantida em sigilo, lidera o grupo paramilitar Wolf Pack, encarregado de caçar Eleven. A trama resgata o clima da primeira temporada, com o governo americano assumindo novamente o papel de vilão – só que agora em escala nacional. O conflito entre o sobrenatural e o poder institucional promete ser um dos eixos centrais.
E entre o drama e a esperança, Max Mayfield (Sadie Sink) desperta do coma e volta ao centro da história. Segundo os Duffers, “se fôssemos matá-la, já teria acontecido”. O retorno de Max traz força emocional à relação com Eleven — um laço que se torna o espelho do trauma coletivo do grupo. O velho rádio de Hawkins reaparece como símbolo de reconexão: o passado voltando para cobrar respostas.
O tom geral é de fechamento de ciclo. A série revisita imagens-chave – Eleven submersa, o Demogorgon, o som dos rádios – para construir o que os criadores chamam de “loop emocional”: uma narrativa que começa e termina no mesmo ponto, mas com novos significados. Hawkins é o espelho do crescimento, e talvez do fim da inocência.

Inspirados por Six Feet Under, The Sopranos e Friday Night Lights, os Duffers prometem um desfecho emocional, trágico e ambíguo – algo entre o luto e o renascimento. Espera-se uma homenagem aos personagens que partiram – Barb, Bob, Billy, Chrissy e Eddie – e um encerramento aberto à interpretação.
Nas gravações, a emoção era tão intensa que os últimos 40 minutos foram quase sem atuação: o elenco realmente chorava. “Cada episódio parecia um adeus a alguém”, disse Finn Wolfhard. Não à toa, a temporada virou um rito de passagem – dos personagens, dos atores e de toda uma geração de espectadores.
No fim, Stranger Things 5 não fecha apenas uma história: encerra uma era. Uma década de teorias, memes, sustos, nostalgia e amizade. Se Eleven morrer, será simbólico – o fim da infância, da magia e do “mundo invertido” que vivemos junto com ela. E talvez seja justamente isso que torne o adeus a Hawkins tão inesquecível.
Séries
“Off Campus”: o que significa a tatuagem nas costas de Garrett?
Ideia do ator Belmont Cameli, a frase em latim nas costas do personagem carrega uma história real
Se você maratonou Off Campus na Prime Video e ficou olhando fixo pra tela tentando decifrar o que estava escrito nas costas do Garrett Graham, bem-vindo ao clube. A frase em latim que aparece nos ombros do personagem – “Nullum Gratuitum Prandium” – é uma adição completamente nova à história, foi ideia do próprio ator Belmont Cameli e tem uma conexão direta com a vida real dele.
Nos livros de Elle Kennedy nos quais a série é baseada, Garrett tem uma tatuagem de fogo no bíceps. Para a adaptação, Cameli propôs a troca pela frase em latim estampada nas omoplatas com a frase “não existe almoço grátis”, traduzindo livremente. A frase era o mantra da equipe de luta livre do colégio dele. Dá pra entender por que colou tão bem no personagem.

O detalhe mais inteligente, porém, está na lógica de posicionamento da tattoo. Quando Garrett veste o uniforme de hóquei, o que aparece é o sobrenome Graham, carregando todo o peso do pai famoso. Quando tira o uniforme, o que fica na pele é o mantra. É a diferença entre a versão que o mundo enxerga e a versão que ele sabe que é verdade. Para quem assistiu a temporada inteira, essa simbologia bate forte.
A tatuagem ainda funciona como antecipação sutil do final. Quando o pai de Garrett parabeniza o filho por ter iniciado a briga e diz que ele é igualzinho a ele, está falando do “Graham” que o mundo vê. A resposta de Garrett, cortando o pai no meio da frase, é exatamente o mantra em ação. Nada de herança. Tudo conquistado. E, por falar em conquistas reais, Cameli tem uma tatuagem de verdade na coxa em referência ao álbum favorito dele do The National, Trouble Will Find Me. O homem leva tatuagem a sério, tanto na ficção quanto fora dela.
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“Off Campus: Amores Improváveis” é exatamente o que uma série de romance deveria ser
A adaptação da saga de Elle Kennedy chega ao Prime Video e entrega o romance universitário que os fãs mereciam – com algumas surpresas no caminho
Off Campus: Amores Improváveis chegou ao Prime Video no dia 13 de maio com todos os oito episódios da primeira temporada disponíveis de uma vez – o que, convenhamos, foi ao mesmo tempo um presente e uma cilada, porque ninguém parou depois do segundo. A série criada pela showrunner Louisa Levy adapta O Acordo, primeiro livro da saga da autora canadense Elle Kennedy, e acompanha Hannah Wells (Ella Bright), estudante de música da fictícia Universidade Briar, e Garrett Graham (Belmont Cameli), capitão do time de hóquei que vai mal em filosofia. Os dois fazem um acordo: ela o ajuda a recuperar as notas, ele a ajuda a conquistar o músico Justin. Quem já leu o livro sabe exatamente onde isso vai parar. Quem não leu, percebe no fim do primeiro episódio.
A grande aposta de Off Campus é química, e ela entrega. Belmont Cameli e Ella Bright têm uma interação que não parece fingida – cada troca entre Garrett e Hannah parece genuína, um pouco desajeitada do jeito certo, sem o esforço visível que às vezes aparece em adaptações de romance quando os atores tentam demais convencer.

A direção aposta em planos médios e reações, deixando os rostos contarem mais do que os diálogos, o que funciona muito bem nos momentos de tensão não resolvida, que são muitos. A série também acerta ao construir o universo do hóquei e da música de forma equilibrada, sem deixar nenhuma das duas ficar em segundo plano. Hannah tem uma jornada própria com a composição que vai além de ser a garota que o protagonista gosta, e isso faz diferença.
As mudanças em relação ao livro: o que funcionou
Quem leu O Acordo vai notar as diferenças logo nas primeiras cenas. O Justin dos livros era jogador de futebol americano; na série, ele é músico e lidera a banda After Hours, o que dá muito mais coerência ao interesse de Hannah por ele. O primeiro beijo de Hannah com outra pessoa também muda – no livro era com um personagem sem peso na trama, na série é com Logan, que tem um crush não resolvido pela protagonista, criando uma camada a mais para a temporada toda.

A série também antecipa o desenvolvimento de Dean e Allie, casal do terceiro livro da franquia, o que dividiu os fãs: parte ficou animada em ver mais desse casal logo, outra parte sentiu que isso tira o protagonismo que seria deles na terceira temporada. A questão é que a dinâmica entre eles é tão boa que é difícil reclamar muito enquanto assiste.
Off Campus não desvia dos temas difíceis do livro. O passado de Hannah, que foi drogada e estuprada no ensino médio, é tratado com cuidado e tempo de tela suficiente, o que de fato acrescente boas camadas aos episódios. A série conecta esse trauma diretamente à dificuldade da personagem de acessar a música pop e escrever letras, uma mudança em relação ao livro que aprofunda quem Hannah é antes mesmo de Garrett entrar na história.

Garrett também carrega o peso de um pai abusivo e o medo de repetir padrões – e a cena em que os dois confrontam essas questões juntos é um dos pontos mais fortes da temporada. O diálogo pode soar truncado em alguns momentos, e isso é verdade em alguns episódios do meio da temporada, mas raramente atrapalha o ritmo geral.
O que vem pela frente
Já renovada para a segunda temporada antes mesmo da estreia, Off Campus deixa bastante material aberto para o futuro. A introdução de Grace Ivers (India Fowler, anunciada para a próxima temporada) sugere que Logan e sua história com a personagem do segundo livro da saga devem ser o foco a seguir. Dean e Allie também terminam a temporada num ponto que pede continuação urgente.
A série claramente foi pensada no modelo antológico ao estilo Bridgerton – cada casal ganha seu momento, mas os personagens não desaparecem depois. Se Off Campus mantiver essa qualidade de construção de elenco secundário, o modelo pode funcionar muito bem. Por ora, Hannah e Garrett entregaram o suficiente para garantir que a gente vai estar aqui quando a segunda temporada chegar.
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Terceira temporada de ‘Euphoria’: o que aconteceu com Rue no final do quinto episódio?
O episódio colocou Rue na situação mais extrema da série até agora, e ainda encontrou espaço para uma sequência com Cassie em proporções gigantescas
ALERTA DE SPOILERS
O quinto episódio da terceira temporada de Euphoria, exibido na noite de domingo (11) pela HBO e Max, terminou com Rue Bennett enterrada até o pescoço enquanto Alamo galopava em sua direção a cavalo – e a cena cortou para o preto. A pergunta “será que ela sobrevive?” passou o resto da madrugada circulando em cada canto da internet.
Ao longo do episódio, Rue segue tentando equilibrar sua atuação como informante da DEA com a rotina cada vez mais tensa no clube de Alamo. Quando Magick encontra drogas que ela havia escondido anteriormente, Alamo começa a desconfiar de sua lealdade. A partir daí, é uma contagem regressiva.

Bishop e G levam Rue para um local isolado e a obrigam a cavar uma espécie de cova. Na manhã seguinte, Alamo aparece a cavalo, segurando um taco de polo, galopando em direção à cabeça dela enquanto ela grita. Ainda restam três episódios na temporada, incluindo um finale que a HBO promete ser o mais longo da história da série – e a sensação de risco nunca pareceu tão real quanto aqui.
Enquanto Rue cavava sua potencial sepultura, o episódio entregou uma das sequências mais radicais da história de Euphoria. Cassie literalmente cresce até proporções gigantescas depois de encarar o fluxo interminável de pedidos online, pisando em uma versão falsa de Los Angeles num figurino de oncinha rasgado. Maddy, por sua vez, surge cada vez mais calculista, pressionando Cassie a assinar contratos e avançando sua carreira de atuação sem deixar a emoção atrapalhar o plano de negócios.
O que vem a seguir
Com três episódios restantes, Euphoria chegou ao ponto sem volta da temporada. Rue está encurralada entre a DEA, Alamo e os próprios sentimentos por Jules. Cassie está perdida entre a fama, Nate e a ilusão de que Brandon Fontaine representa algo real. E Maddy, que passou duas temporadas sendo tratada como coadjuvante, surge como a personagem mais estratégica da história – o que a série demorou três temporadas para mostrar com clareza.
