Séries
“Tremembé”: o que é verdade e o que é invenção na série do Prime Video
Baseada em crimes reais, a produção mistura fatos documentados e drama
A minissérie Tremembé, do Prime Video, tem causado burburinho por retratar o cotidiano do presídio Doutor José Augusto César Salgado, o verdadeiro “presídio dos famosos”, em Tremembé (SP). Lá, cumprem pena nomes que o Brasil inteiro conhece: Suzane von Richthofen, Elize Matsunaga, Anna Carolina Jatobá, Alexandre Nardoni, Daniel e Cristian Cravinhos e Roger Abdelmassih. Todos esses personagens são reais e aparecem na série, interpretados por atores como Marina Ruy Barbosa, Carol Garcia e Bianca Comparato.
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A produção se baseia em dois livros-reportagens do jornalista Ullisses Campbell, que investigou os casos por anos: Suzane: Assassina e Manipuladora (2020) e Elize Matsunaga: A Mulher que Esquartejou o Marido (2021). Campbell garante que boa parte do que parece “absurdo demais” na série de fato aconteceu, especialmente detalhes sobre o dia a dia das presas, tensões internas e relações de poder dentro da penitenciária.
Mas nem tudo o que aparece na tela aconteceu exatamente daquele jeito. A diretora e roteirista Vera Egito explicou ao Estadão que o roteiro se apoia em fatos reais, mas reorganiza eventos e cria conexões que não existem fora da ficção. Por exemplo, o triângulo amoroso entre Suzane, Elize e Sandrão é inspirado em relatos reais de proximidade e conflitos entre presas, mas o romance entre elas foi dramatizado para dar ritmo à narrativa. O mesmo vale para a suposta rebelião que força Suzane a mudar de presídio, um elemento puramente ficcional usado como ponto de partida para a história.
Já personagens como os irmãos Cravinhos e Roger Abdelmassih aparecem em situações inspiradas em acontecimentos verdadeiros – como as tentativas do ex-médico de alegar doença para sair da prisão -, mas os encontros entre eles e Suzane são criações do roteiro. Na realidade, as alas masculina e feminina do complexo são separadas, e não há convivência direta entre os detentos.
Ou seja, Tremembé não é um documentário, mas também não é uma fantasia total. É uma fusão entre reportagem e dramaturgia, onde a pesquisa jornalística de Ullisses Campbell garante a autenticidade dos bastidores, enquanto a direção de Vera Egito insere camadas emocionais e simbólicas. O resultado é uma narrativa que parece real, e em muitos momentos, é, mas que assume a liberdade de ficcionalizar o que as câmeras e os autos judiciais nunca mostraram.