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Vale Tudo: gravidez de Maria de Fátima vira tragédia após revelação de que Afonso é estéril

Convencida de que carregava o herdeiro dos Roitman, alpinista descobre que o bebê pode ser de César

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A ambição de Maria de Fátima (Bella Campos) sempre teve data, hora e preço, mas a conta chega com juros nas próximas semanas de Vale Tudo. Após exibir o teste positivo para a família Roitman e se imaginar dona da fortuna, a moça é derrubada por um golpe de realismo: Afonso (Humberto Carrão) sofreu cachumba na infância, ficou estéril e jamais poderá gerar um filho biológico. A revelação sai da boca — e da pasta de exames — de Celina (Malu Galli), que chega com um envelope de laudos médicos para exigir: “Peça o divórcio ou eu conto tudo ao meu sobrinho”.

Fátima reage com negação, depois barganha; lembra que faltam poucos meses para completar dois anos de casamento, marco que destravaria uma gorda cláusula pós-nupcial em euros. Celina, impassível, ameaça expô-la como adúltera. A alpinista percebe que o castelo desmorona e faz a matemática do pavor: se o bebê não é Roitman, sobra a possibilidade mais aterradora — o pai ser César (Cauã Reymond), amante ocasional e igualmente interesseiro.

O roteiro empurra a protagonista ao limite na estreia de uma ópera patrocinada pela TCA, no Theatro Municipal. Entre holofotes, ela encara a própria mãe no saguão e recebe a frase gelada: “Eu não te conheço, garota”. Rejeição pública, ameaça de destruição patrimonial e uma gravidez indesejada convergem num só impulso: Fátima sobe os degraus históricos, revive flashbacks da ascensão social e, silenciosa, se lança ao vazio. O corpo rola escadaria abaixo enquanto os convidados sufocam gritos, num dos clímax mais sombrios do remake — marcado para 16 de agosto na programação.

A cena dialoga com o folhetim de 1988, onde Celina (na época, Nathalia Timberg) espalhava o mesmo boato sobre infertilidade para manipular a golpista de Gloria Pires. No texto de Manuela Dias, a diferença é de intenção: a vilã veterana usa a informação como arma numa guerra declarada contra a sobrinha-postiça, mas o exame que cita a cachumba permanece falso — Celina inventa a esterilidade para forçar a rival a pedir o divórcio. O público, porém, só descobrirá a mentira mais adiante, quando os roteiros deixarem claro que a gravidez de Solange (Alice Wegmann) é realmente de Afonso.

Enquanto a plateia debate moral e torce por karma, a produção aposta na estética de “teatro dentro do teatro”: ópera no palco, tragédia familiar na escadaria, câmeras passeando entre figurinos de gala e sangue nos degraus — um contraste de luxo e ruína que atualiza o espírito originalmente criado por Gilberto Braga, Aguinaldo Silva e Leonor Bassères. Resta ver se a tentativa de auto-aborto mudará o destino de Fátima ou apenas reforçará sua fama de “garota sem freio” diante da sociedade carioca.

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