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WePink de Virgínia Fonseca vai pagar R$ 5 milhões por práticas abusivas

Marca da influenciadora fecha acordo com o MP-GO após denúncias de vendas sem estoque, falhas em reembolso e atendimento precário

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A WePink, marca de cosméticos criada pela influenciadora Virgínia Fonseca, se viu no centro de uma das maiores polêmicas recentes do e-commerce brasileiro. Depois de meses de investigação, o Ministério Público de Goiás (MP-GO) concluiu que a empresa cometeu uma série de infrações contra os direitos do consumidor e firmou um acordo de R$ 5 milhões para encerrar o processo. O valor, que será pago em 20 parcelas de R$ 250 mil, vai para o Fundo Estadual de Proteção e Defesa do Consumidor.

De acordo com o MP-GO, a WePink praticava seis condutas consideradas abusivas: não entregar produtos comprados, descumprir prazos de envio, dificultar pedidos de reembolso, manter um atendimento ineficiente, apagar críticas nas redes e vender itens com defeito. A situação chamou ainda mais atenção quando um dos sócios da empresa, Thiago Stabile, admitiu em uma transmissão ao vivo que a marca chegou a vender produtos que nem estavam em estoque. Em pouco mais de um ano, a WePink acumulou mais de 94 mil reclamações no site Reclame Aqui e 340 denúncias formais no Procon Goiás.

Com o acordo – um Termo de Ajustamento de Conduta, o famoso TAC – a empresa se comprometeu a mudar completamente o jeito de lidar com suas clientes. A partir de agora, só poderá fazer campanhas, inclusive lives de vendas, quando tiver estoque físico comprovado ou capacidade real de produção e entrega. Também precisará implementar um sistema auditável que permita tanto ao MP quanto ao consumidor verificar a disponibilidade de produtos em tempo real. Em até 30 dias, a WePink deverá implantar um novo SAC com atendimento humano (sem bots) e tempo máximo de resposta inicial de 24 horas, além de resolver pedidos de cancelamento e reembolso em até sete dias.

O TAC também exige que a marca mantenha, por pelo menos cinco anos, um registro público com todas as reclamações de clientes, contendo data, protocolo, problema relatado e solução apresentada. A empresa ainda terá que publicar em suas redes e no site oficial orientações claras sobre trocas, devoluções, prazos e direitos do consumidor, incluindo um vídeo explicativo aprovado pelo MP-GO. O processo judicial que estava em andamento foi extinto após a assinatura do acordo.

Até o momento, nem Virgínia Fonseca nem a WePink se pronunciaram publicamente sobre a decisão. O silêncio, porém, não diminui o impacto do caso. Para quem acompanha o universo dos influenciadores, a multa representa um alerta sobre a responsabilidade das marcas que crescem impulsionadas por celebridades digitais. A cultura das lives de vendas e da compra por impulso é um sucesso entre o público jovem, mas também exige transparência, organização e respeito a quem está do outro lado da tela.

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