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Música

As 10 melhores músicas de 2025

De Lady Gaga a Justin Bieber, selecionamos os hits que definiram o ano e marcaram a cultura pop

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O ano de 2025 foi generoso com quem ama música pop, e escolher apenas dez faixas para representar os últimos 12 meses foi um exercício de sacrifício emocional genuíno. Depois de muita deliberação, streaming compulsivo e análise criteriosa do impacto cultural de cada lançamento, a redação do Domínio Pop chegou a um consenso sobre quais músicas definiram verdadeiramente este ano. Da nostalgia em R&B de Justin Bieber ao electropop sombrio de Lady Gaga, passando pelo experimentalismo orquestral de Rosalía e a brasilidade visceral de Marina Sena, nossa seleção celebra a diversidade sonora que tomou conta das plataformas de streaming e das pistas de dança ao redor do mundo.

10. YUKON – Justin Bieber

O hit do álbum SWAG marca o retorno triunfal de Justin Bieber ao cenário musical. A faixa, que conta com adlibs de 2 Chainz e interpola o clássico Untitled de Eminem, mostrou um Bieber mais maduro e introspectivo, com vocais suaves que remetem a Frank Ocean em sua fase Blonde. O clipe em preto e branco estrelado por Hailey Bieber e pelo pequeno Jack Blues transformou a canção em um retrato íntimo de família, conquistando fãs que acompanham a jornada do artista canadense desde a adolescência.

9. Sports Car – Tate McRae

Tate McRae consolidou sua transição para o território do “dirty pop” com Sports Car, uma faixa sensual e sussurrada que evoca os anos 2000 de Nelly Furtado e Pussycat Dolls. Escrita ao lado de Julia Michaels e Ryan Tedder, a música viralizou nas redes sociais e garantiu à cantora canadense uma performance inesquecível no VMA 2025, provando que ela chegou para ficar no panteão das pop stars contemporâneas.

8. Berghain – Rosalía feat. Björk and Yves Tumor

O single que abre o álbum Lux abandona o experimentalismo frenético de Motomami em favor de uma sonoridade etérea e orquestral, com participação da London Symphony Orchestra e versos cantados em alemão e espanhol. A faixa é uma declaração artística corajosa que transcende gêneros, unindo três vozes visionárias em uma experiência quase cinematográfica.

7. Lua Cheia – Marina Sena

Marina Sena nos presenteou com Lua Cheia, uma das joias do álbum “Coisas Naturais” que viralizou organicamente no TikTok graças ao seu refrão irresistível. O clipe, gravado às margens do Rio São Francisco em Minas Gerais, é uma celebração das raízes da artista e do sagrado feminino, misturando carrancas, sementes de pequi e a luz prateada do luar em uma narrativa visual que reafirma Marina como uma das vozes mais autênticas da música brasileira atual.

6. ExtraL – Jennie feat. Doechii

Jennie do BLACKPINK lançou em 2025 o hit ExtraL, parceria com a vencedora do Grammy Doechii que se tornou um hino. A faixa do álbum de estreia solo Ruby conquistou certificação ouro pela RIAA e mostrou que Jennie sabe equilibrar sua identidade K-pop com influências ocidentais sem perder a personalidade.

5. Manchild – Sabrina Carpenter

Sabrina Carpenter provou mais uma vez por que é a queridinha do pop atual com Manchild, um country-pop irônico e deliciosamente vingativo que estreou direto no topo da Billboard Hot 100. Escrita em uma terça-feira qualquer ao lado de Jack Antonoff e Amy Allen, a música é uma ode aos ex-namorados incompetentes do mundo, entregue com o humor afiado que se tornou marca registrada da artista.

4. DtMF – Bad Bunny

Bad Bunny entregou a emocionante DtMF, faixa-título do álbum Debí Tirar Más Fotos, que se tornou fenômeno viral ao inspirar milhões de usuários do TikTok a compartilharem fotos de entes queridos. A plena tradicional porto-riquenha encontra a modernidade em uma canção sobre valorizar os momentos e as pessoas enquanto ainda podemos, provando que o Coelho Mau sabe tocar corações como poucos.

3. The Fate of Ophelia – Taylor Swift

A abertura cinematográfica de The Life of a Showgirl reescreve a tragédia shakespeariana com um final feliz, assim como a cantora fez com Love Story anos atrás. Produzida ao lado de Max Martin e Shellback, a faixa dance-pop com groove new wave quebrou o recorde de música mais streamada em um único dia na história do Spotify e ganhou um videoclipe épico que levou fãs ao Museu Wiesbaden na Alemanha para ver a pintura de Ophelia que inspirou a estética do álbum.

2. Golden – HUNTR/X

Golden é um hit pronto da fictícia banda de K-pop HUNTR/X, do filme animado da Netflix Guerreiras do K-Pop, interpretada por EJAE, Audrey Nuna e Rei Ami. A canção passou oito semanas no topo da Billboard Hot 100, conquistou um perfect all-kill na Coreia do Sul e provou que às vezes a música mais autêntica pode vir dos lugares mais inesperados, com uma mensagem de empoderamento que transcendeu as telas para se tornar um verdadeiro fenômeno cultural.

1. Abracadabra – Lady Gaga

A faixa marcou o retorno definitivo da Mother Monster ao electropop sombrio que a consagrou na era The Fame Monster. Lançada durante o intervalo comercial do Grammy 2025 em um vídeo coreografado por Parris Goebel com 40 dançarinos, a música do álbum Mayhem é um feitiço dancefloor com refrão nonsense irresistível e produção de Cirkut que nos transporta para 2009, porém com uma sofisticação refinada para os tempos atuais. Nominada a quatro Grammys incluindo Canção e Gravação do Ano, Abracadabra é a prova viva de que Gaga continua sendo a artista mais audaciosa e inventiva do pop contemporâneo, capaz de lançar um hino de pista no meio de uma premiação e fazer o mundo inteiro dançar junto. Se existe uma música que resume perfeitamente o espírito de 2025, é essa, e a gente não aceita discussão.

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Música

O show histórico de Olivia Rodrigo em Barcelona virou debate por causa de um babydoll

A polêmica em torno do look babydoll da cantora em Barcelona escancarou, mais uma vez, o campo minado que é ser uma mulher no pop

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No último dia 8 de maio, Olivia Rodrigo subiu ao palco do Teatre Grec, em Barcelona, para um show íntimo e absolutamente histórico: o Spotify reuniu 1.500 superfãs selecionados pelo próprio aplicativo para celebrar os nove singles da cantora que ultrapassaram 1 bilhão de streams na plataforma – entre eles Drivers License, Good 4 U, Deja Vu, Vampire e Jealousy, Jealousy. A cantora recebeu placas comemorativas, tocou 14 músicas em menos de uma hora e ainda apresentou ao vivo drop dead, o primeiro single do seu terceiro álbum, you seem pretty sad for a girl so in love. Era, por qualquer ângulo que você olhasse, uma noite de celebração. Mas o que foi mais falado no dia seguinte não foi nada disso.

Reprodução/Spotify

Para a ocasião, Rodrigo escolheu um babydoll blouse da marca Génération78, da coleção “Crush Loves Drama”, combinando com bloomers e botas cano longo. O look era coerente com a estética que ela vem construindo no ciclo do novo álbum – uma espécie de femininidade caótica, igual partes Courtney Love e boneca de porcelana. Só que parte da internet decidiu que o vestido era, na verdade, uma peça problemática.

Nos comentários do X e do Instagram, usuários afirmaram que a silhueta frisada “infantilizava e sexualizava” a cantora de 23 anos ao mesmo tempo, uma lógica que, se você parar pra pensar, é basicamente impossível de vencer. Tinha gente comparando o vestido a roupinha de bebê, outros dizendo que era “inapropriado”. O show em si ficou em segundo plano.

O que aconteceu com Olivia é o mesmo roteiro que a gente vê se repetir há décadas com mulheres no pop. Quando Billie Eilish apareceu no início da carreira coberta de roupas largas, foi criticada por não “se vestir como menina”, e precisou ir a público explicar que usava roupas assim justamente para escapar da objetificação. Em uma campanha da Calvin Klein em 2019, ela disse que ninguém poderia opinar sobre o corpo dela porque não havia visto o que estava por baixo.

Existe um padrão duplo tão escancarado que já seria quase engraçado se não fosse tão cansativo. Justin Bieber se apresentou no Grammy usando apenas boxers e meias, e a leitura foi de que era uma performance “sem roupa”, corajosa, simbólica. Adam Sandler aparece em premiações de pijama e o mundo inteiro acha fofo. Mas uma mulher de 23 anos aparece num vestido florido numa festa de streaming em Barcelona, e a conversa vira sobre inadequação. O que a roupa da Olivia Rodrigo revelou não foi nada sobre a Olivia Rodrigo – foi o quanto ainda é fácil transformar o visual de uma mulher num debate público.

No fim, o que importaria discutir é o seguinte: ela foi até Barcelona com nove singles bilionários e um novo álbum na manga. Deu um show de 14 músicas que deixou os 1.500 presentes sem voz. Isso é o que aconteceu. O vestido é só um vestido.

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Música

Shakira se assusta com máscara de Piqué em show; veja o vídeo

No meio da turnê mais lucrativa da história da música latina, uma fã levantou uma máscara do ex-jogador durante a música que ele inspirou

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Shakira estava cantando a BZRP Music Sessions #53 – aquela em que ela literalmente processa o fim do casamento em versos afiados – quando uma fã na plateia levantou uma máscara do ex-marido Gerard Piqué com olhos flamejantes, língua vermelha comprida e chifres de diabo. A reação de Shakira foi de susto genuíno, e o vídeo não demorou nada para tomar as redes sociais.


O momento aconteceu durante a passagem da turnê por El Salvador, onde Shakira fez cinco noites no Estadio Nacional Jorge “Mágico” González em San Salvador, parte da segunda etapa da Las Mujeres Ya No Lloran World Tour. A turnê já se tornou a mais lucrativa da história da música latina: mais de 421 milhões de dólares arrecadados até março de 2026 e mais de 3,3 milhões de pessoas no público.

Não foi a primeira vez nesta semana que o nome do ex veio à tona. No sábado (2) durante o evento Todo Mundo no Rio na Praia de Copacabana, parte da plateia reagiu com gritos direcionados ao ex-jogador depois de um discurso de Shakira sobre mães solteiras. A separação, anunciada em junho de 2022 após reportagens da imprensa espanhola sobre uma suposta traição, virou combustível criativo para Monotonía, TQG com Karol G e a sessão com Bizarrap – e aparentemente ainda não saiu do radar do público.

A turnê segue até outubro de 2026, com encerramento em Madri.

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Música

Por que o Brutal Paraíso de Luísa Sonza dividiu o público

Com 23 faixas e 67 minutos de duração, o quinto álbum da artista gaúcha chegou com tudo – campanha intensa, Coachella e um conceito ambicioso – e ainda assim não emplacou como Escândalo Íntimo

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Quando Brutal Paraíso chegou às plataformas no dia 7 de abril, a expectativa era enorme. Luísa Sonza tinha acabado de se consolidar como um dos maiores nomes do pop brasileiro, ainda na esteira do recorde histórico de Escândalo Íntimo – mais de 15 milhões de streams nas primeiras 24 horas no Spotify Brasil. Três anos depois, o quinto álbum de estúdio da artista gaúcha estreou com pouco mais de 2,5 milhões de reproduções no mesmo período, com 13 faixas entrando no Top 200 da plataforma. Os números não são ruins. Mas a comparação foi inevitável – e cruel.


Parte da recepção morna tem menos a ver com o álbum em si e mais com o contexto que cerca a figura pública de Luísa. Desde os tempos de relacionamento com Whindersson Nunes, passando pelo caso de racismo envolvendo a advogada Isabel Macedo de Jesus em 2018 – que a artista demorou para reconhecer publicamente -, até a cena no programa da Ana Maria Braga após a traição do Chico Moedas logo depois do lançamento de Escândalo Íntimo, a imagem da Luísa carrega um peso que boa parte dos outros artistas brasileiros simplesmente não tem. Não é que as polêmicas sejam novas. É que elas criaram uma régua diferente: qualquer tropeço do álbum vira amplificado, qualquer defesa vira suspeita de marketing.

Isso ficou visível no próprio lançamento. Enquanto o álbum chegava às plataformas, a cantora estava respondendo críticas e engajando em discussões no X, comportamento que uma parcela do público leu como combativo aos próprios fãs e que ajudou a esquentar um ambiente que já estava acirrado antes da primeira faixa tocar.

Ambição sem corte

Mas seria injusto colocar tudo na conta da polêmica. Brutal Paraíso tem problemas estruturais reais. Com 23 faixas e 67 minutos de duração, o álbum é ambicioso a ponto de se perder. A proposta de dividir o projeto em três blocos sonoros – abertura com influências de bossa nova e MPB, meio de funk e pop dançante, reta final melancólica e introspectiva – funciona no papel, mas na prática cria uma experiência fragmentada. Quando você chega nas baladas reflexivas da terceira parte, a fadiga de escuta já deu o ar da graça.

A faixa de abertura, Distrópico – que brinca com “distópico” e “trópico” para anunciar a dualidade do disco -, prometia um álbum amarrado em torno da tensão entre paraíso e brutalidade. Essa ideia, porém, só aparece de forma explícita na faixa-título, de oito minutos, que encerra o trabalho. Os outros 22 tracks navegam por temas e estéticas sem que o fio conceitual apareça com clareza suficiente para sustentar a jornada.

O que funciona – e muito

Isso não quer dizer que Brutal Paraíso seja um álbum ruim. Longe disso. Fruto do Tempo, com sample de Caetano Veloso, é uma das melhores faixas que Luísa já lançou. Telefone tem um gancho irresistível, ainda que termine antes de você querer que termine. Tu Gata, com Sebastián Yatra, entrega exatamente o que promete. E a faixa-título em si é genuinamente emocionante – uma carta de oito minutos onde a artista olha para a própria carreira, para tudo que viveu e sobreviveu, com uma vulnerabilidade difícil de ignorar.


Há algo genuíno na origem do projeto: a ideia de que o paraíso não some, mas se revela brutal. O que falta é essa sinceridade atravessar o álbum inteiro com a mesma intensidade.

Brutal Paraíso é o álbum de uma artista que claramente cresceu, que ouviu jazz, que tem referências e que não quer mais ser encaixada numa caixinha. E crescer custa – especialmente quando ninguém corta. Se Escândalo Íntimo funcionou apesar das polêmicas foi porque o disco era redondo, direto e cheio de momentos que prendiam: Campo de Morango, Chico, Penhasco – Parte 2... Aqui, a Luísa apostou em ambição e entregou um projeto maior do que precisa ser. Com dez faixas a menos, Brutal Paraíso poderia facilmente ser o melhor álbum da carreira dela. Como está, tem muito a dizer – e às vezes não deixa ninguém ouvir.

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