Séries
Emily e Mindy: a real história de amor de ‘Emily em Paris’
A quinta temporada da série da Netflix reforça que a amizade feminina é o verdadeiro coração da produção
A quinta temporada de Emily em Paris chegou à Netflix no final de 2025 com toda a sua habitual combinação de looks controversos, dramas românticos e cenários de tirar o fôlego entre Roma, Paris e Veneza. Mas por trás de todos os triângulos amorosos que a série tanto ama criar, uma verdade ficou ainda mais evidente nessa leva de episódios: a relação mais significativa da série nunca foi romântica. Desde o primeiro episódio em 2020, quando Emily Cooper desembarcou em Paris sem falar francês e completamente perdida, foi Mindy Chen quem apareceu como a constante na vida da americana. Cinco temporadas depois, essa amizade continua sendo o alicerce emocional da produção, provando que família escolhida é tão poderosa quanto qualquer história de amor.
Mais do que coadjuvantes: uma amizade que carrega a série
O que torna a dinâmica entre Emily e Mindy tão especial é o fato de ela transcender o papel tradicional reservado às melhores amigas em comédias românticas. Elas não estão ali apenas para dar conselhos sobre relacionamentos ou servir de ombro amigo após términos.
A relação das duas se sustenta no reconhecimento mútuo de que ambas são mulheres ambiciosas com grandes sonhos, e cada uma apoia incondicionalmente os objetivos da outra.
Emily está sempre na primeira fila dos shows de Mindy e usa suas conexões profissionais para conseguir trabalhos para a amiga, enquanto Mindy funciona como uma eterna torcedora das metas de carreira de Emily. Como qualquer grande relacionamento, as duas trazem à tona o melhor uma da outra: a abordagem livre de Mindy em relação à vida encoraja Emily a sair de sua zona de conforto, enquanto Emily influencia Mindy a ser mais independente.

A maior prova de fogo entre as duas
A quinta temporada coloca essa amizade sob a maior prova de todas as temporadas quando Mindy se envolve em um affair secreto com Alfie, ex-namorado de Emily. Quando a verdade finalmente vem à tona, as duas têm sua maior briga até então, e apenas após um episódio inteiro de conflito sério elas conseguem se reconciliar. O interessante é que o mais doloroso de toda a situação não foi o fato de Mindy estar com Alfie, mas a mentira – existe um argumento muito bonito sobre transparência em amizades.
Emily aprende que estar presente e ser honesta uma com a outra enriquece suas vidas de maneiras que nenhum interesse romântico consegue. O vínculo entre elas demonstra o quão poderosa a amizade feminina pode ser quando permite espaço para erros, confrontos honestos e perdão genuíno.

Almas gêmeas dentro e fora das telas
O mais fascinante é que essa química entre Lily Collins e Ashley Park não é apenas atuação. As duas se conheceram na primeira mesa de leitura em Paris, ainda em 2019, e desde a primeira conversa a conexão foi tão instantânea que colegas de elenco questionavam há quanto tempo elas se conheciam. Collins chegou a declarar que é possível conhecer almas gêmeas que são um romance ou conhecer amigos que são almas gêmeas, e foi exatamente isso que aconteceu entre as duas.
Ashley cantou no casamento de Lily com o diretor Charlie McDowell, e as duas fizeram questão de morar no mesmo prédio em Paris durante as gravações. Essa amizade real transpira para as telas e dá à relação Emily-Mindy uma autenticidade que nenhum roteiro conseguiria fabricar. A própria Lily Collins já declarou em entrevista que, quando perguntada sobre quem seria o verdadeiro amor de Emily, Mindy Chen é a pessoa com voz, alma e coração, e que a amizade delas é tudo.

Enquanto os interesses amorosos de Emily em Paris vêm e vão – Gabriel, Alfie, Marcello -, a série acerta ao nunca sacrificar a amizade central pelo drama romântico. Ao final da quinta temporada, Marcello parece ter saído de cena definitivamente, e embora Mindy e Nico estejam noivos, será surpreendente se chegarem ao altar. Mas independentemente do que aconteça na já confirmada sexta temporada, uma coisa permanece clara: nenhuma das duas precisa de um homem para ser feliz, como já provaram com sua amizade.
Emily em Paris nunca foi apenas uma história sobre Paris ou Roma, sobre moda ou marketing. É, no fundo, uma celebração da família que escolhemos construir, e Emily e Mindy nos lembram que às vezes a história de amor mais significativa não envolve beijos sob a Torre Eiffel, mas sim aquela amiga que te conhece, te desafia e fica.
Séries
“Off Campus”: o que significa a tatuagem nas costas de Garrett?
Ideia do ator Belmont Cameli, a frase em latim nas costas do personagem carrega uma história real
Se você maratonou Off Campus na Prime Video e ficou olhando fixo pra tela tentando decifrar o que estava escrito nas costas do Garrett Graham, bem-vindo ao clube. A frase em latim que aparece nos ombros do personagem – “Nullum Gratuitum Prandium” – é uma adição completamente nova à história, foi ideia do próprio ator Belmont Cameli e tem uma conexão direta com a vida real dele.
Nos livros de Elle Kennedy nos quais a série é baseada, Garrett tem uma tatuagem de fogo no bíceps. Para a adaptação, Cameli propôs a troca pela frase em latim estampada nas omoplatas com a frase “não existe almoço grátis”, traduzindo livremente. A frase era o mantra da equipe de luta livre do colégio dele. Dá pra entender por que colou tão bem no personagem.

O detalhe mais inteligente, porém, está na lógica de posicionamento da tattoo. Quando Garrett veste o uniforme de hóquei, o que aparece é o sobrenome Graham, carregando todo o peso do pai famoso. Quando tira o uniforme, o que fica na pele é o mantra. É a diferença entre a versão que o mundo enxerga e a versão que ele sabe que é verdade. Para quem assistiu a temporada inteira, essa simbologia bate forte.
A tatuagem ainda funciona como antecipação sutil do final. Quando o pai de Garrett parabeniza o filho por ter iniciado a briga e diz que ele é igualzinho a ele, está falando do “Graham” que o mundo vê. A resposta de Garrett, cortando o pai no meio da frase, é exatamente o mantra em ação. Nada de herança. Tudo conquistado. E, por falar em conquistas reais, Cameli tem uma tatuagem de verdade na coxa em referência ao álbum favorito dele do The National, Trouble Will Find Me. O homem leva tatuagem a sério, tanto na ficção quanto fora dela.
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“Off Campus: Amores Improváveis” é exatamente o que uma série de romance deveria ser
A adaptação da saga de Elle Kennedy chega ao Prime Video e entrega o romance universitário que os fãs mereciam – com algumas surpresas no caminho
Off Campus: Amores Improváveis chegou ao Prime Video no dia 13 de maio com todos os oito episódios da primeira temporada disponíveis de uma vez – o que, convenhamos, foi ao mesmo tempo um presente e uma cilada, porque ninguém parou depois do segundo. A série criada pela showrunner Louisa Levy adapta O Acordo, primeiro livro da saga da autora canadense Elle Kennedy, e acompanha Hannah Wells (Ella Bright), estudante de música da fictícia Universidade Briar, e Garrett Graham (Belmont Cameli), capitão do time de hóquei que vai mal em filosofia. Os dois fazem um acordo: ela o ajuda a recuperar as notas, ele a ajuda a conquistar o músico Justin. Quem já leu o livro sabe exatamente onde isso vai parar. Quem não leu, percebe no fim do primeiro episódio.
A grande aposta de Off Campus é química, e ela entrega. Belmont Cameli e Ella Bright têm uma interação que não parece fingida – cada troca entre Garrett e Hannah parece genuína, um pouco desajeitada do jeito certo, sem o esforço visível que às vezes aparece em adaptações de romance quando os atores tentam demais convencer.

A direção aposta em planos médios e reações, deixando os rostos contarem mais do que os diálogos, o que funciona muito bem nos momentos de tensão não resolvida, que são muitos. A série também acerta ao construir o universo do hóquei e da música de forma equilibrada, sem deixar nenhuma das duas ficar em segundo plano. Hannah tem uma jornada própria com a composição que vai além de ser a garota que o protagonista gosta, e isso faz diferença.
As mudanças em relação ao livro: o que funcionou
Quem leu O Acordo vai notar as diferenças logo nas primeiras cenas. O Justin dos livros era jogador de futebol americano; na série, ele é músico e lidera a banda After Hours, o que dá muito mais coerência ao interesse de Hannah por ele. O primeiro beijo de Hannah com outra pessoa também muda – no livro era com um personagem sem peso na trama, na série é com Logan, que tem um crush não resolvido pela protagonista, criando uma camada a mais para a temporada toda.

A série também antecipa o desenvolvimento de Dean e Allie, casal do terceiro livro da franquia, o que dividiu os fãs: parte ficou animada em ver mais desse casal logo, outra parte sentiu que isso tira o protagonismo que seria deles na terceira temporada. A questão é que a dinâmica entre eles é tão boa que é difícil reclamar muito enquanto assiste.
Off Campus não desvia dos temas difíceis do livro. O passado de Hannah, que foi drogada e estuprada no ensino médio, é tratado com cuidado e tempo de tela suficiente, o que de fato acrescente boas camadas aos episódios. A série conecta esse trauma diretamente à dificuldade da personagem de acessar a música pop e escrever letras, uma mudança em relação ao livro que aprofunda quem Hannah é antes mesmo de Garrett entrar na história.

Garrett também carrega o peso de um pai abusivo e o medo de repetir padrões – e a cena em que os dois confrontam essas questões juntos é um dos pontos mais fortes da temporada. O diálogo pode soar truncado em alguns momentos, e isso é verdade em alguns episódios do meio da temporada, mas raramente atrapalha o ritmo geral.
O que vem pela frente
Já renovada para a segunda temporada antes mesmo da estreia, Off Campus deixa bastante material aberto para o futuro. A introdução de Grace Ivers (India Fowler, anunciada para a próxima temporada) sugere que Logan e sua história com a personagem do segundo livro da saga devem ser o foco a seguir. Dean e Allie também terminam a temporada num ponto que pede continuação urgente.
A série claramente foi pensada no modelo antológico ao estilo Bridgerton – cada casal ganha seu momento, mas os personagens não desaparecem depois. Se Off Campus mantiver essa qualidade de construção de elenco secundário, o modelo pode funcionar muito bem. Por ora, Hannah e Garrett entregaram o suficiente para garantir que a gente vai estar aqui quando a segunda temporada chegar.
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Terceira temporada de ‘Euphoria’: o que aconteceu com Rue no final do quinto episódio?
O episódio colocou Rue na situação mais extrema da série até agora, e ainda encontrou espaço para uma sequência com Cassie em proporções gigantescas
ALERTA DE SPOILERS
O quinto episódio da terceira temporada de Euphoria, exibido na noite de domingo (11) pela HBO e Max, terminou com Rue Bennett enterrada até o pescoço enquanto Alamo galopava em sua direção a cavalo – e a cena cortou para o preto. A pergunta “será que ela sobrevive?” passou o resto da madrugada circulando em cada canto da internet.
Ao longo do episódio, Rue segue tentando equilibrar sua atuação como informante da DEA com a rotina cada vez mais tensa no clube de Alamo. Quando Magick encontra drogas que ela havia escondido anteriormente, Alamo começa a desconfiar de sua lealdade. A partir daí, é uma contagem regressiva.

Bishop e G levam Rue para um local isolado e a obrigam a cavar uma espécie de cova. Na manhã seguinte, Alamo aparece a cavalo, segurando um taco de polo, galopando em direção à cabeça dela enquanto ela grita. Ainda restam três episódios na temporada, incluindo um finale que a HBO promete ser o mais longo da história da série – e a sensação de risco nunca pareceu tão real quanto aqui.
Enquanto Rue cavava sua potencial sepultura, o episódio entregou uma das sequências mais radicais da história de Euphoria. Cassie literalmente cresce até proporções gigantescas depois de encarar o fluxo interminável de pedidos online, pisando em uma versão falsa de Los Angeles num figurino de oncinha rasgado. Maddy, por sua vez, surge cada vez mais calculista, pressionando Cassie a assinar contratos e avançando sua carreira de atuação sem deixar a emoção atrapalhar o plano de negócios.
O que vem a seguir
Com três episódios restantes, Euphoria chegou ao ponto sem volta da temporada. Rue está encurralada entre a DEA, Alamo e os próprios sentimentos por Jules. Cassie está perdida entre a fama, Nate e a ilusão de que Brandon Fontaine representa algo real. E Maddy, que passou duas temporadas sendo tratada como coadjuvante, surge como a personagem mais estratégica da história – o que a série demorou três temporadas para mostrar com clareza.
