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Stranger Things gerou mais de US$ 1 bilhão para a Netflix – e seu fim marca o encerramento de uma era

Stranger Things encerra não apenas sua história, mas a infância de uma indústria que ela ajudou a construir

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Quando os primeiros quatro episódios da quinta temporada de Stranger Things chegaram à Netflix em 26 de novembro, a demanda foi tão intensa que a plataforma saiu do ar por cerca de três minutos nos Estados Unidos, repetindo o que já havia acontecido no lançamento da temporada anterior em 2022. O fenômeno técnico, porém, carrega uma ironia simbólica: a série que ajudou a Netflix a se tornar sinônimo de streaming agora se despede de uma plataforma radicalmente diferente daquela que a lançou em 2016. Stranger Things virou, sem querer, a linha do tempo da própria Netflix – quando começa, com oito episódios lançados ao mesmo tempo e sem grande barulho de campanha, simboliza o início da ascensão da empresa dedicada a promover uma nova forma de consumir entretenimento; no encerramento, com uma temporada em três volumes e episódio final nos cinemas, nota-se que os padrões se tornaram menos disruptivos e mais alinhados com o consumo tradicional. A pergunta que paira no ar é inevitável: estaria a era de ouro da Netflix chegando ao fim junto com a turma de Hawkins?

Para compreender o peso dessa despedida, é preciso revisitar o início da história. House of Cards foi considerada uma aposta enorme quando estreou em 2013, já que o serviço, que na época contava com 33 milhões de assinantes, se comprometeu com duas temporadas de 13 episódios a um custo estimado de 100 milhões de dólares. Ted Sarandos deu a David Fincher um contrato que era totalmente inédito, e com esse começo parecia que o entretenimento de qualidade com grande orçamento seria a marca registrada da Netflix.


Orange Is the New Black veio logo depois conquistar audiência massiva, enquanto The Crown garantiu prestígio e prêmios. Contudo, faltava um fenômeno global à plataforma. Alguns detratores do streaming consideravam que a Netflix não tinha conseguido deixar uma marca duradoura, porque seu traço fundamental era a estreia intensiva e constante de novos títulos. Stranger Things foi exatamente a primeira grande pegada da Netflix na cultura pop. A série dos irmãos Duffer não apenas provou que o streaming podia criar blockbusters globais – ela se tornou a própria assinatura da marca.

Os números da era dourada impressionam. Desde 2020, a série gerou mais de 1 bilhão de dólares em receita e atraiu cerca de 2 milhões de novos assinantes, com a expectativa de que o valor total supere os 2 bilhões de dólares. A série operou um milagre algorítmico ao unir demografias díspares: cativou os adultos que viveram os anos 80 e capturou a Geração Z, que sentia nostalgia de uma época que nunca viveu. Mas essa fase luminosa começou a dar sinais de esgotamento. Depois de uma década gloriosa que levou a Netflix a atingir 222 milhões de assinantes em todo o mundo, a plataforma enfrentou seu primeiro revés em 2022, quando perdeu 200 mil assinantes no primeiro trimestre, a primeira vez desde sua criação em 1997 que a empresa perdia usuários em vez de ganhá-los. As ações despencaram, demissões em massa se seguiram, e a empresa que jurava nunca adotar publicidade passou a oferecer planos com anúncios.


O crítico cultural Peter Biskind observa que a Netflix, assim como plataformas concorrentes, lançou planos mais baratos apoiados por publicidade, e vê o retorno dos patrocinadores como um passo provável para desencorajar a controvérsia ou a complexidade moral na produção dramática. Talvez seja essa a natureza das eras douradas: elas ardem intensamente por um curto período e depois sucumbem aos ventos das forças econômicas.

A Netflix de 2025 abandonou o modelo de maratona que a tornou famosa, negando durante anos a introdução de publicidade para agora se aproximar cada vez mais do modelo de negócio dos anúncios da televisão linear. A empresa não irá mais divulgar dados sobre o número de assinantes, focando em métricas como engajamento de usuários e receita – um sinal claro de que o crescimento explosivo ficou para trás. A própria Stranger Things reflete essa transformação: o modelo em blocos, já testado antes, é uma estratégia consciente para prolongar engajamento, reduzir a perda de assinaturas e dominar o assunto nos feriados, em vez de concentrar tudo em um fim de semana de maratona.


O encerramento de Stranger Things marca não apenas o fim de uma era, mas uma reinvenção da Netflix como plataforma. Este momento de transição desafia a empresa a explorar novos caminhos narrativos e formatos que podem moldar o futuro do streaming. Ao encerrar Stranger Things, a Netflix perde sua maior rede de segurança, mas a cultura pop ganha um clássico instantâneo. A série provou que histórias originais podem dominar o mundo em uma era de reboots e sequências infinitas.

O final da saga de Eleven e seus amigos marcará o fim da infância do streaming e a consolidação de um modelo de entretenimento onde o passado é, ironicamente, a ferramenta mais poderosa para construir o futuro. Wandinha, Round 6 e seus derivados podem manter a relevância da plataforma, mas dificilmente carregarão o mesmo peso simbólico. A série cumpriu sua função como ponto de partida; agora, com os direitos, personagens e símbolos consolidados no imaginário coletivo, a Netflix aposta em longevidade de marca, exatamente como a Disney faz com suas maiores franquias. O mundo invertido pode até ter um fim. A era de ouro, no entanto, já ficou para trás — e a última temporada de Stranger Things é seu epitáfio mais eloquente.

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“Off Campus”: o que significa a tatuagem nas costas de Garrett?

Ideia do ator Belmont Cameli, a frase em latim nas costas do personagem carrega uma história real

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Se você maratonou Off Campus na Prime Video e ficou olhando fixo pra tela tentando decifrar o que estava escrito nas costas do Garrett Graham, bem-vindo ao clube. A frase em latim que aparece nos ombros do personagem – “Nullum Gratuitum Prandium” – é uma adição completamente nova à história, foi ideia do próprio ator Belmont Cameli e tem uma conexão direta com a vida real dele.

Nos livros de Elle Kennedy nos quais a série é baseada, Garrett tem uma tatuagem de fogo no bíceps. Para a adaptação, Cameli propôs a troca pela frase em latim estampada nas omoplatas com a frase “não existe almoço grátis”, traduzindo livremente. A frase era o mantra da equipe de luta livre do colégio dele. Dá pra entender por que colou tão bem no personagem.


O detalhe mais inteligente, porém, está na lógica de posicionamento da tattoo. Quando Garrett veste o uniforme de hóquei, o que aparece é o sobrenome Graham, carregando todo o peso do pai famoso. Quando tira o uniforme, o que fica na pele é o mantra. É a diferença entre a versão que o mundo enxerga e a versão que ele sabe que é verdade. Para quem assistiu a temporada inteira, essa simbologia bate forte.

A tatuagem ainda funciona como antecipação sutil do final. Quando o pai de Garrett parabeniza o filho por ter iniciado a briga e diz que ele é igualzinho a ele, está falando do “Graham” que o mundo vê. A resposta de Garrett, cortando o pai no meio da frase, é exatamente o mantra em ação. Nada de herança. Tudo conquistado. E, por falar em conquistas reais, Cameli tem uma tatuagem de verdade na coxa em referência ao álbum favorito dele do The National, Trouble Will Find Me. O homem leva tatuagem a sério, tanto na ficção quanto fora dela.

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“Off Campus: Amores Improváveis” é exatamente o que uma série de romance deveria ser

A adaptação da saga de Elle Kennedy chega ao Prime Video e entrega o romance universitário que os fãs mereciam – com algumas surpresas no caminho

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Off Campus: Amores Improváveis chegou ao Prime Video no dia 13 de maio com todos os oito episódios da primeira temporada disponíveis de uma vez – o que, convenhamos, foi ao mesmo tempo um presente e uma cilada, porque ninguém parou depois do segundo. A série criada pela showrunner Louisa Levy adapta O Acordo, primeiro livro da saga da autora canadense Elle Kennedy, e acompanha Hannah Wells (Ella Bright), estudante de música da fictícia Universidade Briar, e Garrett Graham (Belmont Cameli), capitão do time de hóquei que vai mal em filosofia. Os dois fazem um acordo: ela o ajuda a recuperar as notas, ele a ajuda a conquistar o músico Justin. Quem já leu o livro sabe exatamente onde isso vai parar. Quem não leu, percebe no fim do primeiro episódio.

A grande aposta de Off Campus é química, e ela entrega. Belmont Cameli e Ella Bright têm uma interação que não parece fingida – cada troca entre Garrett e Hannah parece genuína, um pouco desajeitada do jeito certo, sem o esforço visível que às vezes aparece em adaptações de romance quando os atores tentam demais convencer.


A direção aposta em planos médios e reações, deixando os rostos contarem mais do que os diálogos, o que funciona muito bem nos momentos de tensão não resolvida, que são muitos. A série também acerta ao construir o universo do hóquei e da música de forma equilibrada, sem deixar nenhuma das duas ficar em segundo plano. Hannah tem uma jornada própria com a composição que vai além de ser a garota que o protagonista gosta, e isso faz diferença.

As mudanças em relação ao livro: o que funcionou

Quem leu O Acordo vai notar as diferenças logo nas primeiras cenas. O Justin dos livros era jogador de futebol americano; na série, ele é músico e lidera a banda After Hours, o que dá muito mais coerência ao interesse de Hannah por ele. O primeiro beijo de Hannah com outra pessoa também muda – no livro era com um personagem sem peso na trama, na série é com Logan, que tem um crush não resolvido pela protagonista, criando uma camada a mais para a temporada toda.


A série também antecipa o desenvolvimento de Dean e Allie, casal do terceiro livro da franquia, o que dividiu os fãs: parte ficou animada em ver mais desse casal logo, outra parte sentiu que isso tira o protagonismo que seria deles na terceira temporada. A questão é que a dinâmica entre eles é tão boa que é difícil reclamar muito enquanto assiste.

Off Campus não desvia dos temas difíceis do livro. O passado de Hannah, que foi drogada e estuprada no ensino médio, é tratado com cuidado e tempo de tela suficiente, o que de fato acrescente boas camadas aos episódios. A série conecta esse trauma diretamente à dificuldade da personagem de acessar a música pop e escrever letras, uma mudança em relação ao livro que aprofunda quem Hannah é antes mesmo de Garrett entrar na história.


Garrett também carrega o peso de um pai abusivo e o medo de repetir padrões – e a cena em que os dois confrontam essas questões juntos é um dos pontos mais fortes da temporada. O diálogo pode soar truncado em alguns momentos, e isso é verdade em alguns episódios do meio da temporada, mas raramente atrapalha o ritmo geral.

O que vem pela frente

Já renovada para a segunda temporada antes mesmo da estreia, Off Campus deixa bastante material aberto para o futuro. A introdução de Grace Ivers (India Fowler, anunciada para a próxima temporada) sugere que Logan e sua história com a personagem do segundo livro da saga devem ser o foco a seguir. Dean e Allie também terminam a temporada num ponto que pede continuação urgente.


A série claramente foi pensada no modelo antológico ao estilo Bridgerton – cada casal ganha seu momento, mas os personagens não desaparecem depois. Se Off Campus mantiver essa qualidade de construção de elenco secundário, o modelo pode funcionar muito bem. Por ora, Hannah e Garrett entregaram o suficiente para garantir que a gente vai estar aqui quando a segunda temporada chegar.

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Terceira temporada de ‘Euphoria’: o que aconteceu com Rue no final do quinto episódio?

O episódio colocou Rue na situação mais extrema da série até agora, e ainda encontrou espaço para uma sequência com Cassie em proporções gigantescas

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ALERTA DE SPOILERS

O quinto episódio da terceira temporada de Euphoria, exibido na noite de domingo (11) pela HBO e Max, terminou com Rue Bennett enterrada até o pescoço enquanto Alamo galopava em sua direção a cavalo – e a cena cortou para o preto. A pergunta “será que ela sobrevive?” passou o resto da madrugada circulando em cada canto da internet.

Ao longo do episódio, Rue segue tentando equilibrar sua atuação como informante da DEA com a rotina cada vez mais tensa no clube de Alamo. Quando Magick encontra drogas que ela havia escondido anteriormente, Alamo começa a desconfiar de sua lealdade. A partir daí, é uma contagem regressiva.


Bishop e G levam Rue para um local isolado e a obrigam a cavar uma espécie de cova. Na manhã seguinte, Alamo aparece a cavalo, segurando um taco de polo, galopando em direção à cabeça dela enquanto ela grita. Ainda restam três episódios na temporada, incluindo um finale que a HBO promete ser o mais longo da história da série – e a sensação de risco nunca pareceu tão real quanto aqui.

Enquanto Rue cavava sua potencial sepultura, o episódio entregou uma das sequências mais radicais da história de Euphoria. Cassie literalmente cresce até proporções gigantescas depois de encarar o fluxo interminável de pedidos online, pisando em uma versão falsa de Los Angeles num figurino de oncinha rasgado. Maddy, por sua vez, surge cada vez mais calculista, pressionando Cassie a assinar contratos e avançando sua carreira de atuação sem deixar a emoção atrapalhar o plano de negócios.

O que vem a seguir

Com três episódios restantes, Euphoria chegou ao ponto sem volta da temporada. Rue está encurralada entre a DEA, Alamo e os próprios sentimentos por Jules. Cassie está perdida entre a fama, Nate e a ilusão de que Brandon Fontaine representa algo real. E Maddy, que passou duas temporadas sendo tratada como coadjuvante, surge como a personagem mais estratégica da história – o que a série demorou três temporadas para mostrar com clareza.

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