Connect with us

Música

DTMF: a história por trás da música do Bad Bunny sobre saudade

Como Bad Bunny transformou o arrependimento de não ter tirado mais fotos numa das canções mais importantes da história da música latina

Published

on

Existe uma pergunta que Bad Bunny faz pra si mesmo em DTMF que provavelmente você também já se fez em algum momento: por que a gente só percebe o valor de um momento quando ele já passou? A faixa que dá nome ao sexto álbum do artista, lançada em 5 de janeiro de 2025, não foi escrita pra ser um hit global. Foi escrita pra ser uma confissão. E talvez tenha sido exatamente isso que fez ela dominar mais de 30 países nas paradas, virar a trend mais emocionante que o TikTok já viu e, em 1º de fevereiro de 2026, ajudar o álbum a entrar para a história como o primeiro projeto inteiramente em espanhol a ganhar o Grammy de Álbum do Ano.

Uma carta pra Porto Rico — que o mundo interceptou

Quando Bad Bunny disse à Apple Music que queria fazer um disco “de Porto Rico para porto-riquenhos”, não estava sendo modesto – estava sendo honesto sobre o ponto de partida. O projeto foi construído como um mergulho na memória afetiva da ilha: plena, salsa, jíbaro, bomba, reggaeton – ritmos que Benito cresceu ouvindo, que seus avós dançavam, que tocavam nos quintais onde as cadeiras de plástico ficavam vazias depois que a família ia embora.


DTMF, a faixa, é a síntese mais direta dessa intenção. Ela abre com uma batida suave que mistura a levada da plena com elementos que remetem aos sons de videogame da infância de Benito – uma escolha que já diz tudo sobre o que a letra vai fazer: te puxar pelo braço de volta pra um lugar que não existe mais.

O que DTMF diz, no fundo, é simples e devastador ao mesmo tempo. Benito canta sobre o arrependimento de não ter parado mais vezes pra registrar as pessoas que amava – as partidas de dominó com o avô, as noites com os amigos em Santurce, os pores do sol em San Juan que ele via sem saber que um dia ia querer ver de novo. Mas a letra vai além da nostalgia pessoal. Quando ele canta que torce para que a sua galera nunca precise sair da ilha, ele está tocando numa ferida coletiva: a gentrificação que vem expulsando porto-riquenhos de seus próprios bairros, os apagões, a pressão econômica que faz famílias se dissolverem pela diáspora. A foto que ele deveria ter tirado não é só de uma pessoa – é de um modo de vida que está desaparecendo. Essa camada política é o que diferencia DTMF de qualquer outra música sobre saudade que você já ouviu.

Poucos dias depois do lançamento, as pessoas começaram a usar a faixa não para fazer dancinhas, mas para montar galerias de fotos com quem já tinha partido – pais, avós, amigos, animais de estimação. A hashtag #DTMF foi mencionada em mais de 300 milhões de publicações no TikTok.

@sherilyn_guerrerooo

Had to hop on this trend cause I just found some pictures I hadn’t seen before 🥹 @Bad Bunny you started more then trends, you started a movement! Viva la raza, and thank you for showing the world our culture is deeper then the roots it starts with the people ❤️ #dtmf #badbunny #vivalaraza #eddieguerrero #sherilynguerrero

♬ original sound – sherilyn_guerrerooo


Kely Nascimento, filha de Pelé, entrou na trend com fotos do pai. Palestinos deslocados de Gaza usaram a música para falar de suas casas perdidas. Bad Bunny, ao ver tudo isso acontecer, se emocionou publicamente – porque as pessoas não tinham só consumido a música, tinham entendido o que ela era de verdade. Isso raramente acontece. A faixa estreou no topo do TikTok Billboard Top 50 na semana de 18 de janeiro de 2025, tornando-se o quinto single a debutar na primeira posição desde o lançamento do chart, em 2023.

Uma aula de identidade disfarçada de hit

Musicalmente, DTMF é uma declaração. A produção escolhe deliberadamente não soar como o que toca no mainstream global – ela soa como Porto Rico. A plena, ritmo afro-caribenho com raízes profundas na ilha, aparece em primeiro plano numa era em que a lógica de mercado costuma exigir que artistas latinos “internacionalizem” seu som, ou seja, o tornem menos latino. Bad Bunny fez o contrário. E ao levar essa música ao palco do Super Bowl LX, em fevereiro de 2026, fechando o show com DTMF diante de mais de 100 milhões de espectadores, ele transformou um momento de entretenimento em declaração cultural.


Antes da apresentação, o Genius registrou um aumento de 467% nas buscas pelas traduções em inglês das músicas do álbum, com não-falantes de espanhol tentando entender o que aquelas palavras que os estavam emocionando realmente significavam.

No Grammy, quando Harry Styles anunciou o nome de Bad Bunny como vencedor do Álbum do Ano, Benito subiu ao palco e disse em espanhol que Porto Rico é muito maior do que seus “100 por 35” – expressão popular sobre o tamanho físico da ilha. E naquele discurso estava o coração de tudo que DTMF representa: uma música feita de um lugar pequeno que, por ser honesta demais, acabou falando com o mundo inteiro.

Você não precisa ter crescido em Santurce pra entender a saudade de uma cadeira de plástico vazia num quintal. Você só precisa ter amado alguém.

Música

Taylor Swift terá música em “Toy story 5”? Todos os easter eggs até agora

De outdoors com 13 nuvens espalhados pelo mundo a mudanças na capa de 1989 (Taylor’s Version)

Published

on

Tem uma hora que toda teoria deixa de ser apenas uma conspiração e se torna fato concreto. A comunidade swiftie chegou nesse ponto em algum momento entre o outdoor de 13 nuvens em São Paulo e a Pixar postando uma legenda no Instagram citando Shake It Off embaixo de uma foto com a sigla TS e uma cowgirl. Bem-vindo ao caso Taylor Swift e Toy Story 5.

Como tudo começou: nuvens, cores e um countdown misterioso

O estopim foi no dia 30 de abril, quando um contador regressivo apareceu no site oficial de Taylor com visual em tons que os fãs identificaram imediatamente como a paleta de Toy Story – azul céu, amarelo e branco, com nuvens espalhadas pelo fundo. A internet swiftie ligou os pontos em questão de horas. O contador sumiu logo depois, e as teorias cresceram.

A teoria ganhou força com um detalhe de data que os fãs nunca deixariam passar: Toy Story 5 está previsto para estrear em 19 de junho de 2026, data que coincide com o aniversário de 20 anos do lançamento de Tim McGraw, o primeiro single da carreira de Taylor. Coincidências não existem no fandom swiftie, e esse tipo de alinhamento de datas é prova real oficial.

Os outdoors

No final de maio, a Pixar lançou uma campanha de outdoors que jogou combustível na teoria. Os painéis apareceram em diversas cidades do mundo com as iniciais TS e exatamente 13 nuvens, número historicamente associado a Taylor. Além dos outdoors, a Pixar publicou um post com Jessie dançando e a legenda “ela cria seus próprios passos”, uma referência direta a Shake It Off.

As evidências continuaram acumulando. A capa de 1989 (Taylor’s Version) foi atualizada nas plataformas de streaming, trocando as gaivotas originais por nuvens no estilo Toy Story.

O que os produtores disseram

O único recuo veio de uma entrevista dos produtores de Toy Story 5 confirmando que o filme já havia sido mixado com sua música final de encerramento, e que Taylor não estava envolvida com ela. A declaração negou a música de encerramento, mas foi, segundo a Variety, “peculiarmente específica” sobre exatamente o que estava sendo negado, o que só alimentou mais especulações sobre o que poderia estar acontecendo além dos créditos finais.

As possibilidades ainda em aberto incluem uma participação de voz, uma música dentro do corpo do filme, ou ainda algo ligado ao relançamento do álbum de estreia dela, já que Taylor mencionou que Taylor Swift (Taylor’s Version) está gravado e pronto para ser lançado algum dia.

A teoria mais ousada, que circula desde o começo de junho, é que o lançamento de Taylor Swift (TV) poderia coincidir com a estreia do filme no dia 19, aproveitando o aniversário de Tim McGraw e o cruzamento de iniciais entre TS e TS5. A Pixar escreveu uma letra de Taylor Swift numa legenda de Instagram para um filme chamado TS5 e postou a logo TS com uma cowgirl embaixo. É prova cabal, não!?

A estreia de Toy Story 5 está marcada para 18 de junho no Brasil. Até lá, cada post da Pixar vai ser esquadrinhado milímetro por milímetro.

Continue Reading

Música

O show histórico de Olivia Rodrigo em Barcelona virou debate por causa de um babydoll

A polêmica em torno do look babydoll da cantora em Barcelona escancarou, mais uma vez, o campo minado que é ser uma mulher no pop

Published

on

No último dia 8 de maio, Olivia Rodrigo subiu ao palco do Teatre Grec, em Barcelona, para um show íntimo e absolutamente histórico: o Spotify reuniu 1.500 superfãs selecionados pelo próprio aplicativo para celebrar os nove singles da cantora que ultrapassaram 1 bilhão de streams na plataforma – entre eles Drivers License, Good 4 U, Deja Vu, Vampire e Jealousy, Jealousy. A cantora recebeu placas comemorativas, tocou 14 músicas em menos de uma hora e ainda apresentou ao vivo drop dead, o primeiro single do seu terceiro álbum, you seem pretty sad for a girl so in love. Era, por qualquer ângulo que você olhasse, uma noite de celebração. Mas o que foi mais falado no dia seguinte não foi nada disso.

Reprodução/Spotify

Para a ocasião, Rodrigo escolheu um babydoll blouse da marca Génération78, da coleção “Crush Loves Drama”, combinando com bloomers e botas cano longo. O look era coerente com a estética que ela vem construindo no ciclo do novo álbum – uma espécie de femininidade caótica, igual partes Courtney Love e boneca de porcelana. Só que parte da internet decidiu que o vestido era, na verdade, uma peça problemática.

Nos comentários do X e do Instagram, usuários afirmaram que a silhueta frisada “infantilizava e sexualizava” a cantora de 23 anos ao mesmo tempo, uma lógica que, se você parar pra pensar, é basicamente impossível de vencer. Tinha gente comparando o vestido a roupinha de bebê, outros dizendo que era “inapropriado”. O show em si ficou em segundo plano.

O que aconteceu com Olivia é o mesmo roteiro que a gente vê se repetir há décadas com mulheres no pop. Quando Billie Eilish apareceu no início da carreira coberta de roupas largas, foi criticada por não “se vestir como menina”, e precisou ir a público explicar que usava roupas assim justamente para escapar da objetificação. Em uma campanha da Calvin Klein em 2019, ela disse que ninguém poderia opinar sobre o corpo dela porque não havia visto o que estava por baixo.

Existe um padrão duplo tão escancarado que já seria quase engraçado se não fosse tão cansativo. Justin Bieber se apresentou no Grammy usando apenas boxers e meias, e a leitura foi de que era uma performance “sem roupa”, corajosa, simbólica. Adam Sandler aparece em premiações de pijama e o mundo inteiro acha fofo. Mas uma mulher de 23 anos aparece num vestido florido numa festa de streaming em Barcelona, e a conversa vira sobre inadequação. O que a roupa da Olivia Rodrigo revelou não foi nada sobre a Olivia Rodrigo – foi o quanto ainda é fácil transformar o visual de uma mulher num debate público.

No fim, o que importaria discutir é o seguinte: ela foi até Barcelona com nove singles bilionários e um novo álbum na manga. Deu um show de 14 músicas que deixou os 1.500 presentes sem voz. Isso é o que aconteceu. O vestido é só um vestido.

Continue Reading

Música

Shakira se assusta com máscara de Piqué em show; veja o vídeo

No meio da turnê mais lucrativa da história da música latina, uma fã levantou uma máscara do ex-jogador durante a música que ele inspirou

Published

on

Shakira estava cantando a BZRP Music Sessions #53 – aquela em que ela literalmente processa o fim do casamento em versos afiados – quando uma fã na plateia levantou uma máscara do ex-marido Gerard Piqué com olhos flamejantes, língua vermelha comprida e chifres de diabo. A reação de Shakira foi de susto genuíno, e o vídeo não demorou nada para tomar as redes sociais.


O momento aconteceu durante a passagem da turnê por El Salvador, onde Shakira fez cinco noites no Estadio Nacional Jorge “Mágico” González em San Salvador, parte da segunda etapa da Las Mujeres Ya No Lloran World Tour. A turnê já se tornou a mais lucrativa da história da música latina: mais de 421 milhões de dólares arrecadados até março de 2026 e mais de 3,3 milhões de pessoas no público.

Não foi a primeira vez nesta semana que o nome do ex veio à tona. No sábado (2) durante o evento Todo Mundo no Rio na Praia de Copacabana, parte da plateia reagiu com gritos direcionados ao ex-jogador depois de um discurso de Shakira sobre mães solteiras. A separação, anunciada em junho de 2022 após reportagens da imprensa espanhola sobre uma suposta traição, virou combustível criativo para Monotonía, TQG com Karol G e a sessão com Bizarrap – e aparentemente ainda não saiu do radar do público.

A turnê segue até outubro de 2026, com encerramento em Madri.

Continue Reading

Em alta

© 2025 Domínio Creative Content. Todos os direitos reservados.